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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos MSN - bianadf@hotmail.com
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Arabella Bella
A Caixa do Derramamento
Arabella não sabia se tinha feito certo em mexer naquela caixa. Ela sempre ficara ali, em cima, no armário, fechada. Nunca mexia nela. Sabia que cheirava a problemas. Não, problema não era bem a palavra. Cheirava a angústia. Por isso, a caixa levava o sugestivo nome de `Caixa do Derramamento`. Era só mexer nela e saber que iria se derramar em lágrimas. Ali estavam todas as suas lembranças. Cartas, fotos, escritos, palavras ditas em vários momentos de sua vida. Desde 1987, quando conhecera o Alex, Arabella começara uma saga de escritos, escrevia quase que diariamente.
'Para a posteridade', dizia. Queria que um dia seus filhos lessem e a conhecessem melhor. Soubessem como a mãe deles era na essência. Uma mulher como outra qualquer, sem aquele conceito de mãe imaculada que todo filhos tende a ter da mãe – pelo menos até uma certa idade. A história é que, ali, ela era ela. Arabella, apenas.
Certa vez, quando ainda era casada, o seu marido pediu-lhe permissão para ler o que ela escrevia. Queria saber que tipo de legado ela estava deixando para seus filhos...
‘Pode ler, mas, prometa-me nunca comentar nada do que está escrito ali. Não quero saber o que pensa. Leia e pronto. Só isso.’, disse.
Ele leu. Leu e não conseguiu segurar-se.
Árabella, o que é isso?’, interpelou-a.
‘Você está escrevendo essas coisas para nossos filhos. Uma mulher angustiada, triste, cheia de mágoas. O que você acha que eles vão pensar de você? Vão pensar que a mãe deles era uma depressiva. O quê que há. Você não tem esse direito’, disse ele.
‘Você é que não tem o direito de julgar o que escrevo ou deixo de escrever. Estou assim, sinto-me triste, sem ânimo, sem forças. Busco forças em meus escritos, em meus filhos. Não posso mentir para eles. Não estou numa fase boa. Não posso ser hipócrita e você sabe disso...’, retrucou e pediu-lhe:
‘Por favor, não leia nunca mais o que escrevo em minhas agendas. É meu, pessoal. Se, um dia, eu me for antes de todo mundo, decida se deixará nossos filhos lerem, mas, por favor, me reserve o direito de ser, pelo menos, aqui, nessas páginas, honesta comigo mesma, com meus filhos...’, disse.
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Escrito por Arabella às 10h24
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'O Sapo de Sandra'
A história de Alex e Arabella teve vida longa, mas só na mente e imaginação de Arabella. O amor perdura até hoje em seu ser - escondidinho, dentro de uma caixinha, preso para que não saia e mostre as caras. É uma lembrança gostosa que ela insiste em ter toda vez que se fala em grandes paixões. A realidade foi bem diferente.
Se encontraram algumas vezes, outras vezes mais. Alex foi até Recife visitar a sua amada, mas já não chegou com ares de amante, apaixonado, amoroso. Foi até ela, falou de suas dificuldades e sem que Arabella descobrisse o por quê, acabou com o namoro. Com o Namoro, porque com o amor ele jamais conseguiu acabar. Arabella tem hoje Alex como uma paixão mal resolvida. Algo que ela nunca conseguiu explicar os porquês: porque começou, porque existiu, porque terminou.
A última vez que se viram foi há mais de uma década. Quando, ainda jovem, Arabella decidiu que iria até o Rio de Janeiro assistir a um show de Alex. Além de comissário de bordo, ele também aventurava-se pelo mundo da música. Tinha uma bandinha com o sugestivo nome de 'Sapo de Sandra' e dava os seus shows em Niterói. Foi no início da década de 90 que ela foi até ele... Pela última vez. Acertaram tudo. Ela ficaria, e ficou, na casa dele, da avó dele. Quando chegou ao Rio de Janeiro e o viu caminhando pelo saguão do Aeroporto Internacional do Rio sentiu-se feliz, completa. Tinha ido em busca de seu sonho.
Ele, como sempre, muito simpático, atencioso correto... Seguiram para a casa dele, onde morava com a avó. De noite seria o show... Foram para o show. Arabella ficou nos bastidores. Tinha ido fotografar a performance de seu amado e sentia-se uma rainha, a escolhida, por estar ali, acompanhando o guitarrista da banda, o seu amor. Convidada especial. Viera de longe. A glória!
Durante o show, clicara o seu amor por várias vezes, de vários ângulos. Tudo ia às mil maravilhas até que, entre uma música e outra, ele parou para falar com a platéia. - Essa música, eu dedico a alguém muito especial que está aqui hoje e que eu amo muito. Arabella inflou-se, era para ela, claro! - Alguém de quem eu gosto muito e que, bem, não estou vendo agora onde ela está, mas, está por aí, na platéia... Arabella desabou. Estava na primeira fileira, em frente a ele. Como não me vira e, como não falara diretamente para ela? Saiu imediatamente pela tangente, foi para os camarins, encontrou uma garrafa de wiskhy e começou a beber... Virou o gole, bebeu até ficar com dó de si... embebedou-se! Chorou... Chorou copiosamente... Quando o show terminou, Arabella tentou até enxugar as lágrimas. Alex a encontrou encolhida, num canto da coxia. - O que houve? Está passando bem? - Estou bem, está tudo bem, não é nada. Disse disfarçando. - Mas.. Retrucou ele. - Não é nada, já lhe disse... Saíram. Foram levar os outros músicos em casa e seguiram para casa. Chegando lá, Alex voltou ao assunto. - O que houve? Você chorou? - Chorei sim, claro que chorei. Eu viajo milhas e milhas para encontrá-lo, venho só para fotografar o seu show, faço tudo isso e você, na minha cara, na cara dura, dedica a canção preferida sua, a mais romântica, a alguém que você não pode ver na platéia, quando eu estava à sua frente? - Arabella, o que é isso, aquilo era um show, performance, teatro. - Como, e você nem para me falar agora que era eu quem você procurava??? Começou a chorar,novamente, incontrolávelmente. Arabella Soluçava... Saiu de perto. Foi para o quarto. Bêbada, vencida, jogada. Sentia-se um trapo humano. 'O' trapo humano! - O que é isso Arabella, sabe o que sinto por você? - Sei? Não, Alex, não sei não. Pensei que soubesse... Sentiu-se envergonhada de seus sentimentos e, naquele momento, olhou para ele e jurou: - Você nunca mais me verá chorando assim, Alex. Nunca mais! Amanhã pego o primeiro avião de Volta para Brasília e esqueça que me conheceu... No dia seguinte, partiu e nunca mais se encontraram....
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Escrito por Arabella às 18h42
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