BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



O Feitiço de Áquila - Parte II - O dia...



Entregou-se, pois, ao dia.  Os raios de sol invadindo seu quarto, naquele dia frio, eram mais do que uma benção eram um balsamo para a alma de Arabella. Adorava, pois, também, o dia. Tanto que dormia com as cortinas abertas para que pudesse perceber o exato momento em que se depararia com o nascer do dia. Tinha sensores em suas células que lhe avisavam o momento exato em que o sol despontava no horizonte. Nesse instante, abria os olhos, dava um leve sorriso, brindava o dia com seu deleite e abraçava seus travesseiros com pensamentos que lhe faria o dia ser melhor.

 

Adorava o cheiro dos seus lençóis. Traziam o aroma da noite, de seus sonhos, de seus pensamentos revolvidos e de seus momentos no silêncio de seus sentimentos. Aninhou-se um pouco mais debaixo das cobertas. O frio que fazia naquela época do ano na sua cidade era cruel. Mas, adorava as baixas temperaturas assim mesmo. Sentia-se, por incrível que pareça, mais animada para produzir, fazer, acontecer. Adorava o frio!

 

Usou o efeito soneca do seu celular e deliciou-se com os dez minutos que lhe cabiam naquele momento. Dormiu novamente e sonhou profundamente. Incrível como aqueles dez minutos tinham um efeito restaurador.

 

Pulou da cama. O dia começava. Adorava aquele momento. Corria para o chuveiro. Água bem quente, fumaça no ar, calor, sensação de prazer com o banho que lhe renovava as energias. Arabella adorava ficar debaixo do chuveiro curtindo a água. Sempre que tinha tempo, usava e abusava desses momentos. Sentia como se estivesse renovando suas células e lavando, enxaguando sua alma. Ficou ali por alguns minutos, imóvel, apenas curtindo o momento.

 

No fim do banho, como era de praxe, desligava toda a corrente elétrica da ducha e se dava de presente um jorro de água gelada. Não importava a temperatura externa, tinha que ter esse banho gelado.  Ajudava a sacudir a poeira do marasmo que ainda insistia em permanecer nos seus poros e se preparava para a jornada de vida que teria pela frente.

 

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Escrito por Arabella às 18h26
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O Feitiço de Áquila



Acordou na mesma posição em que adormecera. O sono fora tão profundo que chegara a ‘babar’ na fronha. Sabe aquela situação em que se acorda meio sem saber quem somos, onde estamos, por que somos? Limpou a saliva que escorria pelo canto da boca.

Se me vissem acordando nesse estado, qualquer pessoa, na hora, me desertaria de sua vida. Caramba, estou realmente em estado deplorável. Espreguiçou-se.

Arabella era da noite, mas adorava o dia. Por vezes conjecturou qual dos dois a encanta mais. Começou a viajar em seus pensamentos recém nascidos em sua mente recém acordada.

Percebeu que o dia a trazia para a realidade e a afastava de seus sonhos mais profundos e queridos, de seus planos elaborados, pensados e repensados para viver e reviver grnades amores. Era na noite que Arabella se recolhia em seu ser para se redescobrir romântica, apaixonada e vulnerável. Era nesses momentos de introspecção que ella, a bella, se premitia ser o que disfarçava durante as horas do dia. O que dissimulava em suas palavras, idéias e pensamentos públicos e discutidos com o mundo que tentava compreender, enfrentar e domar. Arabella amava a noite. Era notívaga. Se sentia prima, irmã, cúmplice da noite. Adorava o silêncio da rua, a calmaria das pessoas. Nas outras casas e apartamentos, todos recolhidos, deitados, sonhando com suas próprias sinas e desejando seus próprios sonhos e ella, ali, acordada, repassando seus desejos, deitada em sua cama, sozinha, mas acompanhada de suas vontades, seus planos para ser feliz, suas histórias...

Arabella era assim mesmo, companheira dos momentos dela mesma, no vazio do quarto, no breu da noite...

Á medida que a noite avançava, acalmava seu ser, seu corpo, suas idéias. A alma abrandava e ela, aos poucos se entregava ao dia que estava sempre por vir, num falhava nunca. Gostava disso no ciclo da vida. Imaginava o dia em que o dia não mais viria. Sofria, não queria pensar nisso.

Pulou da cama. Esticou-se, alongou-se. Alongou a própria alma. Estava pronta para mais um dia...

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Escrito por Arabella às 19h35
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Em busca de um pouco da Paz...



Caiu na cama como um pedaço de matéria inanimada. Não tinha a mínima noção de quem era tamanho era o seu cansaço. Arabella ultrapassara os limites de sua resistência e agora seu corpo pagava pela sua inconseqüência.

Inconseqüência? Descordou de sua própria consciência.

Não estou sendo inconseqüente. Estou simplesmente tentando sobreviver com alguma dignidade. Tentando dar conta do básico em minha vida que é ‘dar conta’ de minhas próprias despesas. Ora, bem que eu ficaria em casa descansando se não precisasse tanto pagar minhas contas. Justificou-se.

Arabella era assim mesmo, não se permitia a vulnerabilidade, nem mesmo quando se tratava de seu lado financeiro. Tinha que ser forte também nisso. Aliás, em tudo. Não se permitia fraquejar.

Caiu, portanto, na cama. Não sentia mais o corpo. Estava anestesiada de cansaço.

Fechou os olhos e sentiu um leve formigamento na ponta dos dedos. Nas costas, uma queimação que se espalhava pelos seus ombros e se propagava até a metade das costas. Doía tudo.

Queria desesperadamente relaxar. Como fazer? O que fazer? Cadê aquelas mãos maravilhosas de Alexandre, o toque, o cheiro, o carinho, a presença? Desejava ardentemente uma massagem

Arabella vivia a eterna desventura de sentir saudade de tudo o que não tivera ou não quisera cultivar. Estava só, sempre. Pagava o preço da solidão voluntária. Estava, agora, desejando terrivelmente ser outra pessoa, agir de outra forma, cultivar seus sentimentos, aduba-los e dividi-los.

Até cuidava, adubava, mas, muitas vezes, não os dividia. Não sabia o significado da palavra repartir. Era uma ermitã de seus lamentos. Sofria, sofria e sofria, mas, não sabia ser diferente.

Rezava e pedia aos deuses que a fizessem ser diferente. Que a mostrassem o real valor da cumplicidade, da convivência, da multiplicidade. Não se aventurava mais tanto (nem fundo) em relacionamentos. Fugia feito um bicho assustado. Não sabia lidar com seus sentimentos e na dúvida, não ultrapassava. Queria, desesperadamente, aprender a se entregar. Queria viver o primeiro ano do resto de suas vidas em paz...

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Escrito por Arabella às 16h54
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Nada é para já...



Não perdia a mania de acreditar na vida. Em meio ao cansaço que tomou conta do seu corpo e à exaustão que paralisou seus pensamentos, encontrou forças para sentir-se bem por estar viva e por poder seguir em frente e dar conta de tudo aquilo que seu destino lhe propunha diariamente.Arabella era assim, uma crente na vida inveterada.

Jogou-se na cama. Acabara de chegar de uma maratona de quase doze horas de trabalho ininterrupto. Seu corpo doía do fio de cabelo – se é que cabelo dói – até a ponta do pé. Sentia que seus ossos tinham sido esmagados por uma daquelas máquinas de prensamento de ferro velho. Estivera de pé durante todo o trabalho, tivera que se movimentar de um lado para outro em busca de informações e mais uma vez envolvera-se no ofício e esquecera-se de quem era e das limitações corporais de um organismo de (já)  mais de 35 anos que, claro, não estava mais jovem como há uma década.

Arabella era do tipo entusiasta com trabalho. Dizia sempre:

Quando aceito um trabalho, por mais cansativo e até pouco interessante que seja, sempre acabo me envolvendo. E é envolvimento do grande. Não me conformo em apenas abraçar, termino beijando na boca e num beijo daqueles de língua. Ou seja: envolvimento em alto grau! Ria de sua metáfora.

Era isso mesmo.

O trabalho do fim-de-semana virara para Arabella mais uma experiência de vida. Conhecera pessoas novas, reencontrara antigas e vivera um momento que jamais viveria se não fosse a trabalho. No fundo, gostava disso em sua vida, em seu trabalho. Era uma profissão que permitia a ela vivenciar momentos, lugares e pessoas que não teria jamais a oportunidade se estivesse presa a um escritório em funções burocráticas.

-Ganho pouco, mas me divirto e vivo! Dizia.

Era isso mesmo. O trabalho do fim-de-semana resumia-se em acompanhar um show de rock pesado, pauleira, hardcore. Ela, nem mesmo em sua época de porraloquice (na juventude) tinha enfrentado tal cenário. Agora, aos 36 anos, aceitara o desafio e lançara-se em mais esse momento de sua vida.

Aproveitara a oportunidade para observar e percebera que há muito mais entre o mundo dos jovens e o dos pais. Arabella se preparava para o momento em que terá que enfrentar aquela realidade com seus filhos. O trabalho se transformara, mais uma vez, numa experiência sociológica.

Assustara-se, sim, com o cenário, com a postura e a idade do público pagante.

Crianças num lugar daqueles! Indignava-se.

Crianças, sim, porque com doze anos, por mais que alguns psicólogos insistam na teoria da pré-adolescência, para Arabella, criança é criança e doze anos ainda é criança!

Lamentara pelo mundo cruel que abraça os filhos e apresenta uma realidade torta e aberta de mays caminhos para desvirtuar nossos projetos mais preciosos que são aqueles que colocamos no mundo e que, sempre  (qualquer pai ou mãe que disser que não estará mentindo) queremos que sejam os melhore, mais dignos e corretos.

Mas, como nada é para já, - como diria o compositor popular -, Arabella não se avexou e, no final, estava integrada ao meio e descobrindo que foi bom estar ali, naquele momento. Tinha que ser e foi. Aprendeu e guardou mais essa experiência para compartilhar em sua vida, principalmente com seus filhos, aqueles dois seres maravilhosos que ela procurava orientar e fazer o melhor de si para que pudesse produzir e oferecer para o planeta seres melhores e mais conscientes.

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Escrito por Arabella às 19h20
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