BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



“Aí eu nem quis me olhar no espelho. Estava cansada, murcha, derrotada... Não queria sequer pensar. Minha mente latejava em tristeza. E agora? O que fazer, para onde ir, para quem ligar? Quis pegar o telefone e ligar para você. Ah, como eu quis que um dia a gente tivesse vivido uma (nossa) história. Iria ser tão legal, as coisas seriam simples, leves, fúteis e alegres. Ah... aonde a gente se perdeu? Onde dobrei a esquina e me descobri seca de amor. Por quanto tempo ele já derramara-se de meu ser sem que eu pudesse sequer perceber?”

Arabella estava de novo vivendo uma de suas crises existenciais. Sabia que não seria a última, muito menos a única. Era sempre assim. Uma tristeza infinda que invade o ser e sufoca sua alegria. Estava já há um dia inteiro dentro de casa. Longe de todos, de tudo. Embrenhada em seu trabalho, ensimesmada em tanto trabalho que comprimia seu ser na procura pela sua existência.

A coluna doía de estar sentada à frente do computador há tanto tempo. Os olha cansados, secaram também. Junto com seu amor. Doía também. Arabella era uma mulher vivida, experiente, não achava justo estar ainda a alimentar pequenas paixonites e regatar tantas outras que já haviam passado. O reencontro com seu grande amor foi fatal para seus sonhos. Por momentos ela pensou que acreditou que estava tendo uma segunda chance para a história de ambos nessa vida ainda. Ela sempre pregara que a história dos dois era para outras vidas, que (infelizmente) não estava escrito para essa existência e já havia se conformado. Imaginava (até) que ele havia morrido. Alimentava no fundo essa história para conformar seu ser e acalmar sua alma. Ele tinha partido de sua vida há  bastante tempo e nada indicava que um dia retornaria. Perdera o contato, o endereço, número de telefone e tudo o mais que pudesse indicar seu rastro pelo planeta. Agora, ele reaparecera, como uma mensagem que pisca no canto do monitor. Uma volta triunfal, virtual, para mexer com sua memória ram para embaralhar seu HD. E agora? Agora, só restava à bella o seu pesar e contentamento. Fechou o laptop e correu para o banheiro. Precisava de um banho, lavar um pouco de sua alma, no fim daquele domingo, longo de trabalho, pesado de ausência.

Ligou o chuveiro, sentiu a água, primeiro fria, depois, mais morna, a tocar seu corpo. Se olhou, nua, doída... Doía por dentro e por fora. Os músculos tesos de uma mesma posição de trabalho, a alma tensa da falta de um amor por perto. Sentiu pena de si mesma, contraiu-se no canto do box e encolheu-se toda. A tristeza cresceu tanto e tão profundamente que se viu, de repente, as prantos, chorando alto, ouvindo o próprio urro de dor da alma. As lágrimas se misturaram com a água que saía em profusão do chuveiro. Chorava, chorava e quanto mais ouvia seu pranto, mais entristecia-se por aquele dia inteiro sozinha, em casa, sem telefonemas, sem cartas, e-mails e, o pior, esperança...



Escrito por Arabella às 17h30
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