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Arabella Bella Back to reality... Momentos são momentos, nada mais. A realidade não tardou a bater na porta da bella, que mal pode saborear o capuccino que a amiga preparou com torradinhas. Seu reinado de mimos, por aquele momento, estava próximo do fim. Logo, logo o relógio estaria marcando sete horas e o trabalho urgia. Arabella pulou da cama apressada, pronta para entrar numa ducha bem gelada, daquelas que tiram qualquer um dos sonhos e sugam toda magia do momento sublime. - Bella, bella menos correria. Você acabou de me dizer que estava se permitindo. Disse a amiga em tom de desolação. - Eu sei, Gabi, linda. Mas, olha, não dá mesmo para eu esperar mais. Foi tudo lindo, inesquecível e único. Você é maravilhosa e não quero perder a oportunidade de ter outros momentos junto a você. Mas... - Ok bella, ok. Vai lá... Não te atrase... Bella correu para o banho e, na passagem, deu um beijo no rosto da amiga e fechou a porta do banheiro cantarolando: “E foram virando peixes/Virando conchas/Virando seixos/Virando areia/Prateada areia/Com lua cheia/E à beira-maaaaaaaaaaaar”. Gabriella sorriu para si mesma e, com seus botões, pensou: - mas é mesmo uma moleca! O banho foi rápido. Arabella tinha essa impaciência natural e fazia tudo correndo. Parecia que nunca tinha tempo a perder, que as horas estavam mesmo a correr no seu calcanhar. Saiu toda enrolada numa toalha, o corpo ainda úmido e exalando o frescor de eucalipto do sabonete. Correu para o quarto, escolheu a calça comprida básica (preta), uma blusa básica (branca), meias brancas e tamancos pretos. Era mesmo desmazelada no seu modo de vestir. Lembrava-se freqüentemente dos comentários de sua mãe que vivia a pegar no seu pé e a pedir que ela se vestisse um pouco melhor, que fosse mais menininha e que se preocupasse mais com sua auto-imagem. Esses pensamentos fizeram Arabella rir de si mesma, pois ali, naquele momento, conseguiu se ver perfeitamente como sempre fora: uma menina desmantelada, aparvalhada, mas cheia de encanto pela vida. Moleca, exatamente moleca, como definira a amiga Gabi que, a essa altura, de longe, assistia ao desmantelo da bella a se compor para enfrentar o dia, a vida, o mundo da bella a tentar, sempre, domar suas feras... ///~..~\\\ Escrito por Arabella às 19h40 [ ] [ envie esta mensagem ] A lição sabemos de cor... Só nos resta aprender. A noite foi longa e curtida. As duas amigas se redescobriram no afeto e no carinho. Arabella se desmanchava em meiguice com os dengos de Gabi e esta se desdobrava em afeto com os caprichos da bella. Se amaram, conversaram, se descobriram... Ao toque suave das mãos de Gabi, a bella estremecia e se entregava mais e mais às carícias da amiga. Como em um balé, enlaçavam-se e ensaiavam movimentos doces... Embalavam-se uma no desejo da outra e se perdiam noite adentro sob os olhares atentos da lua que, enxerida, prateava os beijos trocados. Logo a lua faceira despediu-se da noite e abriu espaço para o dia que, sob os encantos do sol surgia no horizonte em tons laranja e com nuances púrpura. Parecia mesmo um espetáculo a se formar sob a janela da bella. Dali, onde estavam, avistavam o Lago Paranoá sob a névoa seca do Planalto Central. É sabido que naquela região, no platô do Centro-Oeste brasileiro o clima divide-se em apenas duas estações marcadamente distintas: a das chuvas e a da seca. O clima semelhante ao das savanas, durante a seca, se revestia de névoa e a umidade baixa do ar maltratava os corpos de quem vive por aquelas bandas. A seca não secou os carinhos de Bella e Gabi que, maravilhadas, perceberam a saudação do astro rei em uma tela milimetricamente pintada e arranjada pela natureza. Era um dia de setembro, era o dia em que as duas deixaram o tempo de lado e se entregaram à livre dimensão de quem dá vazão aos momentos e sentimentos. - Olha lá, Bella, o sol, o dia! As cores laranja. É um espetáculo único. Ofereço a você. Disse Gabi simplesmente extasiada com a perfeição da natureza... Arabella soltou apenas um suspiro e num ato de reverência a tudo e a todos respirou fundo enchendo seus pulmões de ar. Estava em paz com ela mesma. Sabia disso. A bella, sempre atordoada e preocupada, deu-se de presente momentos de calmaria. Limpou a mente de todo e qualquer pensamento e se deliciou com a brisa da manhã. - Vou fazer um café, quer um capuccino? Perguntou Gabi. - Capuccino? Agora? - Claro, Bella. Nada como o cafezinho do início do dia. Fica aí, deixa que eu providencio tudo. Arabella ainda fez menção em se levantar da cama, mas, não resistiu aos mimos da amiga e voltou para debaixo das cobertas resignada a se permitir o momento. Experimentou a doce sensação de não ter que pular da cama apressadamente para começar o dia. Se permitiu... Escrito por Arabella às 17h43 [ ] [ envie esta mensagem ] Prenuncio de Primavera... Arabella até ensaiou chorar, mas era tão terno o toque da mão da amiga em seus cabelos que ela achou melhor fechar os olhos e simplesmente deixar suas emoções fluírem. Tinha um pouco essa mania de ‘montar dramas’ e a frase da amiga atingiu-lhe o peito em cheio. Arabella fazia muito, sim, claro que fazia! Era mesmo uma lutadora que corre atrás do prejuízo para se livrar do mesmo. Com três, quatro, dez bicos, costumava dizer que sempre dera conta da vida e isso devia-se, sempre à sua força de trabalho. - Meu pai, certa vez me disse que deixaria para todos os seus filhos o bem maior e que jamais poderá ser roubado: o do estudo. “Podem roubar seus bens, tudo que você possuir, mas, a sua força de trabalho e seu conhecimento são seus, adquirido e jamais lhe roubarão e, mais, é com essa força que se pode reconstruir e recuperar tudo novamente”. Tenho essas palavras do meu pai comigo em cada passo que dou. Dizia a bella. Mas, o fato de ser lutadora não a credenciava a ser também um drama ambulante. Arabella sabia disso, mas, nunca tinha ouvido de forma tão direta uma descronstrução tão sagaz dos seus dramas. - Bella, bella, viva apenas... Ponto com, ponto br. Disse a amiga. Dos seus dramas já sabemos, dos meus eu também já sei. O que nos resta agora é viver o novo, aproveitar, simplificar, descomplicar. Ah, bella, se você soubesse quanta energia se gasta construindo dramas. E, olha, te digo mais, na segunda frase do seu drama, o ouvinte já está pensando em alguma coisa. Nossos drama são nossos. Resolvamo-los, pois. No mais... Vivamos! A amiga era mesmo uma sábia. As palavras certas nas horas certas. De repente a bella viu que mais do que construir os dramas, melhor é se desfazer deles. Nada de valorizar dramas. O cheiro de outono invadia o quarto. Era uma brisa seca e árida como as que costumam passear pelo Planalto Central em dias de setembro, antes da primaversa se anunciar. Não estava frio, não estava quente. A temperatura amornava o ambiente que se enchia de harmonia á medida que as duas amigas entravam mais e mais em sintonia... De olhos fechados, a bella sentia o carinho da amiga. Enlaçou os braços ao redor da cintura da amiga, e sentiu o aconchego de estar ali – segura, confortável, plena. Gabriella, esticou o braço, pegou a taça, tomou mais um gole de vinho e novamente brindou: -Bella, olha para mim. Vou bridar a você e à sua vida com menos dramas. Arabella abriu os olhos e teve a visão da amiga – tão forte, decidida e cheia de brilho. Levantou-se lentamente e foi endireitando sua coluna de forma ereta à frente da amiga. Chegou ao nível dos olhos de Gabi, sorriu placidamente e com uma das mãos tocou o rosto da amiga. Fez um gesto de carinho, sentindo a maciez da pele da outra. Inclinou-se em sua direção, beijou-a demoradamente. Com aquele gesto, Arabella desconstruía definitivamente um tabu em sua vida... ///~..~\\\ Escrito por Arabella às 16h22 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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