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Arabella Bella Amaram um amor urgente... Arabella e Gabriella se divertiram muito aquela noite. Aliás, era sempre assim quando as duas se encontravam. Raras as vezes que se esbarravam, mas, quando acontecia, se esbaldavam. Beberam... Pediram o melhor vinho tinto seco que conheciam e fizeram dele seus votos e brindes aos melhores momentos da vida. Arabella adorava vinho tinto seco. Sentia um prazer daqueles difíceis de descrever. Uma satisfação de degustar algo feito para tal. Fazia isso também com a companhia de Gabriella. Com a amiga, podia ser o que bem entendesse. Estava clean, sem dramas, sem amarras. Se entendiam, se complementavam e se desnudavam. Eram amigas, irmãs e cúmplices... Amaram o amor serenado/Das noturnas praias/Levantavam as saias E se enluaravam de felicidade/Naquela cidade/Que não tem luar Duas taças de vinho e a leveza de encontrar-se com seus sentimentos e desejos. Arabella chamou Gabriella para dançar. Não tinha pudor. Não poderia ter. Olhava nos olhos da amiga e sentia um carinho terno e saudável. - Não posso me recriminar pelos bons sentimentos. Nada do que é bom pode ser danoso. Nada! Repetia para si mesma, enquanto observava a amiga. E dançavam... Dançavam embaladas na melodia de seus olhares. Fitavam-se. O mundo parou em volta... Avelar, do balcão, observava feliz o bem estar da amiga que, ultimamente andava tão cabisbaixa, quieta, sumida... Amavam o amor proibido/Pois hoje é sabido/Todo mundo conta Grávida de lua/E outra andava nua/Ávida de mar Antunes chegou e Arabella mal percebeu. Com o vilolão debaixo do braço, passou rente à ella e ainda fez uma brincadeirinha picante... - Vocês duas dançando assim... não sei não. Será um crime interromper a música... Arabella, que estava de olhos fechados, abriu o canto do olho esquerdo e viu sua ex-paixão de soslaio. Soltou uma risadinha e jogou os braços para cima num movimento lento e lânguido. Ignorou o comentário do amigo... E foram ficando marcadas/Ouvindo risadas, sentindo arrepios/ Olhando pro rio tão cheio de lua/E que continua/Correndo pro mar Gabriella adorou e também jogou seus braços, só que para os lados. Rodopiou... As duas roubavam a cena. O momento era sublime, pediram mais vinho... Antunes sentou-se em seu banquinho. Recolheu-se á sua insignificância do momento e reverenciou a coreografia das duas. A iluminação do ambiente, mais intimista e noir, produzia frames inesquecíveis para a platéia atenta. E foram virando peixes/Virando conchas/Virando seixos/Virando areia/Prateada areia/ Com lua cheia/E à beira-mar ///~..~\\\ Escrito por Arabella às 16h44 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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