BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



Tempo, mentirinhas e múltiplas funções


Tinha que aprender a administrar o tempo e parar para curtir os momentos. Com a cabeça sempre cheia de idéias, projetos e planos, Arabella não se desligava nunca e simplemente não se permitia fazer uma coisa de uma só vez. Tarefas simples do dia-a-dia como por exemplo ¿comer¿ estavam na lista de multiplas funções. Nem 'comer' ela conseguia fazer na boa, unicamente, prestando a atenção. Já lera mil e uma teorias sobre o ¿viver o momento¿ para que ele seja introspectado e registrado. Não adiantava. Era de sua natureza...
Quando esquentou o prato no microondas correu para o computador e ligou a televisão. Claro que fazia isso quando estava sozinha em casa. Jamais ousaria se entregar a tal desrespeito consigo mesma na frente de seus filhos. Com os pequenos dentro de casa, ela era a rainha dos momentos vividos e bem aproveitados de forma única e intensa. Na hora das refeições, nada de televisão... Na hora do dever-de-casa, nada de distração, na hora da leitura, nada de rádio e assim por diante. Mas... quando estava sozinha, a história mudava de ãngulo e ela muitas vezes se pegou refletindo sobre a distância que há entre o "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço".
Era bem isso. Ela crescera ouvindo essa frase do seu pai e odiava ter que engolir os limites e as regras que ele a impunha. Portanto, agora, como mãe, no sindicato dos pais, ela se pegava repetindo tudo aquilo de novo, só que em papel trocado. "É, mas eu pelo menos procuro preservar a coerência", se desculpava, tentando minimizar a culpa em sua consciência.
Arabella procurava não fazer coisas erradas na frente dos pequenos. Sempre ouvira e lera nos livros que trazem fórmulas pré-concebidas sobre tudo que, para educarmos, temos que dar o exemplo. Pois bem, Arabella se esforçava. Procurava não mentir ou enganar os filhos e sempre rebolava para dizer as coisas da forma certa. Se falava no celular, por exemplo, e alguém perguntasse do outro lado da linha onde ela estava, jamais dava uma daquelas desculpas típicas de celular quando se quer despistar. Jamais dizia que já estava chegando no lugar se ainda estava saindo de casa. Isso, claro, quando estava com os filhos dentro do carro, ou por perto. Mas, se estava sozinha... ah.. aí era a certeza da impunidade. "Afinal, uma mentirinha não fará mal a ninguém", pensava.
"Claro, claro, meu amor, já estou pronta. Em dez minutos estarei aí", disse para Alexandre certa vez. Estava, na verdade, apenas saíndo do banho. Pelo menos justiça seja feita: Arabella era rápida no ¿se arrumar¿. Ela não perdia tempo escolhendo roupa e se a coisa começava a demorar, ia logo naquela que era a curinga e resolvia o problema.
Nesse dia, chegou meia hora atrasada. Alexandre já bufava de ira. Estava fumaçando. Odiava atrasos. Arabella Também, mas o que podia fazer. Tinha se atrasado, pronto, não tinha como disfarçar os ponteiros que acusavam trinta minutos a mais do que a previsão.
"Desculpe, meu amor, o telefone tocou e era a minha mãe. Não pude evitar. Os problemas com Isabella.. sabe como é...", disse numa voz carinhosa, toda dengosa, se desculpando e já beijando Alexandre nos lábios. Ele se odiava por isso. Sabia que ia perdoar. Sabia que não resistiria, jamais resistira, a àquele perfume, àquele toque, àquele beijo...
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Escrito por Arabella às 15h11
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Na fila, esperando.... erperando.. esperando...


"Ninguém merece essa fila de banco... ninguém merece". Essas eram as únicas palavras nas quais Arabella conseguia pensar ao estar ali, há mais de 40 minutos, de pé, atrás de outras 15 pessoas.
Os bancos nunca foram o passatempo predileto de Arabella e ela desafiava alguém que gostasse daquele martírio, daquela falta de respeito e inoperância. Enquanto esperava ali, com as pernas já doendo, foi observando cada um que passava à sua frente, cada um dos que estavam ali também na mesma situação.
Começou a analisar e tentar descobrir quem demoraria mais e quem seria rápido na resolução de seus problemas junto aos caixas. Lembrou-se que existe uma lei que determina que os clientes dos bancos não podem ficar mais de meia hora nas filas. "Que lei?", pensou... "Estou aqui há 40 minutos!", indignou-se.
E a fila preferencial... ah.. essa, ninguém merece quando não tem mais de 65 anos ou não está grávida, ou porta algum tipo de deficiência. Claro que Arabella concorda com a prioridade para tais, mas, sinceramente, ela odiou quando, ainda faltando cinco à sua frente, outros quatro idosos chegaram e tomaram a vez. E, mais, percebeu que os velhinhos levavam consigo vários papéis, contas... muita coisa para fazer na boca do caixa... "Ah.. ninguém merece.." repetia Arabella, imaginando que, quando tiver seus 65 vai usar esse direito sim... "e muito!".
Lembrou-se de quando estava grávida. Da forma como as pessoas olhavam para ela com ódio e como ela passava pelas pessoas com o olhar quase que pedindo desculpas e perdão por estar usando seu direito. Concordava com os idosos em fazer valer seus direitos, mas, sinceramente, odiava estar ali atrás dos direitos deles... Riu sozinha e se sentiu patética por pensar daquela forma.
Tratou de espairecer e, novamente, maldisse a Caixa Econômica. Nunca tinha ido a uma agência da caixa para não passar algum desconforto...
Foi nesse momento que se lembrou que, (não!), havia acontecido uma vez em que ela saíra no lucro... no dia em que conhecera, ou vira, pelo menos, pela primeira vez, Alexandre... Sentiu uma saudade forte no peito. Por um momento abstraiu o lugar onde se encontrava, esqueceu a fila que tinha à sua frente e sentiu as lágrimas escorrerem por um breve instante. Tratou de limpar os olhos, disfarçando... Era a saudade que ultrapassava as barreiras da racionalidade e revelava em seus olhos o verdadeiro sentimento que ela tem por aquele que ainda amava e que fazia uma falta infinita. O vazio aidna não fora preenchido, talvez nunca o fosse...
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Escrito por Arabella às 17h23
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que venha o público


Eram 12h40 da madrugada. Arabella jamais imaginara que aquele dia terminaria numa sala de espera de um hospital público. Triste e decepcionada, ela percebeu que a vida do outro lado do universo particular não é fácil. O 'público' é bem mais lento, difícil e complicado. Ainda mais, quando se trata de saúde. 
Acontece que, no meio da tarde, ao visitar uma amiga, um dos seus filhos foi brincar com um cachorro. Animal criado em casa, vacinado, boa pinta, mas, que adora beijar criancinhas. Beijou seu filho mais novo.. na boca... o dente entrou no lábio superior. Não fez estragos, mas machucou. Não saiu sangue, mas ficou a marca do dente do animal na boquinha do pequeno. Arabella, imediatamente correu a acudir o pequeno.
Tratou de acalma-lo e providenciou um sabão para lavar a área e desinfetar, afastando qualquer possibilidade de infecção. Fez, então, as perguntas básicas para saber se o animal estava  com a cartela de vacinação em dia. Estava. Pensou consigo mesma portanto: “bom, não saiu sangue, foi lavado, está limpo, não rasgou, o animal está vacinado... não creio que seja preciso levar ao hospital”. Não levou...
O dia correu normalmente na casa da amiga...
Ao ir para casa, com a noite já se avizinhando, pensou e refletiu. Percebeu que não ficara tranqüila se não soubesse realmente que não havia risco e decidiu passar num hospital para dissipar de vez qualquer dúvida. No hospital, particular, recebeu a notícia de que esses casos, só na rede pública. Só dois hospitais da cidade tratam do caso. Foi para um deles. Chegou por volta das dez da noite. Fez a ficha e começou a esperar... esperou... esperou e... esperou!
Na espera de um pronto socorro público, o filho, de seis anos, começou a ter uma pequena mostra do mundo real. Viu que a vida não é tão colorida como sempre imaginara... as cores, lá, são de sangue, dor, sofrimento.
Chegou um rapaz, algemado, vindo do centro de Atendimento e Triagem de menores. Estava curvado, esfaqueado, escoltado por dois policiais.
"Mamãe, por que ele está algemado? Por que dois policiais com ele? Por que, por que, por que???", perguntava o filho...
Ali, naquele momento, Arabella explicou o que acontece com quem faz coisas erradas, rouba, mata, infrige as leis e cai nas garras das prisões..."Por isso, temos sempre que nos esforçar para sermos pessoas de bem, fazermos a coisa da forma certa, seguir as leis", disse. O filho ficou impressionado. A noite foi premiada. Chegou outro com a orelha cortada, sangrando, outra gemendo de dor etc etc etc...
Duas horas depois, o atendente chama o nome do pequeno... Depois de duas horas de espera num pronto atendimento público!
Agora, justiça seja feita: o atendimento, da médica, novinha, atenciosa.. foi de primeira. Super gentil, simpática e interessada. Receitou a vacina anti-rábica, brincou com o filho de Arabella. Descobriu que estudou no mesmo colégio dele e fizeram amizade...
A experiência não foi fácil, mas, no fundo, Arabella ficou feliz em saber que na rede pública, ganhando pouco e num domingo à noite, ainda existem profissionais que se esmeram no atendimento e tratam bem os que ali chegam por uma continência do destino...

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Escrito por Arabella às 14h36
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É a vida... é bonita, é bonita e é bonita


A vida foi entrando aos poucos pelas janelas do apartamento de Arabella. A brisa daquele dia maravilhoso logo invadiu toda casa e junto com o ar clean e renovado veio a luz do dia, do sol. O calor dos raios do astro rei foi lentamente aquecendo cada espaço da casa e ela, a bella, foi se sentindo bem, renovada, feliz...
Respirou fundo. Encheu os pulmões de vida e, naquele instante, decidiu: "vou ser feliz, custe o que custar. Vou estar bem e vou provar para mim mesma que consigo entender o tempo (que for preciso) para que as coisas aconteçam", dizia isso para si, baixinho, quase sussurrando, até que percebeu que estava tímida demais, precisava, também, liberar a energia que invadia seu organismo... tinha que equilibrar a balança e... Gritou! Foi um grito forte e intenso. Uma explosão de felicidade misturada com satisfação.
Tinha passado por um momento de transe. Tinha se permitido e se entregado aos caprichos de sua mente que, naquele instante, dominou seu corpo e decidiu que, pelo menos naquele instante, quem mandava e comandava o espetáculo era ele: o lado libertação do cérebro. O transe durou não mais que alguns minutos... cinco talvez, mas, foi suficiente para mudar o olhar de Arabella sobre o mundo a partir daquele dia.
Como uma droga, entorpeceu o ser dela, modificou as cores da realidade, deu brilho e nuances aos momentos. Encheu de vida os pensamentos de quem só se sabia lamentar nos últimos dias. Mostrou que cada situação, cada palavra, cada gesto pode ser um ingrediente a mais na sua busca por ser feliz. Não se iludiu. Sabia que era apenas uma explosão de felicidade, mas, com certeza soube usar toda aquela energia que deixou entrar pelas janelas de seu apartamento e olhou para os lados. Viu paz e correu para acordar seus filhos. Queria compartilhar tudo aquilo com eles... num dia de domingo...

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Escrito por Arabella às 11h02
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