BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



Claustrofobia da Vida



Faltava a Arabella a decisão. Decidir ser e estar aonde quisesse e pudesse. Ainda não podia ousar a tal ponto. Ainda tinha amarras, ainda seguia por caminhos pelo destino traçados e não o destino por ela traçado. Tinha em suas mãos o poder de algumas decisões, sim, claro. Sabia que podia ir além ou aquém a depender do olhar, do desejo da vontade. Mas, ainda assim, sabia que, no fundo, tinha sentimentos esquecidos, adormecidos que precisava trabalhar.

A opção pela caminhada fazia dela apenas alguém em compasso de espera. Dava seus passos, avançava aos poucos, procurava, encontrava, perdia-se.

 

Tinha um desejo incontrolável de ser, poder ser. Era livre? Não, ainda não. Sabia que, naquele momento, ainda não podia dizer-se e sentir-se livre. A vida é mesmo engraçada e só percebemos isso no momento em que as peças desse grande quebra-cabeça vão se encaixando.

Faltavam ainda muitas peças, mas a paisagem já começava a se delinear no jogo de imagens arrumadas - simetricamente arrumadas.

 

Ainda não tinha descoberto qual era a paisagem de sua vida. Não percebera qual cenário a ela fora reservado. Sabia que tinha a ver com espaço, aberto, amplo. Era uma claustrofóbica da vida. Não suportava as amarras, não lidada com espaços contidos, com momentos fechados, com sentimentos presos. Era livre. Não estava livre ainda, mas, sabia, na essência, que assim o era. Por isso, assim, sem pressa ia, a cada dia, juntando suas peças.

 

Muitas vezes, se via a varrer, amontoar, cacos de sentimentos quebrados, fragmentos de palavras soltas, porcentagens de olhares trocados, roubados, desviados. Muitas vees, apressava-se em juntar tudo para ver e decifrar a mensagem que se traduzia daqueles pedaços derramados em suas histórias, por suas histórias!

 

Via muito céu e muita estrada em seu cenário. Por vezes, inúmeras vezes, deitou-se ao chão, ao gramado. Acima dela, o céu apenas. Ficava ali por horas e horas admirando o azul... Longe, livre, imenso. Invejava a vastidão, ansiava pela sua comunhão com o amplo, o espalhado, o solto...

 

Era mais do que uma necessidade era uma certeza. Sabia-se transgressora – transgressora, no sentido de transgredir-se, superar-se, externar-se de si própria. Novamente a idéia da claustrofobia da vida acometeu a mente de Arabella. Repudiava o quartinho fechado dos dias. As paredes altas, a falta de janelas, de portas para abrir. Queria arejar sua vida, seus sentimentos.

///~..~\\\

 



Escrito por Arabella às 09h03
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Partia sempre...



Coisa difícil para Arabella era conviver com a indiferença. Por mais que ela percorresse os corredores do coração não entendia como alguém podia riscar um outro alguém da vida, de sua vida.

Arabella gostava de saber das pessoas, ouvir falar, procurar. Tinha o estranho defeito de guardar as pessoas em suas caixinhas do coração. Revisitáva-os de vez em quando. Buscava as histórias, procurava as referências. Isso era nostalgia, sabia. Sabia, entendia, mas também sofria com essa ligação com o passado, presente, futuro até. Gostava de visitar também as histórias que nem aconteceram ainda. Como? Imaginava, projetava, fantasiava. Era uma sonhadora, embora, no dia-a-dia, seus pés bem cravados ao chão. Não avançava, não dava o passo maior do que a perna... Não quando se tratava das coisas práticas da vida. Sim, quando  quando se tratava das questões do coração.

Mas, dessa vez, naquele caso, tinha sido forçada a ser tão cruel e indiferente como sempre odiara que o fossem com ela.

Apagou e-mails, rasgou as cartas, deletou as fotos, memórias, diálogos, momentos, sentimentos... Tudo jogado na lixeira de sua vida. Tudo lavado e enxaguado em seu coração.

Usou sabão, detergente, álcool até, para atear fogo e esterilizar sua alma.

Ele tinha ido longe demais... Tinha ultrapassado as leis da boa convivência e rasgado todos os códigos dos sentimentos compartilhados. Apagou, zerou, vazio!

Arabella normalmente sofreria com isso, dessa vez, não, foi diferente. A pessoa querida tanto fizera, tanto provocara, tivera tão pouco respeito, que Arabella o expulsara de seus dias. E, desta vez, estranhamente, não sofria, aliviava-se até.

Não era (ela) uma pessoa grandiosa o bastante para perdoar... Perdoar, até perdoava, o que ela não sabia era esquecer. Diz-se até que perdoar má não esquecer não é perdoar.

Era má, portanto. Não era má, portanto...

Era uma sonhadora, isso sim.

Sofreu com aqueles que vieram e com os que partiram...

Mas, também partia sempre. Pegava a estrada - a estrada de seus sentimentos que também eram andarilhos e passeavam pelos corações de quem se aventurava pelas portas de sua vida – e ia. Coisa difícil entender essa mulher com mais de 35. Coisa complicada descobrir seus segredos... Determinada a ser forte era sozinha...

Mais uma vez, limpou as gavetas e saiu...partiu...

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 09h34
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Amor fora de medida



Começou a redescobrir o primeiro ano do resto de sua vida no dia em que seu filho (mais novo) completara sete anos. Estava feliz por ver a vida se renovando a cada momento, a cada palavra, a cada olhar de esperança e de doçura de seus filhos. Arabella os amava, mais do que a si própria e era neles que descobria o verdadeiro sentido da palavra amor.
Sabia, contudo, que o sentido exato da paixão não cabia nesse relacionamento quase inconsciente de mãe para filho. Com os filhos, era mais do que ela mesma - era invadir todos os cantos, preencher todos os endereços e estar presente em quase todos os momentos. Era irracional, voluntário, dado, doado...
Expandia-se em sentimento pelos filhos e por mais que repetisse todas as vezes do mundo o quanto os amava ainda assim seria pouco perto do que realmente sentia...
Sentia, adorava, amava e, ainda assim, também sofria. Sabia que amor de mãe é amor de sempre, de antes, de depois, de vidas... Uma linha que atravessa o sentido do ser e estar e une todas as existências em um só sentimento, não importando o aqui ou o agora, mas, o sempre, o eterno, o perene, o incompreensível...
Não tocava, não olhava, não ouvia, sentia apenas... Assim era o transcender de seus sentimentos por aqueles que eternizavam sua existência e peregrinavam nesse planeta com a humilde e terna marca de uma mulher que veio ao mundo em busca do seu eu...
Uma mulher que não sabia bem ao certo por que nem quando tudo iria acontecer... Peregrinava apenas...
Estava condenada a andar, andar, andar...
Não correr. Corria, sim, algumas vezes, de teimosa que era... Apressava o passo para alcançar histórias perdidas, oportunidades desperdiçadas. Uma busca por detalhes lançados em seus dias, em sua infância, adolescência e idade adulta. Fotogramas revelados tal qual flechas desferidas e que, no fundo, sabia, não mais retornariam.
Hesitava, portanto, diante da possibilidade de virar as costas. Não conseguia. Lançava-se em impulsos porque sabia que a palavra dita, o tempo passado, o momento vivido não voltava atrás.
Acreditava nas palavras que testemunhavam o quanto era possível recuperar a herança perdida, o patrimônio roubado, a dignidade, até. Mas, o tempo... Esse, não! Esse não se recupera jamais...
Arabella vivia sempre na angústia de estar desperdiçando o tempo, as histórias, os momentos... Inúmeras vezes, aventurara-se, lançara-se, entregara-se pelo simples temor de estar diante de sua história e vir a despercebê-la...
Inúmeras vezes, portanto, em contra-partida, frustrara-se e maldissera sua própria sorte... Não aprendia, porém, e quantas vezes fossem necessárias, se atirava novamente e de novo e mais uma vez. Tudo porque acreditava na conspiração do universo ao seu favor. Era uma eterna crente. No fundo, queria saber-se alguém que um dia, de apenas uma, se tornaria plural e viveria o resto dos dias de sua vida "avec" como sonhava ser, como deveria ser...
///^..^\\\


Escrito por Arabella às 01h18
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Agora, é Hipnos...



Estava ávida de desejos. Gestava todas as suas angústias e buscava por respostas para perguntas desconexas, soltas, truncadas, trocadas... Deitada, num quarto frio e com luz artificial, de repente, sentiu que seu corpo levitava... Jogou-se num fluido infinito cravejado de luz. Sentiu-se bem. Ouviu:

Está em coma...

Não se importava. Nada mais importava... A sensação era boa demais para ser desperdiçada. Entregou-se ao tal fluido e deixou-se levar. Queria ir, não queria pensar em mais nada. Estava mesmo à procura daquele lugar. Um espaço, fluido, denso, sustentando seu corpo. Não precisava fazer esforço algum para deslocar-se e quem disse que queria deslocar-se, mudar de lugar, mover-se? Era a própria vontade. O próprio desejo.

Acordou!

Arabella, por diversas vezes tivera este sonho. Acordava de súbito. O peito arfava. Era o momento de transição entre o universo de Hipnos – deus dos Sonhos – e a realidade. Mas, contudo, apesar do momento, do parto do sonho, acordava bem. O bálsamo que a envolvia durante o sono, o fluido tocando o seu corpo, dava a sensação de que ali era um lugar de paz.... Acordava em paz.

Paz, aliás, era tudo o que Arabella buscava em sua vida. Sofria com a falta do outro. Um outro que ela nem ao menos conhecia ou saberia se viria. Uma saudade do que não tinha vivido, porque tinha desperdiçado seus momentos, sentimentos, na eterna ilusão de que não se entregaria nunca. perdida, tropeçava nos sentimentos e se reerguia em busca de novos.

Ele veio, inúmeras vezes. Ficou, bagunçou... Partiu? Nem isso ela sabia. Tinha sempre a sensação de que teria amores, desejos, histórias, mas, que tudo passaria. O lado efêmo das paixões de Arabella.

Seu coração, árido, secava-se em sentimentos, banhava-se em lágrimas derramadas por momentos que se esvaíam.

Atormentava-se Arabella...

Pobre Arabella, a bella, em busca de suas feras. Não domava nem a si própria.

Era uma eterna “buscante” e julgava que, um dia, encontraria.

Alguém? Não, nesse departamento, ela tinha a certeza de que teria que ser encontrada e laçada para que pudesse aprender a caminhar junto, a ser um par, a compartilhar...

Desaprendera, pobre Arabella. Tão doce em seus sentimentos, tão amarga em seus lamentos. Tinha sempre a leitura exata de sua solidão e se aventurava diariamente em busca de seu perdão.

Não perdoava a si mesma. Um dia, no passado, chegara a apostar na história, no modelo, no destino. Agora, seus desejos não passavam do que realmente o são: desejos. Sonhos, mundo de Hipnos...

Queria mesmo a hipnose eterna de se ver a dois e de (re) aprender a compartilhar. Dita ‘errante’, carimbara o próprio destino, traçara sua própria história. Agora, ansiava desesperadamente por uma hipnose, uma receita, uma saída que a devolvesse para o mundo dos resignados que, um dia, tiveram a grandeza de apostar na cumplicidade para entregarem-se e seguirem sendo, juntos, dois, um...

Queria (re)descobrir o primeiro dia do resto de sua vida...

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 03h01
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Massagem para o corpo... Para a alma... Precisa-se!!!



Okay!

Okay? Sim... Está tudo bem. Não vim aqui mesmo para pedir nada, nem explicar nada. Está tudo bem, acredite-me. Sabe, é eng’raçado como as coisas acontcecem. De repente, você chegou, abriu a porta...

Okay, okay.. Já estava aberta, eu sei, admito.Mas, chegou, entrou e bagunçou a minha vida. Agora, aqui, sou eu quem fico a sonhar, a construir mil situaçòes para nós dois... É justo? Pergunto eu.

 

Arabella começava a falar sozinha a espreitar suas faculdades mentais e a querer, por tudo e por nada, racionalizar o irracional.

 

Para as questões do coração não há racionalidade, Bella. Não tente conjecturar e descobrir por que dois mais dois não deu quatro, ou, pior, porque uma mais um não deu dois e nesse jogo, nessa equação  você terminou sozinha. Mas... não era assim que você mesma pensava  que ia acabar? Não foram esses os castelos, seus castelos, construídos para você  apenas?

 

Arabella vivia uma batalha interna. Acontecia sempre quando ela aja não tinha mais o que pensar. Já tinha exaurido suas histórias e já tinha revisitado ‘frame’por ‘frame’os diálogos, os olhares, as palavras...

Naquele dia, Arabella tinha chegado em casa depois de uma jornada inteira de trabalho árduo e estressante e estava realmente cansada, exausta!

A coluna lhe doía. Sonhava com um daqueles aparelhos de tração para esticar-lhe as vértebras. Ah... Sonhava com uma massagem!!!

Se tinha uma coisa da qual sentia falta era de massagem. A separação, a independência, a vida sozinha lhe privara de muita coisa, mas ela não se importava. O que a deixava mesmo triste era não ter mais a tal da massagem... Essa sim, era a falta maior!!!

Massagem, assim, no fim de um dia de trabalho, quando as crianças já estão em suas camas, prontas para se entregar a Morpheu. Depois daquele banho...

Depois de se entrar no chuveiro e deliciar-se com a água bem quente, caindo em suas costas...

Depois de se jogar por sobre a cama, pronta para receber os carinhos e os toques de uma massagem.

Sempre fora muito dengosa para essas questões de toque. Era bruta, auto-suficiente, orgulhosa e despojada para tudo, mas, quando o assunto era massagem, ah.... ‘Taí’uma coisa que ela abria mão de toda independência.

Massagem, não! Massagem não dá para fazer sozinha. É preciso a presença do outro, a cumplicidade, o carinho, o toque! Pensava.

Era nessa hora, nesse momento que se entregava totalmente e se declarava frágil, dada, do outro. Os toques mágicos de uma massagem a percorrer seu corpo: pés, costas, nuca, braços, mãos...

Fechou a torneia do chuveiro, enrolou-se em uma toalha. Estava tão cansada que não agüentava sequer se enxugar. O corpo, úmido, caiu por sobre as cobertas.. Respirou fundo, fechou os olhos e sonhou....

///~..~\\\

 

 



Escrito por Arabella às 23h57
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Aceito sugestão para o título



Secaram-me as palavras

Secou-me o sentimento

E nessa seca de tormento

Meu coração, solto ao vento,

Transformou-se em solidão...

Ficou árido

 

Minha alma em desalento...

O meu ser desatento

Encheu-me da amarras

Apagaram-me as fornalhas

Esfriaram-me os sonhos

Perderam-me as estradas

Em bocas caladas

Em olhos tristonhos

 

Cegaram-me os amores

Tropecei em minhas dores

Vacilei em mil projetos

Desprezei os seus afetos

Escondi minhas vontades

Destilei minhas maldades

 

Esqueci-me dos meus quereres

Enterrei os meus dizeres

Em caminhos vazios

Procurei-me adiante

Fui atrás de meus desvarios

E tornei-me uma errante

Escrito por Arabella às 12h49
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