BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



A partida... Sempre!

Era quase meia noite quando Alexandre disse a Arabella que teria que ir. Era o momento que ela odiava... Ele também, mas, ela mais ainda. Sabia que tinha sempre que acontecer embora vivesse sempre a ilusão de que um dia aquilo tudo mudaria.... De que o fim daquele filme seria outro em algum momento da história dos dois e de que viveriam o destino natural de qualquer contos de fadas - o tradicional 'felizes para sempre'. Não acontecia nunca, infelizmente. Arabella estava deitada no lado esquerdo da cama, como costumava fazer. Estava sonolenta, quase dormindo. Acordou com o salto súbito que Alexandre deu na cama. Sentou-se afobado. Tinha caído em si e sabia que era tarde. Tinha que ir para casa. Tinha que pensar numa desculpa urgente. Sumira de casa, não aparecera depois do trabalho. Ficava no banco sempre até umas 20h. Era quase meia-noite. - Sempre assim... Murmurou Arabella, virando-se de lado. Estava contrariada, claro. Visivelmente contrariada. Sabia que era a outra, sabia quais são as regras, mas, sinceramente, odiava tudo aquilo. Mas, resignava-se... Fazer o quê? Tinha vontade de gritar, espernear, colocá-lo contra a parede, pressionar... Sabia que não podia. Sabia que não era justo com ele. Calava-se, portanto. Alexandre começou a se arrumar, a vestir a roupa. Enquanto se vestia, telefonava para casa do celular. Pensava rápido numa desculpa. O que seria possível numa hora dessas? Um sumiço de mais de quatro horas, sem dar notícias. - Pense rápido, pense rápido. Dizia ele a si mesmo. - Alô. .. Oi meu amor, sou eu... Arabella afastou-se, não era obrigada a ouvir aquilo. Alexandre prosseguiu: - Estava numa reunião. Aquelas coisas... celular sem bateria. Não tive nem como pedir para alguém te ligar. Quando percebi a secretária já tinha ido embora. E era com o Sérgio. É o Sérgio, da diretoria de crédito. Não, não.. não tinha mesmo como ligar. Desculpe-me. Claro, eu entendo... Eu também ficaria chateado se você sumisse tanto tempo. Desculpe meu amor... Olha só.. em quinze minutos estarei por ai.. conversamos em casa... tá... tá... TÁ! Não, não posso falar muito agora... Meu amooooor!!! Falou já com uma certa irritação. Não P-O-S-S-O F-A-L-A-R agora! Disse, frisando bem as letras. Desligou. Olhou em volta e Arabella já não estava no quarto. Não percebera que ela tinha saído de perto. Foi até a sala... Não estava lá. Cozinha... Também não... Encontrou-a no escritório. Alexandre começaria agora a negociar com o outro lado da história. Também sentia-se cansado com tudo aquilo. - Minha vida é uma eterna negociação, resmungou... - Eu ouvi, disse Arabella. - Desculpe, meu amor, é que às vezes, fico entre a cruz e a espada. - Poderia ficar somente entre a cruz. É uma questão de opção. Arabella sabia que estava sendo cruel com ele. Sabia que, no fundo, não tinha esse direito. Ela sempre concordara com as regras do jogo e, mais, dessa vez, ela podia reclamar menos ainda. Afinal, ela que ligara para ele, no meio da tarde, sem avisar. Há muito tempo que não se viam, não se falavam... - Tá... tá bom, por favor, me perdoe. Estou sendo injusta, sei disso. Vem cá, vem me dar um beijo antes de ir. Deixa eu arrumar sua gravata... Beijaram-se calorosamente. Quase que colocavam tudo a perder e de novo se jogavam na cama. Ele se conteve. ela também. Alexandre afastou Arabella, olhou-a nos olhos e ternamente deu um beijo em sua testa. - Te ligo amanhã, posso? Perguntou ele. - Claro, Deve! Respondeu ela. Alexandre se foi... ///^..^\\\

Escrito por Arabella às 16h02
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A sede de te amar me faz maior


Arabella entrelaçou Alexandre com seus braços longos. Puxou-o para perto de si e sentiu o corpo dele tremer ao tocar o dela. Se beijaram com mais paixão. Se tocavam simultaneamente. A mão de Alexandre percorria o corpo dela com desejo, vontade e carinho. Deslizava pelos ombros.
Alexandre apertava Arabella com ternura . Tocou o ventre dela. Ela, por sua vez, estremeceu. Sentir as mãos de Alexandre deslizando pelo seu ventre era uma sensação indescritível. Queria salvar aquela sensação em seus arquivos pessoais para consultar depois num momento de saudade.
Ela gemia, suspirava e se entregava cada vez mais. Abriu os olhos ligeiramente e viu Alexandre desejando-a cada vez mais. Ele, lentamente, abriu o roupão que Arabella vestia. A peça de roupa deslizou pela cama e caiu no chão do quarto. Ali ficou: desarrumado, solto, tanto quanto estava Arabella - desarrumada, solta, entregue...-.
Aos poucos, ela foi desabotoando a camisa de Alexandre. Lembrou-se que, coincidentemente, ele vestia a mesma camisa quadriculada que vestia no dia em que ela o viu pela primeira vez. Sem blusa, ele encostou o corpo no dela... estremeceram, os dois, juntos. Lentamente, ele começou a beijar cada centímetro do corpo dela. Passeava a língua por toda Arabella. Passou as mãos por entre suas coxas... ela suspirou. Estava absolutamente excitada.. ensopada... jorrava prazer... Ele bebia todo o prazer dela... Mergulhava por entre suas pernas, brincava com o sexo de Arabella.
Ela gemia e apertava as pernas puxando Alexandre para perto de seu prazer. Estava ofegante. Respirava alto. Estava em êxtase, quase lá...
Era incrível como se acertavam, como se encaixavam. Arabella, deitada sobre a cama, entregue, dada, levantou um pouco a cabeça e viu Alexandre mergulhado entre suas pernas. Suspirou e fechou novamente os olhos. Foi quando sentiu uma onda de prazer invadir seu corpo e gritou. Estava lá, tinha alcançado, tinha chegado ao estado máximo de prazer. Gozava e gritava para o mundo saber: - Alexaaaaaaandre, eu te amo!
Ele bebia mais e mais o gozo de Arabella. Queria tê-la para sempre... Não era justo que se privassem um do outro.
Alexandre levantou a cabeça e viu a mulher que amava e adorava estremecer, desfalecer, entregar-se depois do prazer. Deitou sobre ela, que ainda em êxtase, puxou-o para perto de si. Sentiu o peso do corpo dele sobre o dela. Beijou-o.. queria sentir, na boca do seu amado, o prazer que ele a tinha dado. Beijaram-se apaixonadamente.
Alexandre afastou-se um pouco, olhou para ela e carinhosamente e invadiu Arabella. Ela gemeu, ele também. Estavam unidos num só corpo. Eram uno. Ela o sentia, ele a sentia. Ela o apertava com o seu calor e ele reagia com sua força.
- Tome posse do meu ser. Ele é seu, sempre será. Repetia Arabella.
- Prometa-me que sempre será minha Arabella. Prometa que sempre será minha. dizia ele.
Alexandre falava com a voz entrecortada. Fazia força para estar cada vez mais unido a Arabella e cada vez mais conquistar espaço dentro dela. Gemiam.. juntos, coordenados, apaixonados.
- Deixe-me vê-lo. Disse Arabella. queria ver os dois se unindo. Às vezes gostava disso. Pequenas perversões que povoavam seu universo erótico. Se é que se pode chamar isso de perversão.
Alexandre entrava e saia dela. Ela admirava o encontro dos dois, apreciava o rosto de Alexandre. Aqueles cabelos grisalhos caindo sobre sua face, suado, intenso. Queria gritar que o amava, amava, amava...
Alexandre estava em surto. Êxtase. Fechou os olhos, Acelerou seus movimentos, queria ser ela, estar tão dentro que se tornariam um só, contrariando as leis da física, ocupariam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Ele enrijeceu, esticou-se, soltou um grito, explodiu dentro de Arabella. Ela, acompanhou. Perderam juntos os sentidos, entregaram-se ao momento, saíram de seus corpos e se encontraram no universo dos que amam e juntos se uniram no gozo de paixão.
Eram 15h30 quando Alexandre chegou à casa de Arabella. Ficaram juntos até tarde da noite. Como? Se amando...
///^..^\\\


Escrito por Arabella às 00h17
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Vou abrir a porta pra você entrar... beijar minha boca, até me matar.. de amor!!!



É como Arabella deixou a porta entreaberta... estava ansiosa... Queria, tinha medo, queria, tinha medo... Oscilava entre o querer muito e o ter medo de estar fazendo a coisa errada. A verdade era que estava precisando desesperadamente ver Alexandre, tocar, abraçar, amar.
A Ansiedade foi aumentando conforme o tempo passava. Arabella sempre fora muito cética quanto ao amor. Claro que sonhava com todas aquelas coisas - alma gêmea, cara-metade, príncipe encantado (- não, príncipe encantado era demais. Príncipe encantado não! Protestou Arabella contra seus próprios pensamentos). Riu sozinha e descontraiu-se um pouco.
A vinte minutos da li, Alexandre, por sua vez dirigia o carro afobado. Estava louco para estar lá, ao lado dela. Queria, naquele momento, uma máquina que permitisse que ele se desintegrasse e se remontasse ao lado dela em questão de segundos. Como seria bom se existisse algo assim. algo como o 'pir-lim-pim-pim' do Sítio do Pica-Pau Amarelo... (riu). Evitaria trânsito, estresse, correria.
- Seria maravilhoso, falou sozinho, e, alto dentro do seu carro. Escutava uma música antiguinha. Uma em inglês. A letra dizia algo com "Ican't live without you...". Encaixava-se como uma luva no seu momento. Era um CD, uma trilha de filme (Cassino, com Robert de Niro e Sharon Stone). Ele adorava esse filme, mas...
O CD era de sua esposa. Ela que comprara. Sentiu um rápido remorso. Estava indo encontrar-se com a mulher da sua vida e, essa, infelizmente, não era sua esposa. Ficou mal com isso, sentiu culpa, lembrou dos filhos, sentiu-se o último dos últimos. Como podia fazer uma coisa daquelas? Como? E, mais, por que?
- Há coisas e razões que a própria razão desconhece. Repetiu para si mesmo em voz alta e tratou de aumentar o volume da música...
I can't live... live without yoooooooooooooou.... Cantou alto, acompanhando a letra.
Quando chegou na portaria do prédio de Arabella, nem precisou se identificar. O porteiro já o conhecia e ela, precavidamente disse que não precisava anunciar, que ela já o esperava. Tinham se falado há pouco pelo telefone. O porteiro acenou com a mão e abriu a porta pelo interfone.
Alexandre nem esperou o elevador. Subiu as escadas correndo, ofegante... Três andares!
Quando chegou na porta do apartamento, quando ia tocar a campanhia, percebeu a porta entreaberta. Ousadia de Arabella, deixar a porta destrancada. Ele simplesmente adorava esse jeito dela de ser. A porta ali, aberta. Podia não ser ele a chegar, podia ser outro alguém. Ela se expunha, corria riscos, se lançava no momento. essa era a Arabella que conhecia e ele simplesmente adorava isso. Amava-a mais...
Em sua cama, Arabella, deitada, depois de um banho. Vestia um roupão apenas. Deitara-se displicentemente e relaxaram tanto que, envolvida no bem-estar pós-banho e pré-chegada de Alexandre, chegou a cochilar. Estava em paz como há muito não se sentira.
Alexandre andou devagar, diminuiu o ritmo da ansiedade e quando chegou ao quarto viu Arabella deitada. tinha um frescor. Respirava calmamente, exalava paz. Com uma perna estendida e a outra dobrada, estava na posição que mais se sentia confortável para dormir.
Alexandre aproximou-se. Ela, a bella, não percebeu. tinha sinceramente caído num sono, leve, mas já entrando no reino de Morfeu. Ele chegou bem perto dela. olhou-a por um momento. Admirou-a. Ele estava feliz. Lentamente e com muito carinho, se sentou-se na cama próximo a ela. Arabella percebeu o peso do corpo dele por sobre o colchão. Abriu os olhos lentamente e simultaneamente abriu um sorriso amplo, leve, feliz. Essa a Arabella que Alexandre amava: ali, linda, entregue, criança, mulher, fêmea.
Ele foi curvando o corpo e se aproximando do rosto dela... passou a mão pela sua face. Ela virou o rosto, tocou a mão dele e beijou-a. Ele olhou-a nos olhos, se aproximou mais e mais e beijou sua boca. Se abraçaram. Arabella sentiu uma onda de calor, falta de ar, felicidade, angústia, vontade, apreensão, desejo e muito mais tomar conta de seu ser. Chorou. Estava feliz. Estava com o homem que amava e estava sendo amada....
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Escrito por Arabella às 00h12
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E tudo que eu ofereço é meu calor, meu endereço


- Alô... respondeu Arabella. Nervosa, sua voz saiu trêmula. Era visível que ela estava apreensiva. Ele sentiu isso. Ela não pôde ver, mas do outro lado, um sorriso tomou conta do rosto de Alexandre. Ele sentiu subitamente um bálsamo envolver o seu ser. Estava sentindo uma alegria indescritível e que ele lutava para não deixar transparecer. Em alguns segundos, passou pela sua mente toda a história dos dois, desde o momento em que ela sentou-se à frente de sua mesa e, com uma folha de papel, começou um jogo de sedução entre os dois. O flashback foi inevitável. Alexandre estava feliz, muito feliz com aquele telefonema. Não sabia por que ela estava ligando, mas sabia que uma coisa era certa: seu número de telefone ainda fazia parte da agenda dela. Não jogara fora...
- o... oi... disse ela, gaguejando. É Arabella, lembra de mim? Desnecessário aquele comentário. Ela sabia disso e percebeu no meio da frase. Atitude boba. Parecia uma adolescente...
- Não, não me lembro... pode me dizer de onde nos conhecemos, brincou ele.
- Da cama! Descontraiu Arabella. Os dois riram nervosamente.
- É, acho que já dividimos a cama algumas vezes... riu
- É, acho que sim...
O silêncio ficou no ar. Momento difícil esse. Quando se quer dizer tudo, se tem medo de dizer algo e se espera ouvir tudo...
- O que você tem fei... falaram os dois ao mesmo tempo e novamente riram. Engraçado como o papo fica emperrado quando ligamos para alguém com a qual há muito não se fala e, mais, que ainda se ama.
- Quero você, disse Arabella interrompendo o atropelo.
Silêncio. Alexandre ficou pálido. Arabella não via, mas sabia. Os olhos deles se encheram de lágrimas. marejaram profundamente. Também queria aquela mulher desesperadamente. Sempre a amara. Nunca a esquecera. Sofria com a distância, com o silêncio. todas as noites, quando ia dormir, antes de fechar o olhos, antes de se entregar a Morfeu, era a Arabella que entregava seus pensamentos, seus sonhos e seus desejos mais íntimos.
-Ah... Arabella... Alexandre suspirou. Por que, por que e por que você sumiu? Onde você está? Continua morando em Brasília? Mudou-se? Conte-me, me diga, me leve de volta para os seus dias...
- Quero você. Era tudo o que Arabella conseguia dizer, repetir, como num surto, entregando-se aos caprichos do seu coração e desprezando os apelos da razão.
- Aonde você está agora?
- Em casa, sozinha... Deixou no ar o pedido - venha para cá, venha me ver... Pensava.
- Não saia daí. Me dê vinte minutos. Não saia daí.Disse num tom quase de ordem, mandamento... Ah, Arabella, como eu te amo. Foram as últimas palavras de Alexandre antes de desligar o telefone.
Do outro lado, Arabella, deixou o fone cair sobre o aparelho do telefone e começou a chorar. Era uma mistura de felicidade, com arrependimento, com desejo, com vontade, com felicidade novamente...
Não se moveu. Apenas levantou-se para ir até a porta e destravar a fechadura...
Alexandre tratou de chamar sua secretária. Disse que tinha surgido um imprevisto, que explicava depois. Que teria que sair e não tinha hora para voltar. Não era nada grave, mas era inadiável. Se ligassem da sua casa, despistasse, encontrasse uma desculpa qualquer. Mas, não apavorasse ninguém. Era um problema de ordem pessoal que ele resolveria sozinho. Pediu compreensão da secretária para que fosse discreta com a sua família.
Pegou o casaco, a chave do carro e correu para a garagem do prédio. Estava ofegante, ansioso. Nos seu peito, seu coração também parecia que iria pular pela sua boca. Estava feliz, confuso, ansioso, apreensivo, feliz novamente...

///^..^\\\



Escrito por Arabella às 23h53
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The long and winding road


- Okay, okay,se a regra é seguir em frente, sigamos, pois...
Arabella estava realmente cansada... o último mês consumiu suas forças e ela não agüentava mais ter que continuar naquele batente. Rezava por uma folga, por momentos de lazer, por colo... Sempre assim: forte e determinada, sentia falta de colo. Fazer o quê?
De uns tempos para cá, Arabella decidira mudar seu discurso pessoal na esperança de que, por meio do poder das palavras, mudasse o curso de sua história. Eu explico:
Ela sempre repetira aos quatro cantos do seu mundo que era uma mulher forte, determinada, que veio a esse mundo a trabalho e não a lazer, que sempre dava conta, que nunca iria pedir nada a ninguém, que conseguiria seguir em frente sozinha, que sempre fora errante e solitária e que assim será para todo o sempre... Amém. Certo? ERRADO.
- Erradíssimo, repetia.
Arabella sonhava agora com conforto, com pessoas ao seu redor, mimando-a. Dizia até que agora sonhava com alguém para pagar as suas contas...
- Chega de lutar pela independência feminina. Já provamos que conseguimos. Somos capazes. Já mostramos que é possível... Agora, é a hora de voltarmos a ser o que queremos ser: mulheres, mães, femininas... Quero alguém que pague as minha contas! Não quero mais dividir a conta do jantar, do cinema, do lanche, do presentinho! Nãaaaaaaaaaao!!! Chega! Chega! Chega! Revoltava-se.
Tinha mudado sua forma de encarar o mundo, de olhar a vida. Queria, agora lazer. Num erro de cálculo, no passado, durante toda a sua vida, buscara sempre trabalhar, trabalhar e trabalhar para prover, prover e prover. Estava cansada, sinceramente cansada. Há muito, não sabia o que era ficar à toa, ficar com os filhos, se permitir ser feliz.
A sua personalidade forte e seu orgulho enorme que não permitia que ela desse o braço a torcer, fizeram de Arabella uma mulher obstinada e workaholic. Já fazia algum tempo que não dava espaço nem mesmo para seus amores. Alexandre virara uma lembrança longínqua em sua memória. quase apagada. Retida numa das inúmeras caixas de seu coração. Num dos infindáveis compartimentos aonde reservava suas paixões.
mas, lembrança boa era a de Alexandre. Pensamento que a fazia sorrir quando começava e chorar quando mantinha por muito tempo. Chorava copiosamente, como criança. Lamentava a própria sorte e o seu jeito de ser. Desejava ardentemente tê-lo de volta... sofria...
Foi numa dessas crise que ela decidiu. Pegou o telefone, discou os oito números regulamentares do celular... o sinal indicava que estava chamando...
O coração de Arabella foi ficando cada vez mais acelerado, parecia que iria sair pela boca. dava para ver pela sua camisa o peito arfando de nervoso. Estava tensa, suando frio, nervosa. A demora em atender era para ela um sinal de que ele reconhecera o número no bina e não queria atender. Sofria com a perspectiva de nunca mais falar com ele...
O telefone chamou uma... duas.. três... seis vezes!
Foi quando Arabella decidiu desligar...
-Alô, respondeu do outro lado.
Arabella tremeu. Era ele, Alexandre, seu grande amor...

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Escrito por Arabella às 23h22
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