BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



O sono - Parte I

Arabella só percebeu a importância do sono quando perdeu o domínio sobre os momentos de descanso. Quando jovem, divulgava aos quatro cantos do mundo que dormir era pura perda de tempo. E não dormia mesmo. Virava noites, dias, sem pregar o olho. Queria aproveitar tudo, sugar o mundo avidamente para que nada lhe escapasse à visão, aos sentimentos, aos desejos. A mãe, claro, reclamava.
'Essa menina não para, não fica quieta. Num para em casa...', dizia. Ela nem ligava. queria engolir a vida por todos os poros. Orgulhava-se de ser frequentadora assídua de um barzinho típico da capital do país.
'Sou mobília do Gate's pub', orgulhava-se.
Tinha uma turma bem animada. Eram colegas de faculdade, músicos, desocupados, ocupados. Era uma moça bem eclética. Gostava de conhecer pessoas, lugares, fatos, novidades. Vivia na farra. Mas, era uma farra boa. Farra da vida. Experimentava, mas, sempre na medida, na conta certa que não a fizesse perder a noção de onde estava, com quem, quando, e porque. Experimentara as drogas? Sim, experimentara.
'Na medida do possível e razoável', justificava.
Lembrava-se sempre de sua fase porra louca com uns amigos músicos. Foi a fase mais pancada de sua vida. Não dormia mesmo. Andava pelos estúdios, acompanhando as gravações, curtindo um som e fumando unzinho. Adorava.
Até que, um dia, um dos amigos dos amigos, segurou-a pelo braço e disse:
'Ara, você tem que experimentar isso...'
'Isso o que?'
'Isso... a branquinha... o brilho, a cocada boa'
'Como? coca? Você está maluco?'
'tou, tou muito doidão. É muito bom. Experimenta, vai, você é sempre tão legal. Sempre tão maluquinha.. Vem, tem lá no estúdio, vamos...'
Arabela gelou naquele instante, sabia que aquilo era ultrapassar demais seus limites que, sempre maluquinha, mas com o pé atrás. Não queria aquilo. A idéia de ter algo químico transitando pelas suas veias, influenciando os seus pensamentos, manipulando suas emoções, deixou-a em pânico. Não queria. A voz do seu pai ao fundo alertando para tudo, a confiança que ele sempre depositara nela, a racionalidade de uma moça de vinte anos que estava entrando no mundo profissional, a mãe, os irmãos... Todos rondaram seus pensamentos naquele instante. 'Não. Larga meu braço!', disse ela rispidamente.
'Como não?'
'Não, claro que não... Olha só Beto, adoro você, os meninos, todo mundo... Mas, não vou entrar nessa. Tenho muitos outros planos para mim. Mais do que ficar doida por aí. sou maluca? Sim, sou, mas, fico no natural. Curto o natural. Não me venha com essa 'droga' química para cima de mim. E larga meu braço se quiser continuar sendo meu amigo', falou isso já se afastando dele e dizendo:
'Continuamos amigos. Esqueço isso tudo aqui e continuamos numa boa. Pode ser?'.
Foi embora.
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Escrito por Arabella às 14h25
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A Física Quântica

A noite já ia longe, alta e Arabella ali. Remexendo em seu passado, em papéis, fotos, lembranças, memórias... Sentiu-se cansada. Já tinha lido tanto, revisto mais ainda. Como se envolvia com o passado... Era impressionante como se deixava levar pelo passado. Tinha, até, uma teoria sobre o tempo - presente, passado e futuro -. Acreditava, mesmo, que o passado não deixava de acontecer. Para ela, o passado, o presente e o futuro - os momentos - eram preciosos demais para simplesmente acabarem.
O passado virando remoto, o presente virando passado e o futuro transformando-se em presente e depois em passado novamente e assim por diante... Por isso, acreditava que todos coexistiam em camadas diferentes, em momentos diferentes mas, ao mesmo tempo!
Eu explico. Era como se ela pensasse que a Arabella de cinco anos ainda está lá trás correndo e brincando entre as mangueiras da transmissora, onde morava com seus pais e sua irmã, numa cidade do Nordeste brasileiro. Essa menina, brincalhona, faceira, gorduchinha ainda existe, está apenas em uma outra camada do tempo. Por sua vez, a adolescente de 13, 14 anos, ainda sofre (lá trás) com seus amores incompreendidos e ainda sonha com o futuro promissor que desenha para si própria. Ainda sai para jogar vôlei com os amigos nas tardes de quinta-feira depois de fazer as tarefas de casa...
Em outro instante, a moça de 19 anos ainda se apaixona por Alex no saguão de um hotel e, mais, tarde, volta para Brasília, onde começa a trabalhar e a sonhar com seu destino profissional. A mesma Arabella está, nesse momento conhecendo seu ex-marido, se casando, tendo filhos... Tudo em momentos distintos, mas, ao mesmo tempo, simultaneos, em dimensões distintas de tempo. É isso mesmo: dimensões. Faltava a palavra para expressar seus pensamentos. Mas, se tratava exatamente disso: dimensões distintas coexistindo.
E, um dia, assistindo a um desse programas de entrevistas numa TV a Cabo, se interessou pelas palavras de um Físico. Ele falava sobre a física quântica. Para a surpresa de Arabella, ele repetia exatamente o que ela tinha para si como a teoria do tempo. Pode? Sem nunca ter estudado física quântica ela percebeu que ele defendia exatamente a sua teoria: o tempo acontece simultaneamente em momentos/dimensões diferentes... Arabella parou de pensar que era louca e começou a se considerar uma estudiosa, observadora dos fenômenos da vida...
///~..~\\\

Escrito por Arabella às 10h13
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Caixa do Derramamento - As lembranças saem - Parte III

Arabella abriu a caixa, começou a mexer e remexer no seu passado. Tudo ali, guardado em uma caixa. Anos de adolescência, planos, sonhos, verdades, mentiras, esperas. pegou uma agenda. A de 1987, quando começou a escrever para a posteridade. Ali, estava a data, os dias, os sentimentos que sentira naquele ano. Engraçado folhear aquilo tudo quase vinte anos depois. Naquela época, com seus 19 anos, tinha planos, sonhos. ainda os têm, mas incrível como mudam. o prisma é outro. As prioridades mudaram.
Agora, com 36 anos, dois filhos, separada... tem a vida pela frente ainda, claro - ela não era nem louca de pensar que estava velha. Não é o caso. Pensava apenas que a vida estava em outro momento e divertia-se, naquela hora, ali, sentada no chão, de frente para uma caixa de papelão, listrada, branca e azul, com todos aqueles papéis, fotos, escritos, cartas, cadernos em sua volta. Incrível como o tempo passa e a gente nem percebe, pensou consigo mesma. Riu de seus dramas aos 19 anos, 20, 21 anos...
Sofria, amava, sonhava...
Remexeu no fundo da caixa, bem lá no fundo. Achou umas fotos, rasgadas... remendadas. Eram fotos de Alex. De novo o Alex. Não esquecia-se dele. Elocubrava sobre seu paradeiro. Por onde andaria, o que estaria fazendo. Será que ainda voava pela Varig? Imaginava e sentia um vazio por não ouvir mais falar dele, por perder completamente o contato. Incrível. Esse vazio a incomodava mais do que o fato do amor dos dois não ter dado certo. Ela simplesmente não admitia o vazio. Era solto demais, inexistente demais para existir... Talvez, essa angústia com o vazio tivesse mesmo a ver com carência... Talvez ela não tenha aprendido a viver com a falta, a ausência...
Alguém consegue administrar o vazio? Perguntava-se
Talvez por isso ela relutasse tanto em se desfazer da 'Caixa do Derramamento'. Talvez, ela tivesse mesmo essa necessidade de tocar o passado e revivê-lo.
Uma vez, uma conhecida, a condenara por manter aquelas lembranças ainda ali. Você nunca se livrará delas. Você viverá sempre com o fantasma de suas recordações e lhe rodar e perturbar se não se desfizer dessa caixa. Disse a amiga.
Mas, Arabella relutava. Não via a coisa dessa forma. Pensava consigo mesma que ali estavam momentos felizes de sua vida e, quem sabe, ali também estava a oportunidade de um dia reencontrar os que foram. Guardava as cartas, os endereços, os escritos. Um dia, sairia pelo mundo resgatando o passado e recriando o futuro. tudo sem muita angústia. Apenas a curiosidade de reencontrar, saber como estão os personagens do seu passado e dizer:
Olha, voltei aqui para dizer que não te esqueci...Sem dramas, sem sofrimentos, sem cobrança... Encontrou uma carta de uma Pen Pal que morava na Alemanha....
///~..~\\\

Escrito por Arabella às 11h14
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Caixa do Derramamento - Pen Friends - Parte II

Decidiu-se finalmente por abrir a 'Caixa do Derramamento'. O cheiro de papel guardado trouxe logo a lembrança do tempo em que a correspondências com amigos se fazia por carta e levava dias para se efetivar. Já naquela época, nos idos dos anos 80, ela antecipava o que seria a internet de hoje. Claro, não era nada eletrônico, mas, era uma constante troca de envelopes com pessoas do outro lado do mundo. Amigos que fizera em outros países usando, apenas, o recurso da escrita em papel. Da postagem nos correios, do envio, da espera, da ansiedade por notícias...
Nada mesmo se compara à emoção de andar até a caixinha de correio, meter-lhe a chavesinha na fechadura e conferir a chegada dos envelopes. Ela ansiava por esse momento. Lembra-se que o carteiro sempre passava depois das cinco da tarde e era quase como um ritual. Arabella, todos os dias - inclusive aos sábados, só que nestes, ao meio-dia - descia no elevador, geralmente depois de terminar a tarefa escolar, e ia até a caixinha de correio. Seu coração batia mais forte naquele instante, era simplesmente mágico aquele momento do dia...
Arabella sempre vivera essa eterna espera por uma carta, uma notícia, uma mensagem... Amava o que nem sabia o que era, mas, amava. Sabia, que um dia, o carteiro traria 'a notícia' que mudaria sua vida, seus planos, seus rumos. Era assim. Talvez isso seja algo parecido com ser sonhadora. Era isso, Arabella era uma sonhadora. Vivia entre o eterno conflito de ser racional o bastante para sofrer com o dia-a-dia e com a realidade e a constante necessidade por voar, buscar sonhos... Liberdade. Era assim: vivia também de sonhos...
Acontece que, nos idos oitenta, ela participou de um programa que chamava-se Pen friend. Era uma espécie de troca de correspondência com amigos de outros países. Preenchia-se um formulário, com seus dados, e enviava-se para a Finlândia. Para lá, jovens de todo canto do mundo também enviavam os seus dados. As informações eram cruzadas e cada um que escreveu recebia uma resposta com os endereços dos amigos que poderiam fazer em outros países. Arabella fizera alguns amigos na Alemanha, Finlândia, França e África do Sul...
As cartas desses amigos, ela ainda guardava, na 'Caixa do Derramamento'. Correspondiam-se em inglês. Agora, abrindo aquela caixa, voltavam as lembranças, os escritos, todos ali guardados... O cheiro.. Ah, o cheiro... o Cheiro de papel que há tanto Arabella esquecera. O advento da internet acabara, matara um pouco essa magia do papel. De se guardar os escritos, de manuseá-los. Coisa mais impessoal é um e-mail. Se quiseres guardar, favor clicar em 'arquivos', depois, 'imprimir', depois 'ok', depois... Depois é olhar para um papel impessoal com um letra 'times new roman'... Ninguém Merece!
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Escrito por Arabella às 10h50
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