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Arabella Bella Qualquer maneira de amor vale amar! - parte I Estavam juntas há mais de dez anos. Era uma relação bonita. Companheiras, eu diria. Arabella adorava encontrar com elas. Sentia-se bem e procurava, de vez em quando, o conforto e o aconchego d o cantinho que elas tinham: Paula e Laura. Eram assim, quase irmãs até no nome. Arabella gostava, na verdade, de observar a relação das duas. Ficava imaginando se eram sempre tão companheiras. Se aconteciam, entre elas, as brigas, desavenças, ciúmes e mal-entendidos, como sempre acontecera entre Arabella e seus amores, entre ela e Alexandre... Ah, Alexandre... faz tempo que não ousa pronunciar o nome dele. Tem procurado evitar. Afasta os pensamentos. Principalmente quando a solidão e a angústia invadem o seu ser. Arabella não podia evitar o amor que ainda sentia por ele, mas, era preciso admitir, já tinha conseguido aplacar boa parte da ansiedade e angústia de não mais tê-lo... Seus relacionamentos, aliás, sempre foram assim. Cumpriam estágios ¿ ainda cumprem, por certo... Primeiro, o interesse. A análise dos prós e contras e uma leve vontade... Depois, o bote... Parte para cima quer conquistar, quer ter, quer experimentar, acima de tudo. No momento seguinte, vem a irracionalidade... não enxerga mais nada à sua frente. A vontade de estar com a pessoa amada é forte, pujante, vital... fica nesse estágio por algum tempo, até, que de uma hora para a outra, começa a desacelerar. Percebe que já não é como antes, que precisa dar um gás e não consegue encontrar o ponto e a medida certos para isso. Desespera-se, debate-se, até, que, resigna-se. Pára de ligar, de procurar, os contatos ficam mais esporádicos e, finalmente, quase inexistentes... Tudo isso, claro, tem tempos determinados, mas, não semelhantes. Tudo depende dos estímulos, da freqüência com que se visitam, do desejo... Com Alexandre, por exemplo, a fase da latência, do ¿deixa para lá¿, ¿deixa quieto¿ aconteceu numa hora errada. Ela interrompeu o processo quando ainda estavam no estágio da paixão. Isso deve ter atrapalhado e Arabella custava a conformar-se. Embora, tenha se resignado com a ausência, ela não o esquecia jamais e vira e mexe revisitava o amor dos dois em seus pensamentos e lembranças. Sofria com isso. Sempre e muito! (no próximo post, falo da relação das amigas Paula e Laura e da maneira como Arabella se sente, ao mesmo tempo atraída e receosa dos sentimentos que sente em relação às duas e seu relacionamento...) ///^..^\\\ Escrito por Arabella às 23h45 [ ] [ envie esta mensagem ] Difícil... Extremamente difícil... Não sabia exatamente por que, mas estava triste, coração apertado, angustiada... os últimos dias não tinham sido fáceis para Arabella. O trabalho em excesso, as cobranças, a falta de tempo para a vida estavam enlouquecendo-na. Arabella lembrou-se do tempo em que era casada e sentiu saudade da segurança, da confiança, da certeza, da comodidade de ter alguém dentro de casa. A certeza de chegar em casa e encontrar alguém para dividir os problemas, as angústias, os medos... Se, antes, ela pregava que era forte, agora, tinha que ser muito mais. Desde que se separara, passara a enfrentar o mundo de forma mais determinada. Com a certeza de que não podia fraquejar. Mas, lá no fundo, era frágil, precisava de colo, queria colo... Arabella queria muito poder voltar a amar seu ex-marido e retomar toda a alegria e segurança que enfrentava no casamento, na época em que tudo ia às mil maravilhas. Que nostalgia, que saudade, invadiu o ser se Arabella. Naquela noite, ali, no sofá, sentada de frente para o seu ex-marido ¿ enquanto ele falava sobre regularizar a situação dos dois, venda de imóveis, guarda dos filhos ¿ ela imaginava como seria se tudo tivesse sido diferente. Desejou, ardentemente, amar de novo aquela pessoa. Aquele homem que fora seu companheiro por nove anos. Ah... como as coisas tinham mudado. Por que? Por que ela simplesmente não se resignou e seguiu em frente na segurança do lar ao lado de um marido? Por que? A pergunta não saía da mente de Arabella. Ela se perguntava mais. Queria saber, lá no seu íntimo, se havia a mínima possibilidade de, um dia, voltar para aquele homem. Ele, ali, falando e ela, aqui, imaginando. Revirava as gavetas de seu ser, de seu coração e tentava encontrar uma fagulha que a fizesse retomar aquela história. Chorava por dentro e segurava as lágrimas para que não transparecessem em seus olhos. Arabella estava triste, murchinha, com o coração apertadinho. Queria tanto voltar no tempo, retomar a felicidade do início, o frescor do amor que um dia teve (e muito) por aquele homem que, agora, sentado à sua frente discutia detalhes sobre a burocracia de uma separação. "Faça o que você achar melhor. O Papel nunca foi importante para a gente. Você sabe disso", disse, triste, sozinha, solitária... queria colo... só isso... ///^..^\\\ Escrito por Arabella às 23h40 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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