BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



A dor e a Delícia dos Tempos Modernos



Arabella sofria da paranóia desses tempos modernos. Vivia a agonia de todo ser paranóico nesse início de milênio. Estava 24 horas online, num desligava nunca. Era o celular ligado, sempre, e quer ver a moça transtornada era quando ligavam para ela e ela ou não podia atender, ou não via quem era, ou ia atender e caía a linha, ou, pior, o telefone que ficava gravado no bina era de um PABX, onde ficava quase impossível localizar a fonte.

Arabella sofria dessa síndrome. Declarava-se uma viciada nessas maquinetas modernas. Desde que comprara o primeiro celular, nunca mais o largara e, mais, nunca mudara de operadora para não ter que mudar o número. Pensava que, se alguém a quem dera o número do celular há muito tempo, a procurasse e o número tivesse sido trocado não se perdoaria por não ter sido encontrada. Embora que, sabia (é certo) que, quando a gente quer encontrar alguém, a gente move montanhas.

Mais, ou menos! Discordava ela da narrativa.

Há anos tento encontrar o Alex e ainda não consegui nem pistas sobre o paradeiro dele, muito menos se ele está ainda vivo. Reclamava...

Mesmo assim, ela seguia há mais de dez anos com o mesmo número de celular.

Separara-se do marido e uma das coisas que fez questão de ficar foi com o número de celular, pode?

Era também, no meio dessas divagações, que ela dava uma de advogada do diabo e dizia para si mesma: que poderia ser localizada por quem quer que a conhecesse nos últimos dez anos. Nunca deixara de dar seu número de telefone (de casa) e celular – o telefone também era o mesmo. Mesmo com a separação, não se desfizera dele.

Mesmo assim, com toda essa preocupação, perdera o contato com muita gente boa que ficou pelo meios de sua estrada da vida. Lamentava profundamente.

A última da bella “errante” fora entrar numa rede de amizade pela web. Ouvira falar que a tal rede auxiliava as pessoas a encontrar amigos distantes e do passado. Presenciara diálogos no trabalho sobre amigos de infância que tinham sido localizados pelos seus colegas de trabalho.

Será que dessa vez, encontro o Alex para passar a limpo nossa história? Se perguntava incansavelmente.

Na verdade, o que a fazia tão ligada ao moço era a sensação de “paixão mal resolvida”...  Cantava a música e fazia dela seu lema:

“Não quero ficar na sua vida

Como uma paixão mal resolvida...”

Assim era o Alex para Arabella. Ela sabia que também já tinha desaparecido da vida de muita gente, mas mantinha-se fiel aos seus números de telefone para não perder o fio condutor que a ligava e ligava seus amigos ao seu passado. Alguns, é verdade, queria que a esquecesse para sempre. Desejava que sumissem de sua vida e a deixassem em paz.Principalmente aqueles que não se conformavam com o fim de suas histórias. Arabella adorava saber de seus amores, mas tinha alguns que, sinceramente, melhor nem comentar...

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Escrito por Arabella às 17h18
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O tempo não para...



Percorreu as ruas de sua cidade sem rumo. Aliás, como era de praxe fazer. Tinha horário, não podia se demorar muito. Teria que estar na escola de seus filhos para pega-los em meia hora e estava com aquela estranha sensação e vontade de poder e querer parar o tempo. Impossível, “o tempo não para”, lembrou-se das palavras do poeta de sua adolescência. Poeta revoltado e tradutor de suas idéias (delas também). Arabella queria só mesmo poder frear um pouco a velocidade com que as coisas aconteciam em sua vida. Eram pessoas que vinham, ficavam, iam, voltavam e, às vezes, desapareciam.

É justo que tenhamos essa movimentação toda em nossas vidas? Não é melhor primar pela qualidade do que pela quantidade? Se questionava, enquanto ouvia no CD player de seu carro o disco do cantor irlandês Sean Keane. Conhecera o trabalho dele há seis anos quando trabalhara em uma campanha eleitoral e conhecera um editor fã do tal Sean. Apaixonara-se pelo trabalho do irlandês e declarara-se fã de suas músicas. Qual o quê! Ela não sabia, mas estava mesmo era interessada no editor. Como a vida era de uma mulher casada e sem pretensões amorosas extraconjugais, canalizou todo o sentimento para o irlandês distante.

Era atípica música irlandesa que tocadva em seu carro. Estava precisando pensar. O vai-e-vem de pessoas assustara Arabella e agora, mais uma vez, ela se via na confusão de seus sentimentos.

Confusão? Não propriamente dita. Estava mesmo era cansada de ser essa pessoa errante que num se apega a ninguém.

Desde o dia em que ficara com Gabriella não tivera mais coragem de ligar para ela. Deixara a história em banho Maria. Fugira mesmo de seus sentimentos. Ficara confusa e não soubera interpretar seus desejos. Fugia.

Arabella tinha essa mania. Quando não sabia resolver um assunto, enfrentar um dilema de seus sentimentos, de seu coração, fazia e agia assim: ficava quieta e tinha a falsa sensação de que o fato de não pensar no assunto, não falar, não agir, colocava a coisa no status de resolvido. Não era bem assim. Ela sabia disso, todos sabiam disso. Mas, teimava e não conseguia se livrar desse mal hábito.

Deixara, inúmeras vezes relacionamentos morrerem pura e simplesmente pelo silêncio. Pela palavra não dita, pelo gesto não acontecido, pelo olhar não dado.

Agindo assim sofria e fazia os outros sofrerem. Era nas situações do amor e nos dilemas das relações pessoais que menos conseguia se livrar desse terrível equívoco de personalidade. Não ligara, portanto para Gabriella. Estava esperando que as coisas se resolvessem por elas mesmas. Sabia que não seria assim, sabia que teria que se pronunciar. Odiava o silêncio e a indiferença. Lembrava-se do quanto sofrera com a atitude de Antunes. Agora, repetia.

Na verdade, se voltava para o seu casulo pessoal e se via incapaz de agir em certas situações. Era a maldita mania de achar que dava conta sozinha da vida. Que assim seria mais fácil seguir em frente.

Olhou para o relógio, não podia mais divagar pelas ruas da cidade, não podia mais “errar” pelas estradas do coração. O tempo estava passando...

Escrito por Arabella às 17h59
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Pedaços de Mim...



Tinha algumas coisas que realmente impressionavam e intrigavam Arabella na natureza humana. Os tipos, os modelos, as reações, os ditos e os não ditos. Tudo aquilo que, para uma pessoa significa claramente algo, para outra, dependendo de sua história de vida, sua criação, seus conceitos, acontece de forma absolutamente diferente. Complicadas as relações humanas.

Sempre sob o juízo e a interpretação de outros, temos que seguir inexoravelmente nessa fantástica aventura de conviver, entender e realizar os nossos sentimentos por outros, com outros. Pensava.

Experimentara muitas desventuras nessa tentativa de acertar e fazer-se compreender. Principalmente, quando se tratava de família e relacionamentos amorosos. Arabella queria, sim, acertar, mas, invariavelmente, metia os pés pelas mãos. Tinha uma natureza solitária, que cultivava a solidão, o estar só, e, nessa linha, terminava por afastar as pessoas... Difícil entender alguém que sofre por estar só, mas não consegue se livrar dos momentos de solidão e dos dias a sós, consigo mesma.

E nessa aventura de relacionar-se consigo mesma, longe dos outros, caminhava e deixava pelo caminho pedaços dela mesma. Percebia em sua própria casa que cada canto, cada objeto trazia o momento e um pedaço da vida dela. Restos de sentimentos, composições de momentos, detalhes de relacionamentos. Por vezes cansara-se de colecionar. Vez por outra, decidia mexer nos remexidos, guardados ou expostos, e movimentar a energia que guardava dentro de casa, cravada em cantos do seu espaço doméstico.

Preciso fazer a energia movimentar... Preciso movimentar as coisas para que minha vida ande também.

Tinha um pouco esse lado místico de achar que as coisas, os objetos, roupas etc tinham que se movimentar, tinham que percorrer mundo assim como acontece com as pessoas também. Não dava mesmo para ficar parados, retendo energia. Acreditava que os livros tinham que circular, passar mesmo de mão em mão para disseminar suas palavras, seus ditos, suas idéias. Acreditava mesmo que todos têm o direito de acessar livros, lê-los e formar opiniões sobre conceitos, ser mais livres com suas idéias.

Só o fato de arejar as gavetas e os armários de sua casa já dava a Arabella a sensação de que estava fazendo as coisas acontecerem. Respirando ares renovados. Era assim com seus objetos, era assim também com a vida. A renovação faz parte e deveria ser lembrada e praticada freqüentemente.

Olhou os objetos deixados por outros em suas vidas. Relembrou os momentos década um. Desejou manter alguns consigo, desejou se livrar de outros. Fez uma limpa e lembrou-se ainda dos objetos que lhe foram tirados. Pensara em suas coisas na casa de outrem e se odiou por ter pedaços dela em lugares que desejava esquecer...

 

///~..~\\\

 

Li um belo texto sobre o amor entre a lua e o mar. Senti-me meio Lula (não pela pretensão de ter o mais belo amor do Mar por mim, mas, pela constatação de ser um ser solitário).

Aconselho sarem uma passadinha por lá e conferir esse belíssimo texto:

http://conversasdexaxa.blogs.sapo.pt

 



Escrito por Arabella às 15h28
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