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Arabella Bella Tem gente que veio só olhar... Tem gente que vai querer ficar... Adorava quando as pessoas ligavam para ela, principalmente as mais queridas. É que Arabella era mesmo descuidada. Tinha carinho por inúmeras pessoas, adorava a todas, lembrava-se de muitas outras mais, mas... Era mesmo descuidada. Todo dia lembrava-se e cobrava-se de ligar para os mais queridos e pronto. Era só isso. O dia passava entre um compromisso e outro, uma correria e outra e, no fim, quando se deitava na cama, já tarde da noite, capitulava os nomes de todos com os quais gostaria de ter estado em contato naquele dia e, mais uma vez, não o fizera. Chegava a sofrer (até) com esse seu descuido desmedido. Queria ser diferente... Estava apressada, como sempre, andando a passos rápidos por uma avenida de sua cidade. As pessoas iam e vinham e desviavam-se umas das outras, tentando livrar-se ou proteger-se umas das outras. A vida era mesmo assim: uma gincana pensava ela enquanto tinha em mente uma lista de coisas para fazer naquelas duas espremidas horas de almoço. Foi quando celular tocou: - Arabella, é Gabriella, lembra-se de mim? Perguntou a voz do outro lado da linha No vai-e-vem de gente, barulho de carros passando, buzinando, reconheceu a voz da amiga. - Gabriella, é mesmo você? Caramba, pensei que já tivesse embarcado para Londres. Nunca mais nos falamos, disse. - Pois é... Você sumiu... Onde você está agora? Eu ainda não embarquei, estou aqui mesmo, na sua cidade, exatamente como da última vez que nos encontramos. Será que podemos nos ver de novo? Onde você está agora? Quero lhe ver, sabia? Me deu vontade. - Ando correndo tanto, não tenho tido tempo para respirar, disse. - Esquece essa ladainha Bella, vamos nos ver. Arabella lembrou-se da última vez em que estiveram juntas, da noite que passaram juntas, de tudo que estava vivendo naquela época... O Antunes, a indiferença, a decepção, a vontade de sumir... Lembrou-se de como foi bom ter tido aquela noite com Gabriella... Sentiu saudade... - Sabe o que é... Estou meio sem tempo... -Corta essa, bella, permita-se... Vamos jantar essa noite? Podemos ir ao bar do Avelar. Tenho ido lá sempre. Você nunca mais apareceu. Sumiu... Arabella tinha mesmo essa mania. Sumia, recrudescia, ficava entocada em seu mundo de trabalho e conjecturações.Seus amigos, diversas vezes repetiam que, continuavam amigos della, simplesmente porque eram persistentes e nem sabiam mesmo o por quê, já que a bella era totalmente displicente com eles. - Ok, Gabriella, às nove no bar do Avelar... Aceitou o convite sem mesmo saber o por que. Tinha se afastado de Gabriella por contingências da vida e não sabia se queria voltar. Ella nunca o sabia. Quando sabia de alguma coisa em relação a qualquer relacionamento, tinha medo, recuava, preferia ficar sozinha e resolver seus dramas sozinha. Era errante, repetia, mas até quando? Até quando agüentaria o fardo de ser sozinha? Estava cansada... Escrito por Arabella às 16h01 [ ] [ envie esta mensagem ] Orgulho... Para quê orgulho? Parte I E a vida segue. Graças a Deus a vida segue. É isso que faz a magia dos dias e dos momentos serem eternos: a capacidade que todo ser humano tem de viver, experimentar e superar... Arabella amava a vida e buscava sempre os momentos para fazer com que tudo valesse a pena. Tinha umas regrinhas básicas que procurava seguir e ensinar para os filhos. A primeira delas, cláusula pétrea (é assim que se escreve?) se referia ao outro. Achava sempre que era importante dimensionar o outro na vida dela e repetia: “não faça aos outros o que não quer que façam a si mesmo e, mais, procure sempre se colocar no lugar do outro para ter noção e dar o devido peso aos atos, fatos, palavras”. Era assim. Não se pode dizer que era exatamente uma pessoa boa por causa disso. Claro, muitas vezes ela foi bem mazinha com o outro, mas, sempre com a certeza e a culpa de quem está fazendo algo errado, sabe disso e, ainda assim, segue em frente. Eu explico: em certa ocasião, traiu. Traiu descaradamente. Odiava ser traída, mas traiu. Cantara a bola da traição com meses de antecedência. Dissera ao seu namorado, na época, que o relacionamento entre os dois passaria por uma turbulência, que ela iria viajar por mais de 3 meses, iria fazer um trabalho fora e não asseguraria que ficasse esse período totalmente fiel. - Estou indo para um BBB (Big Brother Brasil) e não sei se irei dar conta. Disse Ele insistiu no relacionamento, ela... Traiu. A traição chegou aos ouvidos do namorado, mais de 3 mil quilômetros de distancia, ela não teve como negar. Soube do peso de seus atos. Mesurou bem sua atitude e se julgou culpada no episódio. Sabia exatamente que não queria aquilo para ela e que traição machuca, fere. Mesmo assim, o fez. Era o lado mau da mulher errante. Bem, isso é só para mostrar que a gente muitas vezes sabe das regras que se estipula para a vida, dimensiona os riscos, conhece os traumas das ações e mesmo assim, segue em frente. Na contrapartida, Arabella – por ter feito e traído um dia, sabia que estava sujeita a passar pela mesma situação e, pior, não poderia nem reclamar. Estaria apenas vivendo a mesma situação só que de lado oposto-. Aliás, se tinha uma coisa que ela sabia bem era dimensionar e calcular as reações às suas ações. Toda vez que acontecia, se julgava, se considerava culpada e se preparava para a reação do universo que, um dia certamente, iria reagir ao seu capricho, ou descuido, ou descaso... ///~..~\\\ (de novo, por conta dos caracteres em excesso, o post foi dividido em dois. Portanto, continua logo abaixo) Escrito por Arabella às 17h42 [ ] [ envie esta mensagem ] Orgulho,... Para quê orgulho? Parte II Mas, isso é um exemplo. Era uma pessoa que buscava o lado do outro, mesmo sabendo que estava prejudicando. Por isso, naquele dia, uma terça-feira de agosto, resolveu consertar um de seus erros. - Pai? Sou eu, Arabella. Estou ligando para dar os parabéns pelo seu aniversário... - Obrigada, minha filha. Eu vi que você tinha ligado, tentei ligar de volta, não atendeu. Estou com um celular novo e não soube atender na hora. E você está bem? Os meninos? - Estamos todos bem. Tentei ligar cedo com eles do meu lado para lhe darem os parabéns. Vou tentar mais tarde e coloco os dois para falar com você, está bem assim? - Claro... A voz dele começara a embargar. - E... Tem mais: vamos parar com essa besteira do senhor não ligar mais para a gente. Isso não leva a nada, viu? - Claro minha filha, disse com a voz morrendo no fim da frase e o tom embargado, quase chorando... Faltava quinze dias para que os dois completassem uma ano sem se falar. O longo e tenebroso inverno de silêncio começou por causa de uma briga boba, dessas que nem valem a pena retratar. Jogo de palavras que, no final, viram conceitos formados com dia, hora, data e registro em cartório. Arabella e o pai tinham uma relação particular que foi abruptamente interrompida por causa de terceiros e que ficou no ar sem que nenhum dos dois sinalizasse um retorno. Ela sabia por terceiros também que ele tinha vontade de ligar para ela. Ela mandava recados de que não tinha nada contra, mas, os dois, orgulhosos e parecidíssimos um com o outro não avançavam. - Que bobagem essa história, liga para ele. Olha, nada vale os momentos que roubamos da gente e privamos de nossa vida com as pessoas que nos são importantes. Liga para ele. Arabella ouviu o conselho com os olhos encharcados de dor, mágoa, tristeza e saudade... Foi esse conselho de alguém muito especial na vida de Arabella que a fez tomar a decisão e passar por cima de todo e qualquer orgulho que pudesse, ainda, existir, na relação dela com o seu pai. Nesta terça-feira, de agosto, Arabella pode finalmente começar a respirar novamente uma relação leve e promissora entre ela e o pai. ///~..~\\\ Escrito por Arabella às 17h41 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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