BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



Agora, estão sendo ellas



Beijaram-se demoradamente. Sabiam o que se passava e, também, não tinham noção do que estavam experimentando. Arabella sentira o encanto de Gabriella sobre ella desde o momento em que cruzaram os olhares. Não entendeu muito bem o que se passava. Estava no seu transe sentimental, em sua latência emocional e não estava mesmo muito aberta para as divagações de seus desejos, mesmo aqueles mais escondidos, recônditos. Na hora em que se conheceram, sentiu o toque suave do olhar de Gabriella sobre sua existência, mas, não deu ouvidos. Estava surda para os apelos e lamentos de suas emoções. Sufocava qualquer possibilidade de aproximação física com quem quer que fosse, independente de cor, raça, sexo, credo ou nacionalidade.

Gabriella soubera perceber Arabella e, mais, respeitar os espaços, os momentos, os gestos...

Beijaram-se longamente. Arabella fechara os olhos e num suspiro entregara seus desejos na mão della, a outra. Foi Gabriella que, carinhosamente passou a mão pelos cabelos Arabella, desalinhando o que já não tinha mais sentido. Embaralhara de vez os desejos da bella e num gesto de firmeza trouxe-a para perto – mais perto – della. 

Sentiram o cheiro uma da outra, se embriagaram com suas fragrâncias e misturaram-nas num jogo de trocas e cumplicidade. Cada uma perdida nos toques da outra, se perdiam em desejos em vontades. Procuraram-se. O beijo longo foi, aos poucos sendo complementado – algumas vezes, substituído (até) - por carinhos brandos, sutis e reveladores.

Aos poucos, desgrudaram suas bocas e Gabriella, carinhosamente começou a desvendar, desnudar, a alma, a aura, o corpo da bella. Naquele momento, buscavam por suas feras. Escondidas entre tantas histórias, tantos desejos, tantas vontades e tantos lamentos. Eram iguais, eram clones de alma, eram gêmeas de olhares, suspiros e pontos estratégicos. Descobriam-se e reconheciam-se. Queriam-se, não negavam mais, não podiam mais esconder.

As mãos de Gabriella buscaram as coxas da bella, que estremeceu ao primeiro toque e apertou a mão da outra entre suas pernas, estava encharcada de desejos. Gabriella escorregara soube a outra. Soubera compreender o gesto, o sinal... Aos poucos, pelas linhas della, movera-se lentamente, desenhando com sua boca a figura do querer de cada uma no corpo desejado. Desceu, passou pelo umbigo, desceu... Encontrou uma Arabella quente, lavada de carinhos e suspiros. Gabriella beijou-a. Explorou cada canto do prazer da bella. Soube perceber suas vontades e satisfazer seus desejos. Percebeu a onda que se criava a cada beijo e carinho que fazia. Arabella entregara-se completamente, envolvera-se, rendera-se, naquele momento, à onda de paixão que invadira suas células. A porta, no início entreaberta, agora, fora escancarada de vez... Gabriella entrou.

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 11h19
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Agora, já são ellas



Quando chegaram à casa de Paula e Laura, já passava da meia noite. Tarde
para o relógio de 36 anos de Arabella e para um dia inteiro de trabalho nas horas
seguintes. Mesmo assim, ela apostou na noite.
As anfitriãs se apressaram a pegar uma garrafa de um bom vinho português e
servir em taças especiais para o momento, claro, também especial.
Amanhã, quero só ver como vou trabalhar. Riu Arabella.
Amanhã, será amanhã. Quer dizer, amanhã já é hoje. Certo? Disse Gabriella.
Todas riram. O teor alcoólico já estava avançado, mas, nada que
comprometesse o ambiente ou a memória, principalmente.
Puseram música. Ana Carolina...
"Eu só quero saber em que rua minha vida vai esbarrar na tua...".
Cantavam alto e dançavam...
A empatia entre Arabella e Gabriela aconteceu desde o primeiro momento e aumentava a cada segundo que passava. Dançaram e pularam enquanto as amigas foram para o quarto para se trocar. A euforia entre ellas durou algum tempo ainda até que caíram no sofá. Exaustas.

Nossa, estou destruída. Disse Arabella.

Você trabalhou hoje?

Ontem. Você quer dizer, porque hoje eu ainda vou trabalhar... Daqui a pouco.

Arabella mexeu a cabeça rodopiando para que pudesse estalar o pescoço. Era uma mania que tinha para aliviar a tensão na nuca.

Ta doendo?

Um pouco.

Vem cá. Vira aqui de costas. Te faço uma massagem.

Ah, massagem é covardia. Assim, me entrego de vez...

Mas, essa é a idéia. Gabriella falou com desfaçatez.

Arabella deu um longo suspiro e sentou-se com as costas viradas para Gabi que começou a massagear os ombros dela.

Ah... não resisto mesmo à massagem. Arabella deliciava-se com o toque das mãos de Gabriela em seu corpo. E aos poucos entregava-se. Gabriella fazia pressão em pontos tensos do corpo da nova amiga. Aos poucos, foi espalhando a massagem pelas costas de Arabella, que naturalmente se recostou nas almofadas e se entregou aos carinhos de Gabriella.

De repente, ella, a bella, estava experimentando o carinho e o conforto de mãos semelhantes às dela. Se deleitou com a maciez de seus toques que aos poucos começavam a desnudar seu corpo. Gabriella deslizou as mãos pelas costas della e gentilmente beijou-a nos ombros. Arabella estremeceu. Há muito precisava de momentos de carinho e de uma boa massagem no corpo, na alma. Gabriella soube perceber o momento e deixou que as coisas fluíssem normalmente. Arabella fechou os olhos, deliciou-se com os mimos que recebia da amiga. Beijaram-se...

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 00h26
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Agora é que são Ellas



Eles... Sempre eles... Disse Gabriella num tom que estava mais para lamento do que para constatação.

Arabella olhou para a mais nova amiga sem entender muito bem o que ela queria dizer com aquela frase. Àquela altura do campeonato, também, pouco importava o que se queria ou não dizer sobre esse ou aquele assunto. A verdade é que a significância que se dá às palavras, aos gestos, depende mesmo do valor que se queira dar ao momento. E aí, entram muitas determinantes que variam desde o nível de interesse que se tem pela pessoa em questão até o teor alcoólico que percorre as veias dos personagens envolvidos.

A verdade era que, naquele momento, Arabella queria tudo, menos racionalizar, refletir ou conjecturar. Naquele momento, ela queria ser livre e agir conforme seus instintos. Ser inconseqüente e ignorante o suficiente para não ter que responder pelos seus atos.

Estava cansada a bella... Era um cansaço emocional. Nada físico nada patológico. Sentimentos, emoções, apenas. Por isso, vestiu sua carapuça de imatura – que há séculos não utilizava – e ligou no piloto automático. Limpou a mente...

Nesse momento, Paula e Laura – que estavam dançando – chegaram à mesa.

Vamos? Disseram.

Vamos? Para onde? Perguntou Arabella.

Vamos lá para casa. Aqui ta muito frio. A gente vai para lá, bebe um pouco, ouve música. É mais aconchegante...

Mas, num domingo?

Não se preocupe, Ara, qualquer coisa, você dorme lá em casa. Já fez isso tantas vezes. Vamos, não vai recuar agora, vai? Vamos, deixa de bobagem, deixa de baixo astral. E, de mais a mais, Gabriella é recém chegada na cidade. Vamos mostrar a ela que, aqui, o povo também é animado.

Arabella lembrou-se de sua última noite sozinha, sangrando seus sentimentos, cortando os pulsos de seus lamentos, secando seus amores... Pensou no seu dia seguinte, teria que editar um vídeo no dia seguinte, mas a ilha de edição estava reservada para ela somente na parte da tarde. Aceitou o convite...

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 00h26
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Agora é que são elas - Parte I



Arabella, essa é Gabriella. A frase causou uma onda de riso nas três que perceberam a rima inevitável dos nomes.

Não me diga que é com dois eles?

Siiiiiiiiiiimmmm..

Mais riso.

A forma descontraída como se conheceram animou logo os ânimos da bella que estava mesmo a fim de esquecer as mágoas e lamentos do seu Valentine’s Day. Foram as quatro para uma mesa no canto do bar e se puseram a conversar animadamente. Gabriella era psicóloga e acupunturista. Curtia as coisas boas da vida e adorava pedalar e fazer caminhadas. Tinha seus 30 e poucos, ou muitos anos – na verdade, a idade, àquela altura era o que menos importava -, e tinha se mudado há pouco tempo para Brasília.Viera para a capital do país por tempo determinado. Ficaria somente por seis meses, depois, zarparia para Londres, onde enfrentaria uma bolsa de estudos do Conselho Britânico. Gabriella ficaria na capital inglesa por dois anos. Estava animadíssima com a perspectiva de mudança e, por isso, irradiava vida.

A conversa evoluiu animadamente entre as duas...

E você, faz o quê, Arabella?

 Eu? Escrevo, e muito! Sou jornalista. Roteirista, na verdade. Escrevo roteiros para vídeos institucionais, mas, o meu grande desejo mesmo é entrar no meio cinematográfico e escrever documentários. Um sonho, apenas mais um dos meus sonhos...

Mas, os sonhos existem para serem alcançados, realizados. Sabe disso, claro!

Sei, mas, olha, parecem que, para mim, eles correm a 200 km/h, enquanto essa máquina que vos fala consegue alcançar, no máximo, 100 km/h e, isso, já estressando o motor até o limite.

Mas, o que é isso, isso são palavras? Uma moça tão bonita...

Disse olhando Arabella nos olhos.

Arabella desviou o olhar e mudou de assunto. Mas, sentiu um certo conforto no gesto de Gabriella. Estava carente, se sentindo só. Precisava mesmo de colo e de pessoas amigas por perto.

Bebiam vinho, tinto, seco. O frio que fazia na cidade, naquela época do ano não chegava a ser insuportável, como acontecia no sul do país, mas era suficiente para aproximar as pessoas em busca de calor humano.

Arabella buscava exatamente isso. Buscava seu príncipe. Buscava... Buscava... Buscava...

Queria a cumplicidade de olhares e gestos. Queria identificar seu príncipe encantado. Queria experimentar suas emoções e descobrir seus caminhos. As estradas dos sentimentos eram as que mais fascinavam e instigavam-na. Entretanto era nessas rodovias que ela mais se perdia...

O vinho começava a fazer efeito na mente de Arabella e as lembranças emergiam do mar de lembranças que ela trazia armazenadas em  inumeráveis contos de amor incondicional. As memórias afluíam confusamente em seus pensamentos e desordenadamente ela repassava cenas de momentos vividos com muito carinho. A saudade foi inevitável...

Já te falei dele? Soltou a pergunta.

Ele? Perguntou Gabriella. Ele, quem?

Sim, ele, o ‘príncipe’ que me apareceu intitulando-se o predestinado a cumprir a sina do primeiro dia do resto de minha vida. Surgiu assim, sem mais... Veio do nada, do universo paralelo. Cativou-me e partiu. Aparece, apenas, de vez em quando feito palavras soltas ao vento... Não passa disso, na verdade... De palavras. Algumas vezes, consigo toca-lo, mas só em pensamentos e sonhos. É uma imagem, formada entre pixels e sem definição em minha mente.

///~..~\\\

 



Escrito por Arabella às 23h57
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O mesmo bar....



Encontraram-se quase que por acaso. Fazia tempo que Arabella não via suas amigas Laura e Paula. Desta vez, foi no barzinho que Arabella costumava ir – aquele, do Avelar. Chegou (bella) por volta das dez da noite. Foi para lá meio que na esperança de encontrar o Antunes. Fazia tempo que não se viam e estava mesmo precisando de um bom papo. Nada que implicasse em terminar a noite na cama, a dois. Queria mesmo conversar.

Entrara numa fase de aplacar seus ânimos e aquietar o coração. Andara agitado demais nos últimos tempos e precisava respirar, oxigenar seus sentimentos – não com outras pessoas, mas com as mesmas e de forma clean - ares limpos, desprovidos de qualquer envolvimento. Queria zerar seus amores e seguir incólume em suas andanças errantes do coração.

O ambiente estava agradável como sempre. Desta vez, Avelar – o barman - estava lá, no bar (claro). Pediu para preparar o “de sempre”. Avelar sorriu. Estava feliz por vê-la de volta. Gostava imensamente de Arabella. Uma relação quase que fraternal, a que existia entre os dois.

Bella, você sumiu, o que houve?

Ah, Avelar, a última vez que estive aqui, você não estava. Era sua folga

Que pena!

 É, também lamentei profundamente, mas, normal, normal, faz parte! Também foi nessa última vez que estive aqui que conheci alguém...

Hummm, então foi bom?

Era para ter sido, mas, terminou não sendo (fez uma pausa e completou). Ah, Avelar, conheci o Antunes...

O músico?

Sim, ele mesmo. Não sabia que vocês tinham colocado música ao vivo aqui. Eu estava tão arrasada naquela noite. Fiquei observando-o tocar, tomei umas tantas doses de whisky e terminamos nos conhecendo. Uma gracinha ele. Gracinha até demais. Levei-me para casa, eu não tinha condições...

Disse isso em tom nostálgico, olhar longe, atravessando tudo que encontrava pela frente. Falava com seus pensamentos cravados na noite em que se encontraram pela primeira vez. Enquanto falava, revivia cada segundo dos dois juntos. Transportara-se para o dia do encontro. Era tão real, a lembrança, que podia, se quisesse, tocar as recordações...

Hummm... Então...

Então? Então, nada. Disse Arabella, interrompendo seu momento de transe e de flashback:

Ele foi super carinhoso, super gracinha, me cativou, me beijou, deixou o gostinho de quero mais em minha boca e partiu... Nos encontramos outras vezes e, nada. Só papo e mesmo assim já um pouco frio, distante, indiferente. Fiquei arrasada.

O quê? Arabella arrasada? Esse cara mexeu mesmo com você.

Como assim, eu arrasada? Fiquei arrasada sim, mas, passou. Já estou em outra, mesmo. Sabe, nesse dia dos namorados, cortei os pulsos de meus sentimentos. Sangrei minhas dores até murchar... Estou aqui para me reerguer, junto aos meus amigos.

Disse isso, olhando para Avelar e deixando claro o quanto gosta de estar com ele, ali, no canto dos dois amigos.

Antunes não toca hoje aqui, domingo, sabe como é...

Eu sei, mas tinha a esperança de que viesse.

Conversava com Avelar, quando viu entrarem pela porta suas duas amigas Laura e Paula. Elas estavam bem alegres, como sempre. Fizeram logo um sinal para Arabella. Foram até o bar falar com ela. Não estavam sozinhas, tinha uma terceira amiga junto: Gabriella...

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 23h30
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Pulsos cortados



Fez questão de escolher a seleção musical a dedo. Especialmente definida para se passar o “Dia dos Namorados” sozinha. Sabia que seria assim. Sempre soube, mas, no fundo tinha uma esperança escondidinha lá no fundo do seu ser, de sua alma, de que tudo mudaria no último momento. Pensou em ter surpresas. Lembrou de todos os homens que já tivera e, no fundo – bem lá no fundo mesmo – teve esperança de que um deles a surpreendesse naquela data...

Sempre fora cética para as nuances do coração. Forte (este). Lembram?

Pois é, Arabella era uma mulher forte, não sucumbia a datas tão patéticas e sem importância. O que valia era mesmo o dia-a-dia, a vida, a batalha... Certo?

Errado.

Pensou em todos eles, um a um: Alexandre, Alex, Antunes (o clube dos “As”). Lembrou do seu ex-marido, dos atuais amores, dos longínquos, dos que nem mesmo chegaram a ser amores, das aventuras, dos desejos, dos lamentos, de suas maldades...

Tinha certeza de que estavam todos, naquele momento, felizes ao lado de suas respectivas companheiras. Vida comum, enquadradinha, previsível, mas, de certa forma feliz... Ou, de toda a forma, feliz. Ela não, ela estava ali, sozinha... Dona de seu destino, errante em seus sentimentos, mas... sozinha!

Arabella também tinha seus segredos e os guardava a sete chaves, por isso, nesse dia não contou a ninguém que ficaria em casa sozinha, que abriria uma garrafa de vinho, colocaria uma trilha selecionadíssima e cortaria os pulsos de seus sentimentos...

Deixaria-se sangrar até secar e novamente ficaria murcha de sentimentos...

Era o ritual do “Valentine’s Day”. Deixar-se sangrar até matar os sentimentos...

Começou o ritual...

Abriu a garrafa de vinho: tinto, seco...

Colocou o CD gravado por ela mesmo com as músicas que escolhera durante a semana... Canções que lembravam cada fase de sua vida e a faziam lembrar o quanto significava a palavra “errar” no pior sentido dela.

Até Nika Costa!!! Meu Deus! Enlouquecera de vez... ‘On My Own’ – Ninguém merece!

Caramba, Arabella realmente surtara de vez!!!

Estava Down e feelling blue...

Exatamente como dizia aquela música que tantas vezes dançara nas músicas lentas das festinhas Hi-fi, na garagem das casas da vila onde morava...

Lembrara-se que, já naquela época era metida a forte...

Raramente dançava...

Não queria me expor, dá para entender? Disse alto, para ela mesma, quebrando a harmonia do quarto...

Arabella passara sua vida tentando dar uma de forte. Forte frente aos sentimentos... Para quê? Meu Deus, para quê? Pensou...

Para passar um dia dos Namorados, aos 36 anos sozinha... Estava feliz?

Não, não estava... Mas, estava livre... Errante, como sempre sonhara.

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 11h26
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