BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



A gente se fala...


Brindaram à boa sorte de terem se conhecido. Brindaram com água.
- Brindar com água... Não sou muito a favor disso. Já ouvir falar que não dá boa sorte brindar com água. Traz tristeza. Disse Alex.
"Tristeza?", pensou Arabella. Nada poderia ser triste naquele encontro que foi providenciado pelos Deuses e conspirado pelo universo..
- É mesmo? Nada poderá ser triste em nosso encontro. Disse.
Brindaram ao mesmo tempo... sincronizados.
- Você é muito bonita, dócil, uma garota para a gente não esquecer. Disse ele
Arabella acreditou. Já estava apaixonada.
Alex era comissário de bordo. Morava em Niterói, no Rio de Janeiro. Estava ali de passagem. Não importa. Estava apaixonada. encontrara o homem de sua vida. Não o deixaria partir. Queria ter filhos com ele, casar, formar uma família, ser feliz. O roteiro de sua vida ao lado dele já estva pronto, montado, esperando para ser rodado e começava ali, naquelas primeiras cenas. Tinha essa certeza.
Foi quando ouviu ao fundo uma voz de mulher chamar seu nome num tom ríspido.
-Arabella! venha cá! Era a sua mãe e o tom indicava que ela não estava nada satisfeita com a cena, a noite, o sumiço dela.
- Mãe?
- Sua mãe? Perguntou ele. Espantou-se.
- Sim. Tenho que ir. Me dá um minutinho?
Arabella foi em direção da sua mãe que estava com uma fisionomia de poucos amigos.
- Quem é aquele? Como você pode dar papo para um estranho dessa forma? Por que não apareceu no desfile? Cadê sua irmã. Foi um turbilhão de perguntas. Parecia uma metralhadora giratória, sem compaixão.
- Calma, mãe. Estou aqui em baixo. Estive aqui o tempo todo. Conversando...
- Com quem? Com aquele cara horroroso?
A mãe de Arabella era implacável... quando ela estava contrariada não tinha quem a fizesse ser simpática.
- Calma mãe. É um amigo. Alex. Conheci hoje. É comissário de bordo da Varig. Não vá me dar escândalo, mãe. Por favor!
- Então, vá lá, se despeça e volte. E chame sua irmã. Rápido!
Arabella voltou, foi até Alex. Explicou a situação. Disse que deveria ir. Que a mãe não tinha gostado nada nada de vê-la ali, conversando com um estranho. Mas, que, para ela. ele (Alex) não era mais um estranho.
- Me dá seu telefone. Vamos nos falar. Estou vindo sempre a Recife. A gente se fala. Pode ser?
- Claro! Mas, tem um porém: só dou o meu telefone com uma condição. Só se você me ligar. Tenho horror de conhecer alguém e simplesmente perder o contato dessa pessoa e nunca mais ouvir falar. Se isso for acontecer, por favor. Nem me dê o seu número... nem pegue o meu. Falou em tom firme.
- Claro que vou ligar Arabella. Jamais deixaria uma pessoa como você sumir da minha vida. Gostei mesmo de você. Sinceramente e sabe disso. Nossa história não se acaba aqui.
Aquelas palavras abraçaram Arabella que se sentiu bem como há muito não se sentia. Pegou um papel, anotou seu número de telefone. Tomou nota do de Alex. Se despediram e ela se foi. Alex embarcaria de volta para o Rio de Janeiro no dia seguinte às dez da manhã.
///^..^\\\


Escrito por Arabella às 13h01
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"Você é daqui?"


Cantavam a música 'La bamba'.
"Jo non soy marinheiro...
soy capitan
soy capitan"
Ah.. relembrar tudo aquilo faz o coração de Arabella palpitar até hoje. Ainda ama Alex... Seu primeiro amor...
Os rapazes e moças cantaram e se divertiram até que o pianista do hotel disse que teria que ir embora porque acabara o seu horário e não podia mais ficar. Reclamaram. Ouviram-se vários
- ahhhhhh... fica mais um pouco...
A essa altura, Arabella já estava perfeitamente integrada ao grupo. A música acabou e ela olhou para Alex. trocaram olhares, energias, sentimentos em questão de segundos. A empatia foi imediata. O fascínio instantâneo. Estava encantada. O encanto dura até os dias atuais. Está guardado numa das caixinhas que tem guardadas em seu órgão vital, em seu espírito eterno. Mas, num outro momento, explico o por quê das caixinhas...
- Oi, disse ele
- Oi, respondeu ela, com um sorriso estampado no coração e um olhar maroto. De criança traquina, levada da breca. Arabella mantém até hoje esse olhar, sempre que se recorda de Alex, sempre que se esquece da angústia e da saudade de seu cotidiano sentimental, amoroso, vazio...
Alex era um rapaz de 19 anos, assim como Arabella. Ao contrário dela, que é morena, cabelos escuros, ele tinha a pele clara, olhos azuis como o céu em dia de sol claro. Cabelos cacheados. "Parecia um anjo", pensava ela.
- Eu me chamo Alex e você?
- Arabella...
- Belo nome, aliás combina com belo, combina com você. Brincou.
- Arabella baixou a vista. Não sabia receber elogios. Era uma barreira que tinha. Não conseguia sequer agradecer pelo comentário lisonjeiro. Ruborizou.
- Não precisa ficar envergonhada, estou falando a verdade, falo sobre o que vejo...
E, emendou em um outro assunto:
- Bem, a música acabou, por que a gente não junta todo mundo e sobe para o quarto de um de nós e continua a farra por lá.. a cantoria...
- Não! Reagiu Arabella. Tinha medo daquele tipo de convite. Não era moça fácil aliás, estão preparados para a grande revelação? Era virgem. Com 19 anos, era ainda virgem! Bobinha, até.
- Calma, a gente vai todo mundo junto. Sem nenhuma intenção. É só porque está tão boa a cantoria...
- Não.. não posso! Minha mãe está num desfile aqui, no mezanino e não posso desaparecer. Terei que ir para lá logo, logo.
-Ah, ok, sem problema. Estou com sede. Vamos tomar uma água?
Foram até o bar do Hotel, no saguão. Alex pediu duas águas. Incrível como ele olhava fundo nos olhos de Arabella. Em sua ingenuidade, Arabella jamais vira um olhar como aquele: profundo, penetrante, desconsertante.
- Arabella... você é daqui?
- Não, de Brasília. Quer dizer, nasci aqui, mas quase nunca morei por aqui. Aos cinco anos, comecei a viajar com meus pais. Sabe como é, filha de militar...
- Ohou... Filha de militar. então terei que ter cuidado. Brincou
Arabella deu um sorrisinho sem graça. Não Gostou da brincadeira.
- Bem, então quer dizer que devo agradecer à boa sorte por você estas aqui hoje? Continuou.
- Talvez... Arabella estava encantada. Amor à primeira vista.
A data?
12 de fevereiro de 1987.

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Escrito por Arabella às 14h26
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Não quero ficar na sua vida.... Como uma paixão mal resolvida...


Não conseguira mais dormir naquela noite. Passara o resto da madrugada pensando, chorando, lembrando, querendo, afastando, racionalizando. Arabella era uma sedutora por natureza. Sentia-se bem com isso e sofria ao mesmo tempo por não conseguir aquietar seu coração que, bem ao estilo da música (que dizia) "quer guardar o mundo em mim", cantarolava.
Resolveu que sairia. Iria dirigir um pouco. Quando estava angustiada, ela pegava o carro e se danava a dirigir pelas estradas. Fez isso uma, duas três, inúmeras vezes já.
Pegou seu carro, e saiu a dirigir. Abriu bem os vidros, ligou o som e entrou em transe.
-Killing me soflty...
Ela sentia inveja de quem amava. Queria sofrer profundamente por amor, sofrer verdadeiramente. Com o coração, com sentimento. Arabella sentia-se vazia. Amava Alexandre, mas, não o suficiente para arrebatá-lo e retirá-lo de sua vida e tê-lo ao seu lado, para sempre, como manda os mais belos contos de fadas. No fundo, achava que toda essa descrença dela no amor era reflexo de situações que vivera ao longo dos seus 36 anos e, pasmem, resultado do seu primeiro amor. Uma história, por ela mesma definida, como mal resolvida.
Essa mulher de 36 anos já teve seus 19 e foi lá, no passado, que conhecera o que ela considera o grande amor de sua vida. Coincidentemente, o seu grande amor era quase um homônimo de Alexandre. Se chamava Alex. Se conheceram quando ela morava no Nordeste Brasileiro.
Tinha ido para lá com os pais. Fazia faculdade na época e, numa noite, seus pais a obrigaram a ir num desfile de modas num hotel cinco estrelas da capital pernambucana. Não queria ir. Queria estar em João Pessoa, onde estava até aquele dia com suas primas e onde conhecera um músico que tocava violino num dos botecos da capital paraibana.
'Mauro' o nome dele. Tinham trocado olhares e algumas palavras. Ela estava interessada nos acordes do moço e não queria ter que voltar para Recife para o tal desfile da loja de calçados de seus tios.
- Programa mais chato, de índio. Pensava e reclamava.
Não houve jeito, foi.
Chegando no Hotel, resolveu dar a sua contribuição de revolta e decidiu que ficaria no saguão do local perambulando até a hora do desfile. Ela, a irmã Isabella e a prima que viera de João Pessoa também rebocada.
Foi quando avistaram um grupo de rapazes e moças em volta de um piano. Cantando, divertindo-se. Logo se interessou. Mais ainda: foi até lá. Identificou logo um dos rapazes que cantava e brincava com todos. Era Alex. O grande amor de sua vida. A quem ela jurou amor eterno, provavelmente, no momento em que os anjos disseram amém.
começava ali a Trajetória de Arabella. Uma mulher errante e solitária, com uma paixão mal resolvida em seu coração...
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Escrito por Arabella às 08h20
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C'est tout


Arabella ficou em casa com seus botões e seus pensamentos. Não queria pensar, queria apenas deitar-se e dormir, mas, não conseguiu. Foi para a janela do seu apartamento e ainda pode ver o carro de Alexandre se afastando. Sentiu um aperto no peito. Sabia que não ia agüentar aquela situação por muito tempo. Não de novo. Mas, sabia também, que não tinha o direito de interferir na vida de Alexandre - mais do que já interferira.
Ela se conhecia. Sabia que não poderia exigir dele que acabasse com seu casamento. Que largasse tudo para ficar com ela. Se resignava, então. Sempre!
Arabella sabia que não podia pedir nada, mais ainda porque se conhecia e bem! Ela não agüentaria nem um mês vivendo com outra pessoa. Debaixo do mesmo teto. Fora casada por nove anos, não se submeteria mais à rotina de uma vida a dois. Se conhecia e não poderia exigir mais nada de homem algum.
Ela, simplesmente, não se imaginava mais tendo que dar satisfação de sua vida para outra pessoa... Como num flashback do futuro ela se viu telefonando para Alexandre, contando da sua vida, dos seus planos, de seus passos:
- Olha.. estou indo ao cinema... olha, fui almoçar com uma amiga... escuta, minha mãe me ligou, vou passar na casa dela... vou chegar tarde... etc etc etc. Não! balançou a cabeça, afastando aquelas cenas de sua mente. Definitivamente, não era para ela...
Arabella colocara na sua cabeça que não seria mais subordinada a homem nenhum. Parece bobagem, mas, ela considerava subordinação ter que dar satisfação. Coisas que as pessoas normais consideram companheirismo, consideração, respeito... Para Arabella, significavam prisão, mapeamento, cerceamento...
Em algum momento de sua vida, ela rompera com todos esses conceitos e criara uma aversão quase que animal pela vida a dois. Desenhara para si mesma que os dois únicos homens aos quais ela devia satisfação eram seus filhos. Ninguém mais. Isso, não por muito tempo porque ela mesma programara-se para deixar claro o limite da individualidade entre ela e os filhotes - os dois únicos homens que tinham passe livre no seu quarto e na sua cama eram.
Era cruel consigo mesma... e sofria com isso. Mas, conhecia bem sua natureza e, como sempre repetira aos quatro cantos de seu mundo: terminaria a vida só... errante.. solitária...
E, o pior, não sofria com isso! Achava até legal, desafiador. a verdade era que não queria dar trabalho para ninguém no fim da vida... queria apenas sair andando por aí... andarilha, sem rumo... Abraçará uma causa social e sairá pelo planeta....
E isso é tudo!
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Escrito por Arabella às 00h11
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