BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



A dor é minha...



Arabella sentia dor. De uma hora para a outra, parecia-lhe que  todo corpo doía-lhe. Estava arrasada, fisicamente arrasada. Entrara numa daquelas fases em que uma coisa puxa a outra e os males se dão as mãos para atormentar juntos a paz de quem precisa seguir em frente.

Arabella sentia-se mal, sem ânimo, destroçada fisicamente. Coisa boba deixar-se abater. Ela, uma mulher sempre tão decidida a ser forte, estava sucumbindo às dores e aos desarranjos de seu corpo. Não podia parar. Sabia disso. Determinada a não se entregar, levantou-se e enfrentou uma ducha.

O corpo doía-lhe...

Incomodava-lhe.

No dia anterior, uma alergia incômoda a tirara de seu sossego, naquele dia, uma dor de dente a destroçava. Não sabia o que estava acontecendo com ela. Acreditava que os males do corpo – assim como os do coração – vêm muitas vezes por meio dos males da vida. O desequilíbrio do dia-adia desfazia a harmonia do corpo e jogava-lhe em uma onda de desarranjos que terminavam, por fim, a abater-lhe.

Não era fácil abater-lhe, mas, ela, naquele dia, confessou a si mesma que estava cansada. Foi uma confissão dessas que se faz sozinha para si mesma, entredentes e em tom baixo. Não queria admitir que precisava de um ombro, que necessitava de alguém que a tomasse nos braços e dissesse:

Vem, deita aqui, no meu colo. Não pensa em nada, cuidarei de você...

Maldita hora que escolheu ser sozinha, auto-suficiente e dona de seu destino. Estava carente. As dores a faziam assim: frágil. Arabella sentiu um aperto no peito, mas, dessa vez não era a dor física e sim a dos da alma, da solidão...

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 09h24
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O Espelho



Olhou-se no espelho. Nunca parava para se analisar. Nunca se detinha aos detalhes de si mesma... Desta vez, parara em frente ao espelho e começara a avaliar-se (a si mesma – se é que aqui cabe a redundância). Sensação engraçada essa de encarar-se. Ali, eram só ela e ela mesma. As duas, sozinhas, uma de frente para a outra. Encarar, olhar nos olhos da outra, dela mesma refletida no espelho, era uma sensação estranha, incômoda até. Começou a refletir...

Como não conseguir encarar-se? Desvendar-se. Andara por tanto tempo escondida naquele corpo que, agora, não conseguia se ver, se reconhecer? Não, impensável, inadmissível... Repetia.

Tinha sempre a sensação de que passara apressadamente por ela mesma. Corria para não ter que ver-se. Não sabia o que era isso. Timidez? Talvez... Não sabia, mas, a verdade era que Arabella nunca tinha  se preocupado em realmente enxergar-se. Não daquela forma, no espelho, de corpo inteiro, encarando-se, olhando-se nos olhos.

Parecia que seria sugada pela própria alma, parecia-lhe que a pessoa que via refletida no espelho ia, a qualquer momento, falar-lhe... Dizer-lhe algo.

Era ela mesma que ali estava.? Aquela imagem tinha vida própria? O que queria dizer-lhe?

Não sabia. Vivia a estranha sensação de ter encontrado outra em seu corpo. De ter-se visto de outra forma. Uma imagem que não falava, mas dizia muito mais do que é possível ser dito pelas palavras apenas.

Ficou bons longos minutos a ver-se... As  rugas...

Olhou uma por uma. Estavam lá, em seu rosto. Denunciavam cada passo que dera em direção à maturidade. Quando mais nova não se imaginava com 36 anos. Mais, quando criança tinha a certeza de que só chegaria aos 32, quando o mundo se acabaria , no ano 2000. Não se preparara, portando para ultrapassar aquela idade.

Ultrapassara! E, agora, com 36, olhava-se, via-se pela primeira vez de corpo inteiro, no espeloho. Nunca parara para se enxergar..

Os cabelos brancos. Caramba... já estavam bem numerosos..

Lembra de sua mãe aos 36 anos. Na época, tinha a sensação de que sua mãe já era uma velha. Não era como se sentia agora. Não se considerava a pessoa idosa que sua mãe lhe parecia quando tinha seus 36. O que a faz diferente de sua mãe?

Não sabia. Havia uma magia naquela comparação. Era a mulher que enxergava no passado em sua mãe e naquele momento descobriu como sua mãe ainda era jovem, cheia de vida aos 36.

Era assim que Arabella se sentia. Não carregava peso algum de estar a 4 anos dos 40. E sabe-se lá se esse peso existe?

Não, não existe, somos eternamente jovens se assim o quisermos.

Não queria dizer que não estava envelhecendo.... Estava, era claro e notório. Mas, a diferença, aui, era que ela gostava de ter a idade que tinha e não tentava disfarçar os anos percorridos nesse planeta, nessa existência. Aceitava, mesmo, numa boa.

Naquele momento, em que parara em frente ao espelho para se ver, fez as pazes consigo mesma e lamentou não ter se visto mais, se encarado mais, ao longo de 36 anos...

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 10h54
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Cinco minutos antes, cinco minutos depois...



Enfrentou o dia e entregou-se à rotina de seus passos resignadamente. Sabia direitinho o roteiro dessas palavras. Vivia sob a influência de seus pensamentos em confluência com seus sentimentos. Desejava e repudiava com a ferocidade de quem se entrega ao inimaginável e desafia o desejável. Desejava, sim. Era uma pessoa que buscava e não parava nunca. Cansava-se muitas vezes, mas, nesses momentos, sentava-se à beira do caminho, de sua estrada, e descansava por parcos minutos.

Não se permitia um descanso longo. Era andarilha e caminhava sempre. Buscava o amor e ousava garantir-se de que estava bem próximo de encontra-lo. Por vezes, brincara de esconde-esconde com o tal do sentimento maior. Chegava sempre uma hora, um minuto, um segundo, uma existência atrasada. Como podia ser? Perguntava-se...

Tinha certeza, inúmeras vezes, de que um momento antes, num instante anterior, teria encontrado-o, esbarrado em seus passos, tropeçado em seus caminhos... Sensação esquisita a de estar buscando e chegando após, atrasada...

Não, não chegava sempre após, muitas vezes chegara antes e, aí, era ele, o ser amado, que se atrasava. Ficava um pouco, sentava-se, novamente, à beira do caminho, e, depois, levantava-se e continuava caminhando. Era impaciente, sim. Admitia. Era, aliás, bem impaciente para as vias, os caminhos do amor. Por anos a fio, estivera a esperar pelo seu amor maior, aquele que acreditara ter sido pelo destino (a ele) predestinada... Perdera-o.

Ele se fora e sumira no caminho qual poeira... Desintegrara-se. Hoje, guardava apenas a lembrança, algumas fotos rasgadas (e reconstituídas com cola e fita durex) e algumas cartas. Tudo dentro da ‘caixa do derramamento’. Esse, ela já nem ansiava mais retomar. Esse amor, ela guardara numa daquelas caixinhas coração e, hoje, tinha apenas a curiosidade de saber por onde andava a outra metade, o pedaço solto dela mesma. Pedaço que ela elegera como parte de sua alma e que , agora, era apenas uma vontade nostálgica de saber do ser (um dia) amado. Não o amava mais...

Mas, no jogo de esconde-esconde de sua vida, Arabella acostumara-se a ‘errar’ os caminhos do coração. Tinha, agora, a leve e suave impressão de que raspara no ser (realmente, novamente) amado. Tinha a sensação de que ele e ela tinham se esbarrado nos caminhos do mundo moderno e virtual. Não sabia. Já era hora de Arabella reconhecer as artimanhas do coração. Já era hora de não mais se imaginar adolescente a esperar seu príncipe encantado.

Esperava, sim. Mas, príncipe, aí já era demais. Pensava.

Aprendera, em suas andanças, que príncipe é aquele, não que enche os olhos, mas o coração. É quem chega, sem fazer alarde e se mostra – não fisicamente, montado num cavalo branco – mas inteiramente, a pé, caminhando, como Arabella costuma fazer.

É a caminhada que faz das pessoas parceiras e cúmplices. É nas paradas ao longo do caminho, nos momentos em que se olham e somente eles sabem da cumplicidade que existe entre os dois, que os seres amados se revelam para si mesmos. O mundo, em volta, pode estar saltitando, fazendo algazarra e, pior, pode estar certo de que ali estão apenas dois seres simpatizantes, nada mais... O mundo pode ter suas opiniões formadas sobre conceitos, regras, normas, dogmas, mas, ali, entre aqueles dois seres, embora o mundo ignore – e não precisa mesmo saber – há a cumplicidade que só aos dois interessa...

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 14h12
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Tecla `soneca`



Olhou pela janela, já era dia. Relutava em despertar. Seu corpo, paralisado, não se movia. Sua mente, estagnada não funcionava. Tinha entrado em um estado de latência absurda. Queria não ter que enfrentar o mundo. Não naquele dia. Queria desligar a luz do sol, apagar a euforia da natureza que se ouriçava em sua janela - com toda aquela alegria de início de dia que era sempre tão comum no ciclo das 24 horas.

Apertou bem os olhos, não queria acordar, maldisse a cortina que estava entreaberta e não vedava a luz, resmungou para o travesseiro e tentou se enrolar-se mais ainda nas cobertas. Fazia um friozinho gostoso, daqueles que nos faz ficar grudados na cama, debaixo de cobertas e mais cobertas, lutando ferozmente contra o relógio que, àquela altura, já marcava 40 minutos de atraso no despertar.

Arabella não tinha tido um dia (anterior) fácil.

Tinha ido dormir com a sensação de que algo de estranho acontecera, embora não identificasse ao certo o que teria sido. Tinha essas sensações de vez em quando. Algo a ver com percepção, felling, ou algo no gênero...

O despertador tocou de novo. Utilizou-se da tecnologia...

Esses artefatos modernos têm uma teclinha que se chama ‘soneca’ ou algo parecido. Permite que se adie a hora do despertar por dez minutos uma, duas, infinitas vezes. Era uma armadilha, porque poderia se passar um dia inteiro adianto seus compromissos por dez minutos, ou, pior, passar um dia inteiro na cama adiando a hora de enfrentar o mundo por dez minutos.

Já pensou uma tecla soneca na via da gente? Arabella pensou.

Começou a enumerar as zilhões de coisas que adiaria em sua vida. Só utilizando a tecla soneca.

Coisas do tipo:

Tenho que decidir se vamos ou não morar juntos? Dá-me mais dez minutinhos...

Tenho que ir fazer a prova? Mais dez minutinhos

Tenho que responder àquela pergunta embaraçosa agora, aqui, na bucha? Tecla soneca nele.

Se eu te amo? Soneca...

Se eu vou mudar? 10 min

Se eu quero mesmo acabar tudo? Soneca...

Se eu quero começar? Apostar? E por aí vai...

Quantas situações em nossas vidas em que a tecla soneca seria tão útil.

Lembrou de seus relacionamentos. Tinha sempre a impressão de que precisaria sempre de mais dez minutinhos para poder explicar a forma como encara o amor.

Amor, na verdade, ainda não tinha conseguido entender ou explicar. Nesse assunto, aliás, não queria usar a tecla soneca... Que viesse o amor e que não adiasse nem por dez minutos. Estava pronta para enfrentar, desfrutar, deleitar(se). Queria descobrir-se amando, sendo amada... Amando mais do que sendo amada, aliás, seu grande anseio era realmente aprender a amar. Entregar-se de tal forma que venha a perder a noção de ser uma, individual e poder enxergar-se no outro. Ansiava na verdade ela chegada daquele que teria, sobre ela, esse poder. Ninguém, até aquele momento tinha alcançado tal  façanha.

Arabella, na verdade, passara sua vida adiando o amor. Não acreditara nele... ou, pelo menos, mão se permitia.Sonhara, sim, mas não se entregara... Passara a vida apertando a tecla soneca para os assuntos do coração. Era hora de puxar as cobertas, deixar a cortina aberta, sentir o calo do sol e enfrentar o amor como tinha que enfrentar aquela segunda-feira...

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Escrito por Arabella às 13h49
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