BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



Armação do destino



Tinha ouvido a irmã por horas e, agora, decidira, era hora de partir. Aquela conversa já tinha rendido o que poderia render. Arabella já havia captado a falta de harmonia daquela instante e por mais que tentasse – desesperadamente, eu diria – retomar momentos passados, percebera que já não era mais tão fácil assim. Talvez, pensou, impossível.

O tempo foi cruel e as relações já não são as mesmas. “Nós já não somos mais os mesmos”, pensou para si mesma. Pensou tão baixinho que sequer pode ouvir seus pensamentos. Arabella estava triste, mas, de certa forma, sentia um alívio. O alívio de encarar a situação como assim (ela) se apresentava. Não dá para ficar idealizando ou fantasiando a realidade. O mundo afastara uma da outra e, agora, às irmãs não restava mais do que se conformar e tentar reconstruir, ou melhor, construir algo a partir do que se apresentava.

Olhou para a irmã, sentiu um aperto no coração. A vida fora cruel. Sempre viveram na mesma cidade – por muito tempo, claro, na mesma casa, chegaram até a habitar o mesmo ventre... – e agora nada mais restava a não ser seguir a vida nas condições às duas impostas.

Não era conformismo, era realismo. Não estava com raiva, estava triste e, como se percebe, aliviada. Não tinha culpa, tinha mesmo era tristeza, mas, sabia que algo novo podia ser construído. Ainda havia a chance. “Enquanto há vida, há esperança”, se repetia e ria de sua ingenuidade.

- Isabella, precisamos nos ver mais, conversar mais...  Disse essas palavras com a descrença de quem cumpre um protocolo. Sabia que não seria assim, sabia que estava apenas cumprindo os passos de um encontro perdido no meio do tempo.

- Claro, claro, é isso mesmo que eu quero. Respondeu a irmã, também como quem lê um script e repete suas falas do roteiro.

- Precisamos colocar nossos filhos para brincar, se freqüentarem. Afinal, são quase da mesma idade, moram na mesma cidade, precisam crescer juntos...

- Claro... Repetiu, cumprindo suas falas.

O tempo já tinha avançado bastante e os ponteiros do relógio já acusavam o momento de se despedirem. Arabella, como sempre, pediu a conta e fez menção de pagar. Isabella não se mexeu. Era engraçado, toda a sua família tinha essa convicção de que ella, a bella, era abastada o suficiente para que pagasse sempre as faturas dos encontros. Acontecia sempre. Era quase que uma obrigação para a bella financiar os momentos juntos, as conversas, os instantes de prazer e lazer ao lado dos seus. Afinal, ella era a que trabalhava, tinha emprego e força para se virar e dar conta da vida.

Arabella, nesse momento, sentiu raiva. Raiva dela mesma, por aceitar e (até) investir nesse conceito, e da irmã, por se fazer de tão frágil e desamparada ao ponto de achar que à irmã cabe a obrigação de sempre arcar com as despesas. Teve raiva, também da situação, de tudo que se configurara na vida das duas. Da fórmula que Isabella encontrou para se colocar na posição de coitada. Não era. Tinha apenas encontrado uma saída para se escorar no destino...

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 10h45
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