BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



Caros espectadores, com vocês: A Culpa!


Por que carregava sempre aquela culpa com ela? Arabella não sabia por que, mas tinha sempre com ela, aquela culpa por tudo e por nada. Sentia-se culpada porque partira, sentia-se culpada porque ficara. Se telefonava culpava-se se não, da mesma forma. Vivia angustiada. Parecia que estava sempre devendo explicação a todos. Se estava feliz, sentia-se culpada. Não podia ser feliz. Tinha feito muita gente sofrer e não era justo que fosse feliz. Se estava triste, sentia-se culpada por si mesma. Tinha a obrigação de ser feliz.
Será que tinha vindo ao mundo predestinada a viver esse eterno drama da culpa? Essa eterna dúvida da felicidade. Conformava-se muitas vezes e acalmava o coração com um pouco de paz. Tinha a certeza de que carregava a cruz e o fardo do tamanho que escolhera antes de vir para esse planeta.
Adorava a tudo e a todos, mas, não sentia-se á vontade de, muitas vezes, expressar seus sentimentos e retraía-se. Sentia vergonha de poder estar sendo inconveniente, de estar ultrapassando limites, avançando. Por outro lado, tinha a certeza de que já ousara bastante e essa era a tônica de seus passos. Já atravessara oceanos para ir atrás de um grande amor, já rompera com amores consolidados por ter a certeza de que eles já terminaram, já ficara quietinha quando todos esperavam que corresse, já correra quando a ordem era recuar. Aceitava desafios, não dizia não para situações difíceis e caminhava sempre em frente. Mas... A culpa! A eterna culpa a acompanhava...
Por que? Por que? Não tinha resposta para isso. Não conseguia libertar-se. Abaixava a vista, olhava para baixo e sentia culpa por sentir culpa. Pensava e repensava a sua culpa milhares de vezes, milhões de momentos. Não parava de pensar. Era contínuo, cíclico. Ela estava sempre ali, a culpa, como uma sombra a acompanh[a-la mesmo nos dias nublados. Por que? Por que?
As pessoas chegavam (até) a admirar Arabella. Achavam-na intrépida, desbravadora, guerreira. No fundo, ela sabia que era frágil. Mas, já era tarde, não dava para chorar na frente dos outros. Tinha que guardar suas angústias para si mesma e, mais uma vez, sentia-se culpada por isso. Tinha que fazer mais e mais, agir mais, correr mais, andar mais, pagar mais para ver, enfrentar... Fazia tudo isso... Mas, ainda, ela: a Culpa!
Eterna companheira e parceira, não sabia mais viver sem ela e, num ato de compaixão e desespero, deu a mão à sua culpa e, há muito, passaram a ser companheiras, a caminhar juntas.... de mãos dadas...
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Escrito por Arabella às 11h06
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