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Arabella Bella Trabalho... trabalho... trabalho.... Tinha que sair, não lhe restava muito tempo ali. Tinha que trocar de roupa, sacudir a poeira e ir trabalhar. Arabella já estava cansada, profundamente cansada, de ter que enfrentar essa rotina todos os dias. Não, ela não reclamava. Trabalhar era com ela mesma, mas, estava cansada de não poder parar um segundo sequer. Queria o tempo livre para fazer nada. Era sempre a mesma correria. Dessa vez, em especial, estava profundamente exausta. Era um fim-de-semana que teria inteiro para ela. Para curtir-se a si mesma e fazer simplesmente o que lhe desse na telha. Não deu. Mais uma vez não deu! Uma ligação, na sexta-feira, e um convite para um trabalho extra no sábado e no domingo. Como recusar? Estava precisando de grana, não dava para se dar ao luxo e, novamente, mais uma vez, de novo, estava ela, em pleno sábado de descanso, se preparando para enfrentar mais de 8 horas de trabalho. Definitivamente, não era isso que eu queria agora, pensou. Arabella queria poder ir a um cinema, descansar. Tinha sempre que ajustar seu lazer aos cantos do dia. Se precisava ir a um médico, tinha que ser no início da manhã, da tarde ou no fim do dia. Shit! Gritou alto para liberar sua raiva. Um dia normal com começo, meio e fim, esqueça. Era normal demais para essa mulher que se acostumara a se autodesignar de “gente que rala”. Damned! Gritou novamente. Não entendia por que tinha sempre que estar nessa linha de “eu dou conta”. Por que? Por que? Perguntou-se. Por que você criou esse estereotipo de mulher forte e agora tem que dar conta. Anda, pára de pensar e refletir que raladora que se preze num tem tempo para se dar ao luxo de conjecturar. Vai, trabalha e não pensa, por que assim que tem que ser, assim é que é. Tentava conformar-se. Resignou-se, trocou sua roupa, pegou a bolsa, trancou a porta da casa e saiu. Dirigiu-se ao trabalho. Entregou-se novamente à rotina como se fora mais um dia de semana e esqueceu da própria condição do sábado. Procurou não pensar para não sofrer e atirou-se em seus afazeres. Tinha mesmo que ser assim, assim o era. Pensou que pensar, naquele momento só aumentaria mais a sua angústia e lembrou-se de uma das verdades que aprendera na vida: quanto mais ignorantes, mais felizes, menos conhecemos a extensão dos nossos sofrimentos e menos sofremos pelo que não temos. Quanto mais se conhece, mais noção se tem e, portanto, mais se sofre. Era um ciclo vicioso. ///~..~\\\ Escrito por Arabella às 16h25 [ ] [ envie esta mensagem ] No balanço de seus passos... Sentimentos... Silêncio... Quebrou o silêncio de sua alma com os ruídos de seus sentimentos. Eles não deixavam-na mesmo em paz. Arabella era uma inquieta. Sofria... Aliás, a palavra sofrimento era uma constante nos pensamentos dela. Arabella vivia a angústia de não conseguir libertar-se de seus lamentos. Era feliz? Sim, era. Mas a que preço? Ao custo de quem diverte-se com o frescor dos momentos. Por isso, muitas vezes ria de si mesma, de sua inconstância e se declarava meio zumbi do coração. Seu problema, talvez, era amar demais e, amando demais, se fragmentava em várias histórias e se dava para vários ao mesmo tempo. Mas, isso, é ser fútil, frívola e vadia, condenava-se. Não era. Não era exatamente isso que acontecia com Arabella. Não era má, não fazia por maldade. Era mais alguém de bom coração que estava ansiosa pelo momento certo, no lugar certo com a pessoa certa. Como em um roteiro inacabado, buscava pela cena final onde os dois se encontram, a câmera em zoom out revela a beleza do momento, congela o instante e fade. Viveram felizes para sempre... Bobagem, repetia a si mesma. Bobagem pura. O ‘felizes para sempre’não existe. Existe o ‘felizes a cada sempre’, pregava. Era assim que seguia em frente e se entregava às suas paixões. Entre o disse-que-me-disse de sua alma e seu coração, Arabella tinha o amor para mediar seus passos. Subitamente, lembrou-se de Alexandre. Deixara-no no passado. Quieto, feliz e ao lado de esposa e filhos. Assim tinha que ser, assim foi. Alexandre fora uma grande paixão e Arabella sabia disso. Mas, sabia também que não seria ela a pessoa certa para ele. Arabella não se sentia a pessoa certa para ninguém, sentia (sim) que talvez viesse a viver nesse planeta a pessoa certa para ela. Mas, haveriam de cruzar seus destinos? Certamente que sim. Queria apenas perceber o olhar no momento aos dois destinado. Vivia, assim, dona de seus sonhos e pensamentos, mas perdida em seus sentimentos. Era uma ansiosa por natureza. Talvez, os destinos já tivessem até se cruzado e ela, distraída como sempre para as questões do coração, errara de novo no tempo, espaço e momento... O silêncio, portanto o acompanhava, invadia seu ser e alimentava sua solidão. Um mar que calava seus lamentos e inundava seus passos como poças que se formam no caminho de quem está no meio de um dilúvio, mas, insiste em não querer se molhar, molhar suas pegadas. Termina, assim, por andar a saltar pé ante pé e se equilibrar em suas histórias... ///~..~\\\ Escrito por Arabella às 00h34 [ ] [ envie esta mensagem ] Na Calada do Seu Ser O silencio foi invadindo a vida de Arabella. De repente, de tanto pregar a distância e a solidão, ela se viu envolvida em um mar de silêncio. Uma ausência, um vazio, que foi aos poucos invadindo os espaços, as brechas e os cantos de sua vida. Já não encontrava, já não falava, já não procurava ou era procurada. Não podia esperar mais das pessoas. Sabia que plantara aquelas situações. Sabia que era culpada por tudo e por todos. Arabella, agora, sozinha, em seu escritório, em sua casa, refletia sobre seus atos, se analisava, julgava e condenava. Sabia que estava fadada a seguir sozinha. Conseguira afastar o ser amado. Conseguira calar suas palavras e emudecer seus atos. Tudo era agora ausência. Uma falta tamanha que a envolvia como um manto que não tem mais fim... Como um ‘pranto’que não tem mais fim. Arabella sempre tivera tanta coisa para contar, sempre tivera por princípio conversar, falar, se comunicar, mas, de repente, seu ser calou-se. Sua alma invadiu-se do vácuo infinito e já não conseguia mais nem ao menos derramar seus sentimentos, nem sangrar suas vontades. Angústias tinha por demais. Tantas, que venceram-na e calaram-na. Tinha perdido a voz. Não a voz mecânica, que se usa diariamente para fazer alarde, mas a voz de sua alma. Falava agora tão baixo que não ousava ouvir os sons do próprio ser. Não se aventurava em prestar atenção em suas próprias vontades. Estava vencida pela noite dos que não falam, não dizem, não querem fazer-se ouvir. Mas, como? Como chegara àquele ponto de distanciamento do ser amado? Não entendia por que os fatos e acontecimentos chegaram àquele estágio. Não compreendia, mas, no fundo, sabia que era culpada. A culpa, sempre a culpa. Começou a se avaliar. Num canto, encolhida, no chão, como era de costume ficar e agir. Lá fora, apenas o som dos carros, dentro, nem a respiração de Arabella ousava incomodar o vazio do seu silêncio. Somente seus pensamentos a perturbavam. Via e revia as cenas com o ser amado e percebia, pouco a pouco, como conseguira calar a história dos dois, do milhares... Foram quilômetros e mais quilômetros de palavras jogadas ao vento, na estrada. Foram suas palavras que a fizeram calar-se e que calaram o outro. Falara sempre de sua liberdade, seu jeito errante, seus planos solitários. Falara tanto que convencera ao outro e a si mesma de que esse era seu caminho. Agora, ali, jogada no canto do seu quarto, calara-se. Não ousava pronunciar uma palavra sequer de redenção. Julgara-se e convencera-se: era culpada. Sua sentença? A solidão nua, crua... O silêncio implacável, infinito, denso, perpétuo... ///~..~\\\ Escrito por Arabella às 00h41 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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