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Arabella Bella O passado se mistura... O presente se ressente...” Deu um beijo de despedida na amiga e partiu afobada para ganhar o dia. Arabella gostava muito e sempre de dirigir. É certo que, em alguns momentos sentia-se cansada, mas, geralmente, adorava entrar no carro, abrir as janelas do carro e deixar o vento invadir todos os cantos e recantos de sua alma. Pensava muito enquanto dirigia. Visitava momentos vários de sua vida, ia e vinha em fases distintas de sua existência. Ligou o rádio na rádio de notícias 24 horas – era uma mania dela: estava sempre ligada nas notícias para que não perdesse um só segundo do que acontecia no Brasil e no mundo. Ta certo, ta certo, era uma mania, mas não uma doença. Adorava quando chegava o fim-de-semana e podia, finalmente, relaxar e enfiar um CD no som do carro e relaxar com a paranóia de viver eternamente antenada. Era mesmo um pouco de paranóia, mas ela mesma confessava a si própria que adorava quando chegava no trabalho, quando conversava com amigos, quando discutia a vida despretenciosamente, e tinha informação sobre tudo, já havia lido sobre grande parte dos assuntos e podia discutir temas. Era mesmo uma chatinha nesse ponto. Mas, assim, seguiu para o trabalho. No caminho lembrou dos momentos com a amiga. Percebeu que saíra tão apressada que mal se despedira de Gabi. As pessoas aprendiam a entender esse lado desligado de Arabella. Não fazia por mal, fazia por distração e sabia que a distração era um mal. A bella tinha seus defeitos, e muitos, mas vivia sempre (acreditem-me) com a melhor das intenções. Não havia no planeta alguém que ela detestasse ou odiasse a ponto de desejar mal ou esperar nunca mais reencontrar. Tinha sempre uma lembrança boa do passado – outro erro: “passado está no passado, ponto com, ponto Br. Não nos cabe viver do que foi. Passou...”, repetia para si mesma. Por um momento, veio-lhe à mente uma cena. Uma situação que vivera na infância, ao lado de sua irmã. Sentiu um aperto no coração. Lamentou o passado ter passado e por um momento desejou ardentemente poder reviver a boa sensação de segurança da infância. Uma lágrima rolou de seus olhos. “Agora, cresci. Fazer o quê?”, conformou-se e emendou: “Preciso ligar para minha irmã”. ///~..~\\\ Escrito por Arabella às 19h34 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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