BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



O drama da Escolha - Você Decide - Parte I

Arabella tinha uma teoria de que, antes de vir ao mundo, todos nós temos um formulário a preencher. Lá, deixamos claro quais serão nossos caminhos, nossos objetivos, nossas dificuldades, nossas facilidades. Tudo lá, escrito num grande arquivo, que hoje, com a tecnologia ( que também chegou ao céu) já deve estar dentro de uma pasta no HD do respectivo anjo da guarda.
Pois bem, nesse formulário - estava certa disso - ela tinha escrito que as coisas não aconteceriam facilmente na sua vida. Tudo bem complicadinho para não dar uma folga. E, colocou lá, no espaço para observações:
'Que as coisas aconteçam, mas que não fluam facilmente. Que nunca falte, mas que não seja fácil conseguir. Que eu tenha sempre, mas que lute e brigue bastante. Folga? Não, não me dêem folga para que eu não relaxe nunca. Profissionalmente? Bem, estou indo para o Brasil, sei que não será fácil, portanto, peço que nunca falte, mas não me deixem nadar de braçadas. As coisas acontecerão, mas num ritmo mais complicado, com obstáculos e percalços para que eu consiga me superar e aprender a lidar com o sentimento de frustração. Pois bem foi assim que ela escreveu e, embaixo de tudo, em letras garrafais, acrescentou:

VOU NA CONDIÇÃO DE GENTE QUE RALA. ESTOU INDO AO PLANETA TERRA A SERVIÇO E NÃO A LAZER!!!


Foi isso o que aconteceu e agora, Arabella queria mudar essa requisição. Como fazer? Não sabia. Vivia a eterna dúvida entre conciliar suas ambições profissionais e sua vida particular. Tinha as ofertas de emprego, não tinha a que sempre sonhara. Quando aparecia uma que se aproximava, estava em outra , não podia largar, ou, pior, era uma proposta por tempo determinado, no estilo emprego temporário, frelancer.
Nunca ninguém chegou para ela e disse: Quer ser correspondente internacional em Nova York, ou Paris, ou Londres, ganhando 10 mil dólares/euros/libras por mês? Não teria dúvida de aceitar essa proposta. Sempre vieram até ela com propostas meio boas, meio ruins e sempre teve que viver o drama da escolha.
Naquele momento, Arabella vivia mais um desses dramas. Estava num emprego, temporário, mas com vida um pouco mais longa. Apareceu a proposta! Para trabalhar, por um mês, cobrindo férias, na emissora de seus sonhos. claro que não era a que sempre sonhara. Não era a ideal. Tinha, então, que decidir entre a vitrine de um mês no sonho dourado ou a estabilidade de três meses (ou mais) no emprego em que estava.
Era apenas a ponta do Iceberg. Muitas outras questões estavam envolvidas na decisão. Filhos - deixaria de ver seus filhos por um mês , por exemplo. Pensava, então: sempre sonhei com isso, mas, agora, com meus 36 anos, acho que já passou o encantamento da proposta que seria irrecusável aos meus vinte e poucos anos....
///~..~\\\

Escrito por Arabella às 10h35
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Pai, Uma relação delicada - Parte I

Chorava muito. Era uma angústia que lhe apertava o peito. Queria acordar, abrir os olhos, sair daquele estado de tristeza. chorava, chorava, chorava. Sonhava com seu pai. Ultimamente, tinha sonhado muito com ele. Na verdade, Arabella nunca entendeu porque ele se fora, sumira. Coisa mais difícil de se entender são as razões da vida, que separam as pessoas que foram supostamente colocadas no planeta para caminhar juntas. Na relação familiar isso acontecia demais e Arabella custava a entender como tudo sucedera e porque chegara àquele ponto.
Nunca fora das pessoas mais amorosas. Tinha muito amor para dar, mais o seu jeito racional e totalmente avesso à vulnerabilidade nunca permitiu que ela se entregasse às demonstrações de afeto explícito. Seu pai idem. Assim, foi sendo criadaum a rede de separação. A tênue linha que afasta pessoas próximas e que, de repente releva um abismo entre elas.
Era muito parecida com seu pai. Até demais. Talvez por isso vivessem sempre se bicando. Ele, militar, extrema direita. Ela jornalista, extrema esquerda, ou, no mínimo, centro-esquerda. Nunca dava certo. Quando entravam numa discussão era liquido e certo que houvesse faísca. Nunca terminava bem, mas... Sempre terminava bem porque se admiravam, se respeitavam. Eram discussões inflamadas, passionais, mas, sempre, respeitosas. Ficava, sempre, no fundo, uma pontinha de admiração um pelo outro.
Ela sabia que, para ele, era modelo de alguém que, no mínimo, batalhava. Arabella, logo cedo começara a trabalhar. Queria a independência e se até os dias de hoje ainda pena por esse tal de conforto financeiro, ela pode dizer-se, pelo menos, alguém livre para fazer o que deseja. Conquistara isso a duras penas, mas conquistara. Não era totalmente feliz. Claro, ninguém o é, mas, estava de bem consigo mesma no quesito liberdade.
O problema era que, por capricho do destino, ou, por falta de cuidado do mesmo, ela se viu afastada da família. Primeiro foi o casamento que a distanciou dos irmãos e da mãe - incompatibilidade entre marido e família.
Ok, vamos em frente, tudo se resolve. Pensava ela.
Mas, com o pai... Não achava justo tudo ter terminado daquela forma. Estava há quase um ano sem saber dele. Isso, com os dois morando na mesma cidade! Não era justo. Sofria com isso.
///~..~\\\

Escrito por Arabella às 10h43
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Atos e Fatos

Nada como um dia depois do outro. A insatisfação persiste, a tristeza insiste, mas Arabella sempre procurou olhar para frente. Acordou com outro ânimo e tratou de afastar para longe as 180 toneladas que carregava sobre os ombros. Sabia que tinha, sim, motivos para ser feliz. Parece meio conformista pensar assim, mas ela tinha mesmo que arrumar pretextos para continuar caminhando. Não se abatia fácil. Afinal, se autointitulava uma 'raladora'. Então, sigamos, pensava.
Lembrou-se de uma história que, um dia, ouviu de seu ex-marido. Ele contara que, no seu trabalho, um repórter do principal telejornal da casa fora escolhido para apresentar o dito jornal aos sábados. Era uma honra. Uma deferência. Estava tão feliz que não escondia uma certa prepotência de ter sido escolhido e, algumas vezes, se achava até, melhor do que realmente era. Tudo por causa da escolha por ele.
Foi quando um editor, para brincar com a prepotência do tal, lhe disse: Tudo é uma questão de ponto de vista. A gente pode ser feliz ou infeliz, basta olhar de uma forma diferente para o mesmo fato.
Você, por exemplo, está todo cheio de si porque irá apresentar o Telejornal aos sábados. Dez, Tem mesmo é que ficar feliz. Agora, se quiser sofrer, veja que está trabalhando aos sábados para bancar a folga dos apresentadores principais, que no fim-de-semana, vão para a praia e viajam, enquanto você está lá a ralar. Riu.
Era verdade e, nessa linha, Arabella sabia que poderia sofrer ou ser feliz pelo que quisesse ou desejasse.Bastava desviar o olhar e o foco para atos e fatos que valessem a pena ou não...
///~..~\\\

Escrito por Arabella às 11h13
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Edição Extraordinária

Tinha que se mexer. Não dava para ficar ali, sentada de frente para o nada admirando a ausência. Ausência tinha ela dentro do seu ser. Não podia continuar naquele estado de letargia.

Ok, está muito bem, a notícia não era a que você esperava. Parecia que as coisas finalmente iam começar a acontecer. Você agradeceu a Deus por estar viva, por ser capaz e por ter amigos... Ok, Ok! Mas, não aconteceu. E agora? O que fazer? Ficar aí, de frente para o vazio admirando o vácuo?

Essas palavras, conjecturações, pensamentos, rodeavam a cabeça de Arabella se debatia internamente com a sua fraqueza para as frustações. Pensou em dormir. Embora execrasse o sono, muitas vezes desejava dormir profundamente por dias seguidos para só acordar quando se sentisse novamente forte e feliz.

Já havia chorado o suficiente. Não tinha mais lágrimas. Estava triste. Queria sumir. Queria ser invadida por aquele vazio que admirava.

O corpo pesava-lhe 180 toneladas! Não conseguia mover-se. Estava paralisada.De frente para a sua insatisfação. Encarando as suas frustações e tendo que digerir o fracasso do momento.

 Já pressentia que seria daquela forma. Não sabe porque, mas presentia.

Quando o telefone tocou e reconheceu o número no bina, já sabia: não iria acontecer. Não seria daquela vez.

Mas, quando, quando iria acontecer. Se perguntava insistentemente. A frase, como marteladas, torturava sua mente. Estava cansada de nadar, nadar para morrer na praia.

Nessa horas, também, sentia o peso de sua escolha por ser só. Não tinha para onde correr, a quem recorrer. Na sua sina de mãos dadas com a solidão, tinha que enfrentar tudo sozinha. Ninguém tinha nada a ver com o que passava. Não tinha porque ela não permitia. Sentia-se envergonhada de não conseguir avançar. E, envergonhada, não se permitia ligar para ninguém, falar com alguém. Queria se trancar. Ficar só. Fazer o que sempre fizera durante seus 36 anos de vida. Se encolher num canto, ficar bem quietinha e deixar o tempo passar...

Queria, mas não faria. Desta vez, não podia. O mundo não deixara. Logo, logo, tinha que pegar o carro, dirigir e ir buscar seus filhos na escola e, lá, com eles, se mostrar bem, para cima. Era assim que tinha que ser. A vida continua e outras oportunidades virão. Embora, cada uma delas que vêm e não acontece matasse um pouquinho mais a esperança de Arabella de se ver realizada. Mesmo assim, fazer o quê? Outras pessoas virão com novas ofertas e um dia a coisa acontece.

Um dia, o telefone irá tocar – como tocou na semana anterior – ela irá atender e, do outro lado da ligação, estará a redenção para seus sonhos. Ou não...

Não importa...

Agora, nada mais importa...

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 17h34
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O Sono - Filhos, PC e Viver - Parte II

O sono passou a ter alguma importância na vida de Arabella - alguma não, muita, vale ressaltar - quando ela perdeu o controle sobre ele. leia-se, assim, o fato da vida começar a tomar seus rumos próprios e as responsabilidades de Arabella deixarem de ser apenas estudar para tirar boas notas e poder viajar nas férias que, pasmem, acontecia duas vezes por ano! Aqui, vale até aquele velho recurso do flashback do tipo 'Eu era feliz e não sabia'. Já fomos felizes sim e não o soubemos porque estávamos tão preocupados em sofrer pelo que não tínhamos que perdemos, muitas vezes, o bonde da história. Com Arabella não tinha sido diferente. É inerente ao ser humano. somos condenados a eterna insatisfação e estamos sempre revivendo os tempos em que poderíamos ter sido e não fomos.
Bem, a verdade é que, há muito tempo, sono era artigo de luxo na vida de Arabella. Sentira isso mais fortemente quando tivera seus filhos. Era engraçado, mas, quer perder o domínio total do sono? Tenha filhos. E aqui não vai nenhum arrependimento por tê-los não. Não! Arabella os amava e curtia-os demais para permitir tais sentimentos. leia-se aqui apenas uma constatação. O sono vira artigo de luxo depois dos filhos. Noites em claro, dias em agito, tardes em atenção. É assim, pelo menos nos primeiros anos de vida dos pequeninos.
Arabella divertia-se, até, com isso. Porque ela, que sempre pregara que sono era artigo de luxo, estava, na época dos seus filhos pequeninos, sentindo na pele o que era querer e não poder. Ria de si mesma. Mas, olha, mesmo depois dos filhos crescidos, ela continuou no culto ao pouco sono. Acostumara-se daquela forma e agora era tarde demais para mudar. pelo menos, assim pensava. Seu organismo noctívago virava noites em cima de livros, vídeos e, com o advento da internet, claro, de frente para uma tela de computador. Aliás, a relação de Arabella com o tal do PC era por demais próxima. Passou a depender dele para tocar sua vida. Contas, trabalhos, leitura, controle doméstico etc etc etc tudo passava pelo PC e, claro, sua vida, que agora, passa virtualmente pelas telas e olhos de quem se interessa pelo dia-a-dia de uma mulher com mais de 30 que, aos poucos, descobre que viver é a arte de saber-se viva... E acordada!!! ///~..~\\\

Escrito por Arabella às 10h19
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