BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
MSN - bianadf@hotmail.com

 

   

    UOL
  UOL SITES
  Adoro Fazer Amigos
  Afrodite
  Anink Marink
  Asterix
  A tonga
  O Avesso da Palavra
  Chance
  Devaneios de Amor
  dia de Crises
  Dilemas de Uma Rosa
  Ecos da Mente
  Fel
  Felicity Craft
  Hgasolim
  Do outro Lado das Teclas
  Magra Emergente
  Menage à Trois
  Morcego no Ar
  Mundo Cruel
  No one Knows
  Pequenos Instantes
  Pequi Up
  Quase memória
  simplesmente Lolli
  solidariedade
  trakineiros
  Lili Carabina
  Metaphoras
  Letras ao Acaso
  Embaixatriz do Brasil
  Sapatinhos Vermelhos
  Janelas Abertas
  Quase Terminado
  kikah


 

    28/05/2006 a 03/06/2006
  19/03/2006 a 25/03/2006
  12/03/2006 a 18/03/2006
  24/04/2005 a 30/04/2005
  16/01/2005 a 22/01/2005
  21/11/2004 a 27/11/2004
  24/10/2004 a 30/10/2004
  10/10/2004 a 16/10/2004
  26/09/2004 a 02/10/2004
  19/09/2004 a 25/09/2004
  12/09/2004 a 18/09/2004
  05/09/2004 a 11/09/2004
  29/08/2004 a 04/09/2004
  22/08/2004 a 28/08/2004
  15/08/2004 a 21/08/2004
  08/08/2004 a 14/08/2004
  01/08/2004 a 07/08/2004
  25/07/2004 a 31/07/2004
  18/07/2004 a 24/07/2004
  11/07/2004 a 17/07/2004
  04/07/2004 a 10/07/2004
  27/06/2004 a 03/07/2004
  20/06/2004 a 26/06/2004
  13/06/2004 a 19/06/2004
  06/06/2004 a 12/06/2004
  30/05/2004 a 05/06/2004
  23/05/2004 a 29/05/2004
  16/05/2004 a 22/05/2004
  09/05/2004 a 15/05/2004
  02/05/2004 a 08/05/2004
  25/04/2004 a 01/05/2004
  18/04/2004 a 24/04/2004
  11/04/2004 a 17/04/2004
  04/04/2004 a 10/04/2004
  28/03/2004 a 03/04/2004
  21/03/2004 a 27/03/2004
  14/03/2004 a 20/03/2004
  07/03/2004 a 13/03/2004
  29/02/2004 a 06/03/2004
  22/02/2004 a 28/02/2004
  15/02/2004 a 21/02/2004
  08/02/2004 a 14/02/2004


 

   

   


 
 
Arabella Bella



Pelas Estradas... A sua Vida



Como deveria acontecer nos momentos finais, imaginou o que sempre ouvira falar: qua na última hora, todos assistem ao filme de suas vidas... Se tivesse que ver a vida como um filme, certamente escolheria as estradas como tema ou linha condutora desse longa-metragem. Sim, porque seria um longa. Um filme onde o personagem principal se desloca por longas e intermináveis estradas. Não seria muito no estilo free way, seria mais para aquelas estradinhas estreitas, cheias de curvas, onde deve-se andar com calma e parcimônia. Com cuidado para não sair da pista. Sempre freando frente aos enormes buracos que se formaram ao longo do caminho. Algum tipo de provações que tem que se passar por elas com cuidado para não se ferir. Já deu para perceber que seria uma dessas estradas brasileiras. Infelizmente sem muita manutenção, mas que se percorre todos os anos à procura de momentos de calmaria em estágios de férias. Claro que a viagem é longa e que, pelas estradas da vida, errante como sempre se denominou, Arabella encontraria também as free ways. Nos momentos de latência. Seriam os instantes em que estaria dentro do carro, conversível, com todos os vidros abaixados e sentindo o vento em seu rosto... Sensação gostosa aquela. Claro que a cena seria perfeita: o vento agradável em seu rosto, cabelos esvoaçantes, dia claro, céu azul, temperatura 23 graus, árvores, som ligado, música ambiente também agradável. Um tipo de rock progressivo. A sensação é de bem estar completo. Estrada livre, condizente com o nome free way. Em outros momentos, dirigia em estradas mal sinalizadas. Não conseguia saber o que viria à frente. Rodovias sem movimento, com poucos carros e a ermo. Ela sentia medo nesses momentos e subia os vidros do carro, fechava a capota e ligava o som bem alto. Em sua vida, eram momentos em que não queria ouvir nem a própria voz. Quereria se confundir com os outros e se transferir para outras histórias. Nesses momentos, não agüentava a sua própria. Outras vezes, parava seu carro. Estacionava à beira do caminho e ficava ali a esperar. Esperava que as coisas acontecessem. Ficava inerte e observava os carros passando em alta velocidade e sentia o impacto do deslocamento de vento quando passavam por ela. Ficava ali, por horas a fio. Arabella era assim. Uma vida inteira pelas estradas da vida. Era a própria leitura do errante. Pousava de vez em quando em endereços outros. Em hotéis à beira da estrada. Ficava, dormia, se alimentava e seguia... Num parava nunca! ///~..~\\\

Escrito por Arabella às 20h51
[   ] [ envie esta mensagem ]




Arabella sem Arabella



Acordou no meio da noite. Perdera o sono. Arabella foi até o quarto dos seus dois filhos e passou bons longos momentos ali, de pé, parada, observando e velando o sono dos dois filhotes. Fazia isso de vez em quando. Tinha um pouco a ver ‘com a vida dela sem ela’. Ficava imaginando que um dia, se acontecesse da vida dela acontecer sem ela, seria exatamente assim que viria para acompanhar os dias de suas crias. Ali: de pé.

Sentia-se como se estivesse assistindo a um filme. Não lamentava muitas coisas em sua vida, lamentaria, apenas, se um dia perdesse essa oportunidade de estar ao lado de seus filhos. O coração ficava apertado só de pensar. Sentiu uma dor no peito e uma vontade de chorar. Não chorou. Não cabia naquele momento. Seus filhos estavam ali e ela também. Todo mundo bem e com energia para enfrentar dias e mais dias, anos e mais anos de vida. Afastou os pensamentos tristes e agradeceu por tudo o que tinha.

Pensou... Refletiu.

Sou feliz com o que sou hoje... Sou exatamente o que queria ser. O que sonhava ser? Não, claro que não. Claro que se me dessem a opção, eu teria escrito na minha requisição que queria estar hoje, aos 36 anos, muito mais rica - financeiramente falando, porque de saúde, família, amigos, amores (embora conturbados) estava absolutamente bem.

Arabella não era religiosa. Não tinha essa de sair agradecendo e louvando por aí. Acreditava em Deus, Jesus, forças maiores e pessoas iluminadas e rezava para todos os eles. Uma reza tranqüila. Mais um bate-papo do que uma reza, para falar a verdade.

Tenho esse sentimento de intimidade com o pessoal lá de cima, dizia.

Tinha mesmo. Quando ia a uma igreja, escolhia os momentos em que o local estivesse vazio, propício para a reflexão. Ali ficava por horas... Pensando, refletindo. Era uma espécie de terapia que se proporcionava em alguns momentos.

Era ali que refletia e imaginava sua vida ‘com ela’ e ‘sem ela’ e os passos nas duas situações. Quase sempre concluía que era possível sim sua vida sem ela, mas, com certeza seria bem mais complicado. Doía pensar em seus filhos substituindo a sua presença, ou comentando um com o outro se um se lembrava de alguma passagem com a mãe, ou quais as passagens e as qualidades que eles mais gostavam na mãe. Chorava. Invariavelmente chorava quando se ocupava desses pensamentos.

Por isso, escrevia. Escrevia sempre para seus filhos. Queria deixar para eles uma espécie de dossiê sobre ela e a vida deles com ela. Era uma forma de perpetuar-se na vida dos dois.

///~..~\\\

 



Escrito por Arabella às 16h18
[   ] [ envie esta mensagem ]




Latência amorosa



Não encontrou o antigo amor na rede online de amigos. Talvez, ele não fosse mesmo adepto a esse tipo de serviço.

Era mesmo meio avesso às tecnologias, lembrava-se.

A verdade era que Arabella estava quase que desistindo de um dia olhar de novo para o velho e bom amor de sua adolescência. Já tinha meio que cristalizado a história dos dois e esperava pelo reencontro em outra oportunidade, em outra vida ou em outro planeta quem sabe. Ria-se dessas suas idéias malucas, mas, no fundo acreditava nelas.

Arabella só não se conformava com a tal da paixão mal resolvida e vivia o vazio de não conseguir preencher seu coração plenamente. Sabia que, lá, havia um vácuo, pela ausência do primeiro grande amor. Uma obsessão, mais propriamente dita. Mas, olha, isso num atrapalhava suas tentativas. Arabella sempre se recusara fechar-se para o amor. Embora, novamente, naquele momento, estivesse vivendo uma fase de latência completa.

Decidira ir ao cinema. Queria assistir a um filme que esperara por longa data e quando tivera uma brecha na sua agenda de filhos e trabalho, decidira dar a si mesma esses momentos de encantamento com a sétima arte.

Não era um filme fácil. Estava em casa quando decidira ir ao cinema. Pensara trilhões de vezes se iria ou não. Ás vezes acontecia isso. Adorava sair, adorava “errar” sozinha, mas, sentia-se algumas vezes um pouco presa numa inércia que a impedia de avançar. Pensou, repensou e pensou novamente se ia... Se não ia... Até que cogitou a possibilidade de ligar para alguém. Lembrou-se das amigas...

Não, elas estão todas já com o dia agendado. Não, não as incomodo. Pensou.

Essa era outra característica de Arabella. ‘Odiava incomodar’. Quer vê-la contrariada, faça-a sentir que está incomodando, que épersona non grata, ou, que avançou o sinal. Ficava péssima com isso. Punia-se por incorrer nesse erro.

Bem, descartadas as amigas, pensou nos amigos e potenciais amores. Novamente recuou. Não agüentava mais aquele jogo de sedução que envolvia as mãos que se tocam fortuitamente na cadeira da sala de exibição. Aquela obrigação de se tocar, trocarem olhares e beijinhos.

Não. Estava definitivamente virando uma rabugenta, pensou. Uma rabugenta sem espaço para os jogos de sedução.

Mas, não era isso. Não era mesmo. Adorava os jogos de sedução. Adorava seduzir e sentir-se seduzida. Só

estava cansada de amoresinhos. Queria descobrir a pessoa certa. Estava, mesmo cansada de “errar’. Queria, agora, acertar, mais do que nunca.

Decidiu: foi sozinha ao cinema. Foi assistir a um filme Canadense com co-produção espanhola. Falava, o filme, de uma jovem que descobre que tem pouco tempo de vida e que começa a conjecturar como será sua vida sem ela.

O filme prendeu a atenção de Arabella que, pasmem, coincidência ou não, calhou com o momento dela. Ultimamente andava pensando muito na morte. Porque? Não sabe. Não tem vontade nenhuma de morrer. Tampouco teme a tal. Apenas cogitava como seria a vida dela sem ela... Tal qual a atriz do filme.

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 18h28
[   ] [ envie esta mensagem ]





[ ver mensagens anteriores ]