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Arabella Bella



Historinha nonsense - Parte I



Acordou melhor, como era de praxe. Sempre acontecia assim. Dores de cabeça, remédios, repouso (ou não) e... Retomava a vida. A vida... ah... Existe bem maior do que a vida? A vida no sentido puro e clean da palavra. Viver é realmente o melhor dos bens e num dá para conjecturar sobre não tê-la ou perdê-la.

-          Tá certo, tá certo. Sei que somos completamente rendidos nessa história. Sei que a gente tem apenas essa certeza ao nascermos: o de morrer. Mas, viver pensando no fim não é das melhores opções da vida. Não é a minha, pelo menos. Riu.

Arabella adorava entabular diálogos nonsense com seus filhos e a vida foi motivo para tal. Aliás, sempre o era. Naquele dia, tudo começou com uma história sobre alienígenas...

-          Vocês sabem que eu vim de um outro planeta e que, no momento certo, irei revelar o motivo pelo qual estarmos nesse planeta.

-          Que história é essa, mãe?

-          Olha, vim do planeta Netuno, é tudo o que posso revelar por agora... Fez ar de mistérios.

Eles riram. Divertiam-se com a história.

-          E, digo mais, quem vem desse planeta vive muito tempo, fica muito velhinho. Tem vida longuíssima. Portanto, preparem-se para viver muito tempo nesse planeta... Agora, quando vocês fizerem 21 anos, irei revelar toda a verdade sobre a nossa dinastia...

-          Por que só com 21, mãe?

Porque foi o pacto que fiz quando decidi que viríamos para a terra.

(continua logo abaixo...)



Escrito por Arabella às 12h18
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Historinha nonsense - Parte II



A conversa derivou para outros rumos.

-          Ah, então se nós – eles já assumiram como verdade que tinham vindo de Netuno também (Arabella divertia-se) - viemos de lá, e os habitantes desse planeta vivem muito tempo, por que temos que nos preocupar com cinto de segurança, por exemplo? Se já temos nossa vida longa garantida? Perguntou o filho mais velho de Arabella, querendo pegá-la na mentira e já tentando uma brecha para se livrar da obrigação de usar o cinto, por exemplo.

Ella gostou da perspicácia do rebento. E retrucou:

-          Tudo bem, ta certo, vivemos muito, agora, não é falei que somos intocáveis. O que você acha que acontecerá com um habitante de netuno, se ele sofrer um acidente de carro, por exemplo. Disse Arabella. Falei em não morrer, não falei em não se machucar. Então, nem me venha com suas argumentações... Falou em tom de brincadeira.

-          Humm... Pensou o filho.

Todos concordaram que de nada adianta ter vida longa assegurada se as condições não forem absolutamente favoráveis e, mais, os três concordaram que, enquanto viventes desse planeta, o melhor mesmo é preservar o corpo e a mente, para serem e estarem sãos e podendo aproveitar melhor cada segundo nesse planeta terra...

Arabella olhou e viu os filhos pelo retrovisor do carro. Observou bem seus rostinhos e naquele instante sentiu uma felicidade indescritível. Percebeu que estava feliz por tê-los ali, no banco de trás, sãos e saudáveis, com uma vida inteira pela frente...

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 12h17
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O incômodo nosso de cada dia...



Uma dor fina a incomodava, no canto direito de suas costas, bem embaixo, próximo ao quadril. Mais um incômodo do que uma dor propriamente dita. O que seria aquilo? Começara bem cedo. Um jeito diferente de sentar-se, uma posição errada na hora de dormir... Não sabia ao certo.A verdade era que aquilo, tão pequeno, quase imperceptível (no início), foi tomando a atenção dela ao longo do dia. Algo meio sem jeito, meio deixa para lá, mas, permanente, consistente, intermitente...

Começou a afetar seu raciocínio. Não conseguia pensar direito. Mudava de posição na cadeira, sentava-se de várias formas diferentes. Pernas cruzadas, para cima, para baixo, para o lado, cadeira para frente, para trás... Nada. A dor persistia.

Derivou para a vida. Percebeu que existem incômodos que, no início são imperceptíveis, mas, que depois, ao longo da vida, vão crescendo, tomando dimensão, absorvendo nossos momentos. Tornam-se, muitas vezes, desvio de conduta. Estavam ali, pequeninos, quietos, mas... Ali. Não se costuma dar bola para eles. É o erro. São pequenas brechas que ficam abertas e não cicatrizam e, no fim das contas, crescem, tomam conta do organismo, da vida, viram um câncer.

Na psicologia, parecia-lhe, existe uma teoria que trata do assunto. Fala de ciclos que devem ser fechados para novos serem abertos. Precisa-se resolver o que ficou inacabado, para se ter a base para construir-se nova direção. Lembrou-se da teoria da Gestalt (forma), que trata do todo. O todo, talvez, devesse ser considerado a partir das partes que o compõem.

Arabella nunca se entregou muito à psicologia, mas, a dorzinha daquele dia virou uma enxaqueca e daí a se entupir de remédios foi um pulo. Terminou o dia sobre uma cama, quarto com a luz apagada, compressa de gelo nos olhos, silencio em volta e os problemas todos do lado de fora do quarto, com a porta fechada para que pudesse respirar um ar menos impregnado de conjecturações.

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 19h02
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Igual a todo mundo



Arabella fizera a prova. Tinha mesmo que fazer. Era preciso. Pareceu insignificante, mas foi um momento marcante em sua vida. Encheu sua alma de ânimo e ela começou a semana melhor preparada para superar as desventuras recentes. A melancolia que a acompanhava já há algum tempo, de noite e de dia, aos poucos se recolhia a seus cantos de tristeza e liberava o organismo della para melhor ventilar-se.

Não podia-se dizer 100% bem e refeita, mas, abanara um pouco a poeira e estava mesmo a fim de seguir em frente.

-Vou caminhar conforme meus passos.

Arabella decidira que clonar-se a si mesma não era uma boa idéia. Não era duas. Precisava andar conforme as duas pernas que possuía e trabalhar de acordo com o valor unitário que realmente o era. De tanto querer fazer, correr  atrás e desdobrar-se, terminava por não fazer nada bem feito. Metia os pés pelas mãos. Sempre na mais pura intenção de servir, fazer, ajudar.

-Não dá mais. Vou limitar-me aos meus limites.

Era preciso valorizar a qualidade de vida. Muitas vezes desdobrar-se em vários empregos não significava viver melhor.

-Se tenho que viver com apenas um salário é com ele que viverei. Não posso ficar me violentando e desperdiçando energia com o que não vale a pena.

Há muito que Arabella tinha em mente projetos vários e nunca se sentar para formatá-los e pensar nos tais.

Da melancolia, do dia, faria mais. Reagiria...

Estava em sua mesa de trabalho, olhando para a tela do computador, pensando, matutando.

O problema é que ella, impaciente consigo mesma não se permitia parar, limpar a mente e respirar apenas. O peito apertava por sua insatisfação. Vivia se cobrando, não sabia aproveitar e desfrutar. Tinha que estar sempre ralando, trabalhando, malhando. Precisava a prender a ser só dela. O trabalho é bom e dignifica, certo? Certíssimo, mas, não é tudo e contamina. Arabella não sabia ser feliz se não estava feliz no trabalho. Transformava seus tempos livres em pensar em mais trabalho e procura mais caminhos. Contava sempre com sua força de trabalho, não contava com o fato de que, um dia, ela (força de trabalho) poderia definhar. Precisava se renovar, não de trabalho, mas de calma, tempo e satisfação consigo mesma. Ser feliz com o simples, com o ser igual a todo mundo, o ordinário, o medíocre (muitas vezes) e até o nulo. Estar quieta num canto, sem movimentar energia, sem propagar moléculas poderia ser uma solução para aquietar sua alma e lhe abrir horizontes para uma felicidade que nunca conhecera...

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 18h31
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Para debaixo do tapete



Todo mundo tem seu preço. Não é possível que não exista nada no mundo que não seduza uma determinada pessoa em determinadas circunstâncias. Arabella ainda remoia a história mal digerida de sua não ida para ‘a’ oportunidade que a ofereceram.

Aprendera sempre que as coisas são como têm que ser e que não dá para lutar o tempo todo contra as decisões do universo sobre nossos destinos. Aprendera, vírgula, aceitara, resignara-se, daí a aprender, introspectar e adotar como verdade... aí, vai uma longa distancia.

Arabella procurara respirar fundo e afastar os pensamentos. Eles, para ela, atrasavam seu andamento, atrapalhavam seus pensamentos e emperravam suas aspirações. Sabia que, a partir do momento que estava remediado, tinha mesmo que olhar para frente.

Por várias vezes balançara a cabeça numa tentativa de espantar os pensamentos. Fazia isso e imaginava uma grande vassoura varrendo seus pensamentos para debaixo do tapete. Os via como poeira sendo pulverizada. Mas, infelizmente, se eram soprados para os lados, abaixavam no solo como poeira e ali ficavam. Se eram jogados para debaixo do tapete, ali ficavam, incomodando, como sujeira que sabemos que existe e que teremos que limpar um dia. Não dá para deixar acumular.

Tinha que enfrentar uma prova. Não queria, resolvera que não iria, que se esconderia em seu casulo e se voltaria para dentro de sua alma. Ali, ficaria quieta, imóvel, muda, surda, cega...

Pronto, é isso mesmo! Ficarei em meu mundo. Disse.

Disse, mas, não foi muito longe nesses seu planos de ermitã. Não mesmo, porque quando se quer fugir do mundo, afastar-se das pessoas, o mundo puxa, suga, atrai para salvar da solidão voluntária aqueles que nasceram para a companhia do mundo e a alegria da vida.

-         Mãe, você não vai fazer sua prova? Perguntou o filho mais novo de Arabella.

-         Não, filho, não vou. Não estudei, não estou a fim, não estou bem?

-         Como não? Você sabe tanta coisa. Não pode deixar de ir. Tenho certeza de que fará bonito. Vai mãe. Você já perdeu a oportunidade da campanha, não perca mais essa, disse.

-         Olha, vai ver que tem um monte de gente fazendo esse concurso, pessoas que sabem menos que você, reforçou o coro o filho mais velho.

-         Mas, não tenho com quem deixa vocês. Retrucou.

-         Mãe, você tem quase três horas para conseguir alguém para ficar com a gente.

Arabella, quase convencida, ligou para o único irmão que lhe serve e lhe ajuda numa hora dessas. Pediu (não gostava de pedir, mas agiu sob os apelos dos filhos). O irmão concordou prontamente. Disse que passaria na casa dela para pegar os pimpolhos e os levaria para a casa da avó (mãe de Arabella).

- Resolvido, filhos. O tio de vocês vem aí pegar vocês. –

- Viu? Eu sabia que você conseguiria. Disseram em coro.

Arabella foi fazer a prova. Naquele dia, sentiu nos seus filhos a maturidade que ela não estava tendo para enfrentar a vida sem precisar se encolher num casulo e se fechar num mundo de amargura...

///~..~\\\

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Escrito por Arabella às 19h30
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