BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



ESS MUSS EIN



Vestia-se com a fumaça de seu cigarro. Não tragava, mas fumava. Queria impregnar-se de vícios. Queria ser a última das últimas naquele dia, naquela noite... Estava arrasada. Não queria piedade nem compaixão, queria paz, apenas: PAZ! Pronunciou em voz alta, saindo da letargia que se encontrava.
O músico espantou-se. Deu uma risadinha de canto de boca, como quem imagina que ali está, à sua frente, mais um espécime feminino, desses que se acabam de bar em bar amargando a própria sorte.
Ela encarou-o com um certo mal humor. Deixara claro que não tinha gostado do ar de riso dele. Não era uma qualquer, largada pelo mundo, não! Era uma pessoa, trabalhadora, batalhadora, raladora, que estava tendo um mal momento, atravessando instantes de pura melancolia. O músico continuara cantando. O whisky acabara. Estava começando a sentir os efeitos do álcool. Era o pilqeuinho que se avizinhava.
Por que o Avelar não está hoje aqui? Pensava e lamentava.
O Avelar era um barman, com seus trinta e poucos anos. Moreno, altura mediana, cabelos um pouco compridos, amarrados atrás, na nuca - estava meio grisalho, o que lhe dava um certo charme. Era divertido. Sempre socorrera Arabella em suas crises de melancolia.
Mas, não estava ali... Repetia e lamentava.
Avelar era meio a sua tábua de salvação naqueles momentos absolutamente down. Continuava ali, olhando o músico a dedilhar as notas no violão.
A sua aversão pelo risinho do músico, aos poucos, foi-se desfazendo, esvaindo-se. Nada mais importava. Um dia, ela leu, num livro, umas palavras em tcheco que significavam, se ela pouco se enganava, 'é preciso!', as palavras: "ess muss ein". A vida de Arabella era meio assim... " Ess muss ein", é preciso.Pronto... 'Ponto com, ponto br...'.
As coisas são como têm que ser e nada muda isso. Pensava.
Foi quando o músico parou de cantar. O silêncio súbito a vez sair de sua latência, ajeitou-se na cadeira e percebeu que o whisky tinha acabado de novo.
Peço uma nova dose? perguntava a si mesma.
Pede, sim. Disse o músico, adivinhando seus pensamentos.
Ela assustou-se. Lera os meus pensamentos? Pensara...
Não, não li seus pensamentos, apenas estou a observando desde que veio sentar-se, sozinha, à espreita de minha música....
///~..~\\\

Só para constar: lindo, simplesmente lindo o poema que tive a grata surpresa de merecer do meu adorado amigo Asterix. Obrigada darling, vc é mesmo muito gracinha

Escrito por Arabella às 15h53
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Deixe em paz meu coração...



Pensava sozinha, estava sozinha...
Nem o Avelar está aqui hoje, reclamava para si mesma.
Ficou no balcão, ali. Virou-se de costas para o barman e ficou a observar as pessoas no bar. Era noite já, mas, não muito tarde. Um casal, sentado mais ao fundo, divertia-se. Brincava um com o outro. Aqueles jogos de sedução que costuma acontecer quando se está encantado com o outro. riam, trocavam beijinhos.
Em outra mesa, os beijos, os carinhos dos amantes. Estava no boteco errado. Só pode ser! Pensava Arabella.
Todo mundo aqui se amando e eu sozinha. Indignou-se.
Era o preço que pagava sempre. Era a fatura que o destino lhe apresentava... Sempre!
Arabella tinha na verdade a dificuldade de se ver 'avec' e errava... - no melhor e no pior sentido da palavra.
lembrou-se do início de sua relação com o Alex, do jogo de sedução. Das risadas, das palavras divertidas, das trocas de carinhos. Era tudo tão leve. Tinha um frescor no ar. Uma fragrância de encantamento que foi se perdendo com o passar do tempo, com o pesar do cotidiano.
Arabella nuca soubera, na verdade manter esse frescor em alta. Ela tinha a estranha mania de, aos poucos, ir se distanciando da pessoa amada. Não sabia se era pode pura defesa ou por desinteresse mesmo. Mas, afastava-se. Era assim inclusive, com os amigos. pedia sempre que não a abandonassem, mas, era inevitável. O descaso de Arabella forçava qualquer um a deixá-la em paz. parecia que ela procurava por aquilo. Ela forçava as pessoas a partirem. Tinha medo de agir assim também com seus filhos, no momento em que eles criarem asas para voar sozinhos. Sofria mais ainda. Bem no clima de 'ruedeira' chegou o músico para fazer seu show particular para um público pouco interessado.
'E qualquer desatenção...
Faça não!
Pode ser a gota d' água, pode ser a gota d'água...'
Não podia ser mais própria. A desatenção de Arabella para com os outros guiara seus passos para um balcão de bar...
Pediu mais um whisky, se levantou e foi até a mesa em frente ao músico. Adorava ficar observando os músicos da noite. Se encantava com eles. Já conhecera alguns, na vida, nos bares. Esse, não conhecia. Mas, tudo bem. Não estava mesmo querendo conhecer ninguém. Queria calma e tranqüilidade para o seu coração. Queria paz. Estava cansada....
///~..~\\\

Escrito por Arabella às 16h03
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Recuar não é preciso???



Tirou o aparelho do gancho. Tinha afinal se decidido: 9...9... começou a discar o número do celular de Alexandre. Sabia que ele veria o número no bina e, se atendesse - bingo! - se não atendesse? Se não atendesse restava apenas seguir em frente. Seguir em frente.... repetia, repetia... Repetiu tanto que se convenceu. Largou o telefone de novo no gancho, pegou a bolsa e saiu....
Arabella, ás vezes, tinha esse tipo de reação. Era hiperativa, decidida e tinha como lema a palavra ' Atitude', mas, em alguns momentos, simplesmente recuava. Dava uma sensação de cansaço, um sentimento de 'dejá vu' que ela preferia parar, nem um passo a mais. Saiu. Não sabia exatamente para onde estava indo, mas, queria arejar-se, sentir-se livre, convencer-se de que essa era a melhor opção para ela.
Ligaria para ele, ele diria que estava com saudades, os dois marcariam de se encontrar, se amariam loucamente, jurariam amor eterno e, no fim do dia, o telefone dele tocaria, ou, pior, ele ligaria para a esposa, e inventaria uma desculpa daquelas bem descabidas para justificar o seu sumiço. No fim das contas, ele volta resignado para sua vidinha e ela segue em frente se convencendo (por tudo e por nada) de que essa era mesmo a vida que escolhera. Uma vida errante, sozinha, mas, com toda a autonomia que lhe é possível.
Saiu, queria bebe, fumar, se impregnar de hábitos danosos à sua pessoa, ao seu corpo. Posso fazer o que quiser comigo. Sou assim, decido se quero o que há de melhor ou pior. Decido, pronto! Sou feliz assim.
Na realidade, ela sabia que, a realidade não era bem assim. Em seus momentos de carência extrema sonhava com a 'sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida'. Parou em frente ao boteco que sempre costumava ir quando estava sozinha. Seus filhos com o pai, os irmãos com as respectivas namoradas, a irmão com seus problemas, os amigos com seus programas.
Optara por isso. Arabella, na verdade, tinha uma preguiça profunda de se expor. Talvez esse fosse o motivo pelo qual ela sentia um enfado, um desânimo para ir atrás. Melhor ficar na minha, pensou.
Desceu, pediu um whisky, abriu a carteira de cigarros - parara de fumar fazia quase quinze anos, mas, de vez em quando, se entregava à fumaça. Não tragava. Queria apenas sentir o gosto da nicotina em sua boca - acendeu um cigarro, puxou a fumaça com força e soltou-a imediatamente, produzindo uma cortina de neblina que envolvia o seu corpo e seus gestos naquele momento de solidão extrema, num balcão de bar, de frente para o barman - desconhecido. Avelar, o seu amigo, estava de folga naquela terça-feira.
///~..~\\\

Escrito por Arabella às 15h22
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Abduzidos

Então, ficou olhando para o telefone. Tinha dúvidas se deveria mexer de novo com aquela história. A verdade era que, para Arabella, abandonar histórias era um passo difícil demais para ela. Arabella era assim, apegada à pessoas. Até aqueles que fizeram mal a ela, foram desonestos, incorretos, tinham de Arabella a preocupação pelo bem estar e paradeiro de cada um. o que dizer daqueles que não partiram, mas ela os afastou por ser egoísta de mais para se entregar. Fora assim com Alexandre.
Afastara-o da sua vida. pedira a ele que partisse e não mais a procurasse. tudo isso pela mera incapacidade (dela) de se entregar e viver uma vida a dois. Arabella perdera esse tato para a vida a dois. Endurecera seu coração. Sofria com isso. mas, no segundo seguinte, repetia para si mesma:
Sou errante, não me apego. Não posso me apegar. Quem quiser, me acompanhe. Saia pelo mundo, errante também...
Era o lema de Arabella, que queria alguém para viver e curtir os bons momentos, para ter cumplicidade, sim. mas, sem ter possessividade.
As pessoas pertencem umas às outras desde que elas se entreguem de livre e espontânea vontade. Não dá para exigir entrega... isso é doação e doação é voluntário. Pensava ela com seus botões. Arabella não gostava de cobrar. Claro, sentia ciúmes, queria as pessoas para si, mas, se policiava. No mínimo se permitia uns comentários, um climinha...
Se um namorado meu some por alguns dias, fico preocupada porque o mundo hoje não está fácil. quero apenas saber se ele está bem. Quando voltar, se me dizer que foi abduzido, aceito a explicação e ainda me interesso pelas particularidades dos visitantes que o levaram. Agora, tem a contra-partida: quero também o direito de ser abduzida, de vez em quando....
p.s. Fragmentos de colóquios com Asterix
///~..~\\\

Escrito por Arabella às 16h09
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Num dá para desistir

Dá para desistir? Dá para deixar os momentos passarem e esquecer de tentar ser feliz? Arabella acordou com essas palavras martelando em sua cabeça. Sentia-se inexplicavelmente bem. Tinha levado uma paulada emocional no dia anterior e acordava disposta a reconstruir, repensar, ou, no mínimo, caminhar.
Keep Walking. Esse era o lema que visitava sua mente.
Não sabia ainda ao certo quais seriam as conseqüências do dia anterior. Não queria pensar. Tem certos momentos da vida que não se deve pensar, que conjecturar muito complica, embaralha as idéias, distancia os objetivos, chega, até, a desvirtuar os ideais.
Arabella sabia que, naquele momento, o melhor era dar o tempo regulamentar. Já tentara inúmeras vezes argumentar, explicar, entender. Não queria nada disso agora. Queria deixar quieto. Num dava para nadar contra a maré. Melhor deixar as águas baixarem. É incrível como, em certas situações, a verdade está tão clara e as pessoas se fecham para ela. Mas, quem estava com a verdade. Ela é uma só? Existe a minha verdade e a sua verdade? Pensava Arabella
Para ela, a forma como as pessoas encaravam o mundo, as adversidades, era distinta. Claro, cada um traz em si a sua leitura própria do mundo. O que derruba alguns ergue outros, o que faz alguns chorarem faz outros rirem. Faz parte da complexa tarefa de ser humano nesse planeta.
///~..~\\\

Escrito por Arabella às 12h41
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Feliz Dia das Mães

Arabella olhou em volta. Estava só. Só, como sempre pregara que seria. Naquele dia, não suportava o silêncio. Naquela data, pedia pela companhia. Queria ser a mais normal das normais para simplesmente compartilhar o momento e ter o carinho de quem lhe foi destinada como mãe. Queria ter podido ser fraca e vulnerável a vida toda.

Queria não ter criado a barreira que se fez e ter podido entender a tempo porque as coisas nunca são como esperamos que sejam. Numa data como aquela, em que todos comemoravam em seus lares a alegria de ter-se sabido sempre perto de quem lhe permitiu a entrada nesse planeta, Arabella, intimamente, chorou.
Naquele dia, só não correu para o quarto escuro de sua alma, aonde sempre vai para ficar só e quieta, porque tinha em sua volta as luzes que sempre a impediram de sucumbir. Os filhos se revelavam sua força. Tinha que prosseguir por eles... Por ela!

Ficou ali... A olhar o embrulho. Intacto. Fechado.

Sobre o papel que envolvia o pacote, a letrinha de seus filhos:

Para vovó, feliz Dia das Mães.

O presente de Dia das Mães atravessou o dia fechado e chegou ao final da mesma forma que saíra da loja. Incólume...

Passara na casa da mãe. Fora com os filhos. Queria comemorar a data. A mãe não estava mais lá. Fora para a casa dos outros. Não atendera ao telefone, não retornara as ligações. Arabella tentou disfarçar sua tristeza. Disse aos filhos que as coisas nem sempre (ou quase nunca) eram como queríamos ou desejávamos.

Durante todo o dia, nem um telefonema, nem do seu pai, nem de sua mãe , nem de seus irmãos tocara no seu celular. Entendera o recado. Decidira, agora, iria seguir sua vida. Já não dava mais para seguir na farsa. Perderam-se o cuidado, a preocupação, a lembrança...

 

Esperara seus filhos dormir para deixar fluir toda a tristeza que invadia seu ser. Arabella não sabia bem ao certo por que as coisas tinham chegado àquele ponto. Não conseguia enxergar o motivo de tanta falta de cuidado.

No dia anterior fora aos shoppings lotados para comprar o presente. Não queria deixar a data passar em branco. Fora com seus dois filhos. No tumulto da véspera de uma data como aquelas. Agora, estava ali... De frente para o embrulho. Não vai abrir, também não vai entrega-lo a quem se destina. Estava decidida. Aceitava agora a realidade e não mais se sentia em condições de lutar, nadar contra a maré.

Um Dia das Mães com sabor especial... Sabor amargo.


 

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 19h54
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