BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



40 minutos


Era perfeccionista, claro. E tinha lá suas manias. Dessas que a gente tem e guarda para si mesma porque revelam o traço de loucura disfarçada que não convém revelar a ninguém. Eram manias bobas mas que ela achava engraçado as ter e temia que a tirassem por maluca por causa delas. Uma: contar os degraus de toda escada que subisse ou descesse. Era incrível. Arabella terminasse de subir ou descer uma escada, podia perguntar a ela que o número de degraus e a resposta estava na ponta da língua. Contou essa mania um dia a seu filho mais velho e pronto. Foi o suficiente para que ele não mais largasse do pé dela. Ele simplesmente ria das histórias da mãe e a via como uma pessoa absolutamente maluca (no bom sentido, claro).
Quer saber do que mais? Arabella gostava de ter esse conceito de uma 'mãe maluca', para os seus filhos. Isso significava que eles a tinham como uma parceira. Alguém em que pudessem confiar e dividir as loucuras do dia-a-dia. Para seus meninos, ela era a irreverente e o pai o cara certinho. Era bom isso, porque balanceava os conceitos dos meninos e dava a eles uma liberdade de transitar entre dois tipos de pessoas que, embora diferentes, concordavam sempre com a mesma criação para os pimpolhos.
Outra mania, não pisar em listras pelas ruas. Desviava todas. Era como se tivessem marcado as ruas, calçadas, avenidas para delimitar e delinear sua passagem. Um dia assistira a um filme que falava dessas manias. "Melhor Impossível", era o nome do filme se não falha a memória. Falava de um homem que, de tanto valorizar essas manias, terminou escravo delas e se tornara uma pessoa amarga e  cheia, claro, de manias. Arabella ria dasituação mas, tinha medo de ficar assim também: uma velha rabugenta cheai de manias.
Outra (mania de Arabella): contar número de placas de carros e somá-las, subtraíndo uns pelos os outros e verificando se o resultado revelava um número divisível por onze. Entenderam? Nem ela sabia mesmo explicar. Era uma regrinha que aprendera ainda no cursinho para se livrar de pegadinhas no vestibular. Era uma forma de dividir um número enorme rapidamente e ter condição de dizer se era ou não múltiplo de onze. E não é que caiu uma pegadinha desse tipo na prova do vestibular. Nem preciso dizer o quanto Arabella se sentiu feliz por isso. "Pelo menos alguma coisa havia aprendido", pensava.
Alexandre sempre rira de suas manias. Ele dizia que ela definitivamente não existia e que era absolutamente nonsense. Mas, a amava por isso. Muitas vezes, propositadamente, ele a levava para lugares como um calçadão, para observar a lógica pessoal de Arabella e perceber a forma como se deslocava, desviando das linhas do local. "Era hilário", pensava e a desejava cada vez mais. O fato era que Alexandre sempre vivera uma vida mais para o lado regrado do que para a irreverência. ao contrário de Arabellla que sempre primara pela liberdade e pela total irreverência. Está bem, é preciso esclarecer também que loucuras têm limite. Ela nunca fora insana o bastante para colocar em risco sua vida, de seus filhos (principalmente) ou de quem eur que seja. Eram apenas pequenas loucuras que apimentavam a vida de qualquer um.
Gostava de fazer coisas inesperadas. Um dia, no meio do nada, numa tarde de sol, numa quarta-feira, pegou o telefone e ligou para ele, Alexandre. Estava de folga no trabalho e resolveu mexer com a vida de Alexandre. Telefonou e disse: "estou entrando num banho agora. Vai demorar quarenta minutos. Você me pega na saída?", perguntou. Ele, claro, enlouqueceu. O homem ficou impaciente. Não podia sair naquele momento, mas, não podia ficar também. Tratou de arranjar as coisas pelo trabalho. Tinha relatórios a entregar, papéis a assinar, decisões a tomar.. nada, nada disso segurou Alexandre. No momento em que ele ouviu o click do telefone sendo desligado do outro lado da linha, sabia que seu único e irrevogável compromisso, naquele momento era pegar o carro e, em quarenta minutos, estar na porta do banheiro de Arabella resgatando-a do banho. E foi o que fez. Disse, no trabalho que tinha um imprevisto, que não podia explicar naquele momento e que precisaria sair. Não voltaria mais naquele dia. Agora, só na manhã seguinte....

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Escrito por Arabella às 09h38
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o dia do dia mais feliz de sua vida


Retomava a vida aos poucos, a vida longe de Alexandre, e aquele dia era um dia prometido para ser especial. Ela não sabia bem por que, mas tinha a gostosa sensação de que aquele era "o dia". Acordou feliz, radiante, tinha uma sensação gostosa de ter as energias fluindo, circulando. Desde que conhecera Alexandre e que começaram a se relacionar com ele, não tinha estado tão de bem consigo mesma. Era um daqueles dias em que queria fazer tudo e ao mesmo tempo. Quando falava, atropelava as palavras tamanha era a quantidade de informação e emoções que queria passar para as pessoas.
Ao acordar, pulou da cama, entrou debaixo do chuveiro, tomou um longo e agradável banho. Daqueles que a gente só se permite de séculos em séculos. Seus filhos já tinham acordado e bincavam no quarto deles. Vestiu o roupão, enrolou a toalha na cabeça, perfumou-se e saiu do quarto.
Quando abriu a porta, por alguns momentos, ficou observando de longe seus filhos. "Como já cresceram e como crescem rápido", pensou e riu consigo mesma. Arabella achava fascinante esse maravilhoso mundo da maternidade. Tinha uma relação muito boa com os filho e achava muito louco esse processo de criá-los e ir identificando neles os passos dados por ela mesma quando era criança também. Lembra-se que, para ela era quase impossível imaginar que seus pais também foram crianças e, agora, com os filhos ali na sua frente, pensava que eles poderiam imaginar as mesmas coisas...
Cada dia era uma descoberta para eles, para ela, e uma troca infinita de experiências. Eles definitivamente preenchiam a vida de Arabella. Era uma loucura e ela adorava essa loucura. Reclamava, claro. "Quem não reclama", justificava ela. Mas, amava tudo aquilo. E, era nesses momentos que sentia uma felicidade extrema.
Pensava Arabella: "são esses momentos que preciso observar, sentir e guardar numa caixinha bem preciosa para , no futuro, abrí-la e poder reviver essa cena maravilhosá".
Quando tudo acabou entre ela e Alexandre. Quando ela decidiu que a vida seguiria sem ele, Arabella sofrera muito. Ela que tinha terminado com o relacionamento deles, mas "e dai"? ", se perguntava. "Não é simplesmente porque eu pus um ponto final em tudo que eu estarei feliz com a situação. Acabei porque ainda gosto dele imensamente e sei que nada nos fará ficar juntos". Alexandre tinha sido, na vida dela uma grande paixão, um eterno amor que ela guardará para sempre numa das caixinhas que carrega em seu coração. Tinha uma vontade louca de ligar para ele e, mais, não admitia que no futuro ficassem tão distantes que não mais ouvissem falar um do outro. Isso era algo que apavorava Arabella e ela sofria...
Mas, num dia como aquele, feliz e cheio de energia, Arabella queria mudar o mundo. Tratou de afastar os pensamentos em Alexandre, de sacodir a poeira da sua vida e dar a volta por cima. Chamou seus filhos e anunciou: hoje, seremos mais felizes do que ontem. A molecada sorriu espantada e fez a maior algazarra. Arabella decretara que aquele seria o primeiro dia do resto de sua vida sem Alexandre e ela faria daquelas 24 horas as mais felizes que se possa imaginar....

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Escrito por Arabella às 09h58
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Programada para viver só

Arabella e Alexandre adoravam se amar, amavam amar! Os dois eram sincronia pura e era isso que os fazia mais próximos e cúmplices. Embora, claro, vivessem sempre sob a (maldita) sombra da clandestinidade. É sempre assim. Quando se entra num relacionamento com uma pessoa casada, ambos pensam que serão maduros, racionais e fortes o suficiente para segurar a onda e dar conta da situação. Ambos têm a certeza de que a história só terá bons momentos pois saberão administrar. Com Arabella e Alexandre não tinha sido diferente.

Primeiro, ela - tão segura de si, tão certa de seus propósitos e de suas expectativas em relação àquela história -, segundo, tinha a coisa de que ela não queria mais viver com outra pessoa. Queria apenas manter uma relação saudável e gostosa sem o envolvimento do cotidiano da convivência diária. "Isso, eu deixo para a esposa dele", brincava com a tituação.

É, mas as coisas não são bem assim quando se traz a teoria para a prática. Por isso, ela tinha resolvido terminar tudo - como o fizera. Agora, Arabella vivia de recordações. Era um poço de `ses`: se tivesse dado certo? Se tivesse investido? Se tivesse se entregado? Etc etc etc...A verdade é que a vida continua e Arabella estava, em plena quarta-feira, numa fila de banco - outro banco, não o de Alexandre - esperando por sua vez para ser atendida e, inevitavelmente, pensando e recordando a história dos dois. Não dava para abstrair que tudo começara por causa de uma ida dela ao banco. Ali, em pé, agora, ela sorria sozinha, lembrando as loucuras e, também, sozinha, lamentava o desfecho de tudo. Já fazia mais de dois meses que não se falavam (ela e Alexandre). Ele, de vez em quando, mandava mensagens para ela por meio da internet. Recadinhos que diziam que ainda a amava, que ela ainda era a pessoa mais importante da vida dele e que tudo seria diferente se ela tivesse dado um voto de confiança para a história dos dois.

Arabella esperava na fila e se analisava. Via como era, também, uma pessoa chata e de difícil convivência. Fazendo uma avaliação crítica de si mesma, ela concluía, sempre, que era alguém quase intragável. E se pegava enumerando seus pontos de chatice extrema. Começava pelo fato de não abrir a guarda nunca. Tinha a sua vida e não permitia que ela fosse alterada por outrem. Arabella tinha a noção exata de quanto era mala.

Com a vida toda esquematizada, com seus filhos, sua forma de criá-los, de entendê-los, Arabella não era fácil. Ela simplesmente não conseguia consentir que alguém, externo, interferisse na sua harmonia pessoal, e, desse palpites no modo como conduzia a sua vida. "Para isso que pago as minhas contas, sozinha, sem ajudas externas", repetia ela toda vez que alguém a criticava. Era assim mesmo. Ela não era fácil e foi por isso e muito mais que a história deles não deu certo. Arabella era egoísta demais para permitir que alguém entrasse em sua vida. E, tinha ainda a presença constante do pai de seus filhos. Arabella o tinha em alta conta e jamais permitiria que ele fosse afastado so convívio dos filhos. "O problema dos meus filhos é que eu e o pai deles os amamos demais e 'brigamos' para tê-los perto o maior tempo possível. Ele é tão pai quanto eu sou mãe. Então, não há distinção entre um e outro. É tão assim, que vivemos uma guarda compartilhada e discutimos tudo em relação aos meninos", dizia sempre.

Era asim e isso é difícil para quem entra 9de pára-quedas) nessa relação. Mais difícil ainda para uma pessoa que já é casada. Aí, então, era que o espaço de acesso à vida de Arabella ficava mais e mais restrito...

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Escrito por Arabella às 11h31
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A noite dos sonhos

Seguiram de carro. Andaram por quase quarenta minutos e Alexandre sem ter amínima idéia do lugar para onde estavam indo. Ele podia apenas perceber que estavam saindo da cidade, pois o barulho, o movimento de trânsito ficava agora mais brando.

Arabella conversava animadamente. Falava do dia dela, das confusões no seu trabalho, da sua vida, dos seus filhos e da alegria de estar ali com ele. Ela realmente sentia prazer em estar com Alexandre. Era tão bom quando a relação ficava assim: leve, solta, de cumplicidade e troca. Arabella, por um momento, recordou-se de quando ela teve a primeira desiluzão com o relacionamento dos dois. Não chegou nem a ser uma briga, pois não cabia discussão. Foi algo básico, típico de quem se relaciona com um homem casado.

Eles tinham combinado que iriam sair juntos no dia em que completariam um mês de namoro, ou caso, ou relacionamento... (fica tão difícil classificar uma relação com um homem casado, que Arabella tratou de mudar de pensamento e deixar de lado esses dogmas e classificaçoes, enfim...). Eles tinham combinado tudo. Alexandre diria em casa que estava indo para um jantar com os amigos. Compromisso típico de homem quando quer se reunir para fazer o 'Clube do Bolinha'. Disse que a turma do vôlei tinha marcado naquela noite e iriam ficar até tarde jogando conversa fora. A mulher dele, claro, acreditou. Depois de mais de dez anos de casamento, tem certas coisas que já não interessam mais se respondem ou não às perguntas básicas - quando, como, onde, por que, com quem... -. Aliás, nesse caso, para ela o que interessava era apenas o 'a que horas volta?' e, o çelular vai estar ligado?'. 

Estava tudo certo. Nada podia dar errado para os dois amantes que já não conseguiam mais disfarçar o amor que sentiam um pelo outro,. Passaram o dia, a manhã, a tarde, até a noite, ansiosos. Com dor de estômago, frio na barriga, impaciência. Estavam loucos para estar juntos, livres, descomprometidos, amantes....
Mas, claro, nem sempre as coisas são como esperamos que sejam... No dia, no fim do dia, um telefonema do colégio dos filhos de Alexandre mudou todo o curso da história. O menino tinha passado a tarde mal e estava vomitando bastante. A coordenadora do colégio ligou para a mãe e a mãe ligou para o pai (Alexandre). Ele, apavorado, com todo o pânico que cabe em momentos como esse, deixou o trabalho, no meio da tarde e seguiu para o colégio. Chegando lá, encontrou a criança pálida, fraca, chorando... os pais fizeram as perguntas básicas e seguiram para o hospital. Chegando lá, depois de uma bateria de exames, a suspeita: menigite.

Alexandre ficou desnorteado. Pediu para a esposa levar o filho mais novo para a casa dos avós e ficou ali, ao lado de Pedro, acompanhando todo o processo de exames, uma bateria deles, de acompanhamento, de expectativa. Não poderia pensar em outra coisa... esqueceu o compromisso... não ligou para Arabella, esqueceu o mundo em volta e se entregou aos cuidados do filho. passou a noite toda em claro, ao lado dele, rezando, pedindo prometendo...
Claro que Arabella se sentiu a última das últimas. Claro que ela entendeua situação, mas, razão e emoção vivem em conflito quando se trata dos caprichos do coração. Naquela noite, chorou, chorou intensamente e se conscientizou da sua condição de amante. "Amante, sim. É isso que sou e vou continuar sendo.", pensava ela e chorava, enquanto tentava desesperadamente falar com Alexandre pelo celular, que estava desligado...claro...
Arabella acordou do seu momentâneo surto de flashback no momento em que parou o carro em frente a um chalé. Era um lugar muito aconchegante. Desta vez, ela preparara tudo e tomara o cuidado de raptar Alexandre, antes que algum imprevisto acontecesse. Deu um beijo carinhoso no rosto dele, passou as mãos pela sua nuca, foi subindo até que desatou a venda. Alexandre abriu os olhos e deu de cara com o rosto de Arabella, sorrindo para ele. O sorriso que ele amara desde o primeiro momento, um sorriso que brilhava, ela toda brilhava. Se abraçaram e se beijaram como dois amantes apaixonados e perdidos de amor. Aquela noite foi perfeita...foi única... foi eterna


Ah.. só para não deixar no ar, o filho de Alexandre estava apenas com uma virose ....

 

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Escrito por Arabella às 11h24
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As loucuras de Arabella


A chave foi uma história que já era passado na vida de Arabella. De vez em quando, ela gostava de relembrar essas pequenas loucuras que fazia quando estava com Alexandre. Naquele dia, (o da chave) ele deixou o banco ansioso e impaciente. Queria logo descobrir o significado daquela chave. Romântico, pensava em coisas românticas, claro. Imaginava que era a chave da casa dela, do coração dela, da vida dela... Ah, Alexandre, tão romântico. Tão apaixonado...
Arabella também estava apeixonada, também tinha seus rasgos de romantismo, também sofria com a ausência dele. mas, já estava mais do que provado que, naquela relação dos dois, ela era o pé no chão da história. Até porque, depois de quase uma década de casamento, casada, a moça tinha agora era vontade de curtir a vida e se apaixonar, sim, mas, sinceramente, viver o que a paixão tem de bom.
Arabella tinha uma teoria. Para ela, o relacionamento começa a dar errado quando começam a se cruzar os problemas de um com os do outro. Ela já tinha vivido a experiência do casamento e tinha sido feliz sim, imensamente feliz - para dizer a verdade - , mas, acabara. Por um zilhão de motivos que nem ela conseguia pontuar direito. Lamentava profundamente o fim, mas, como já dissera e repetia incansavelmente, ela optou pela verdade. Preferiu seguir em frente sozinha, dando conta da vida, e dos seus dois filhos, do que viver num clima de falsa harmonia.
Um dia, surpreendentemente, numa das raras conversas que tivera com sua irmã, ela ouvira de Isabella (sua irmã) a leitura que tinha da separação de Arabella. "Na época, eu fazia terapia. conversei com minha analista sobre a sua separação. Ela (a terapeuta) me perguntou o que eu sentia em relação à sua separação e eu respondi que lhe admirava muito por ter tido a coragem de seguir em frente e fazer o que achava correto fazer. Achei um ato de coragem", disse a irmã, olhando nos olhos de Arabella.
Arabella sentiu-se tocada por aquilo. Nunca tinham conversado sobre a separação. aliás, apesar de serem super próximas de idade, sempre foram super distantes de convivência e relacionamento. Completamente diferentes, elas andaram sempre em posições opostas. Nunca houve, a cumplicidade tradicional entre duas irmãs da mesma idade (ou quase). Bem, mas isso, já havia sido superado (ou não). O importante era que Arabella não tinha nenhum sentimento de raiva em relação à irmã. Queria, sim, seguir em frente e, se lá no futuro, por um acaso, se reencontrassem, Arabella estava sempre de braços abertos para retomar o tempo perdido. Mas, sobre essa relação delicada com sua irmã, falemos depois.
De volta à chave, às loucuras de Arabella...  Alexandre saíra correndo para os braços de Arabella naquele dia. Era já o fim-de-tarde. Aquele momento do crepúsculo. Hora em que as pessoas respiram aliviadas pelo dia que terminou e se programam para a noite que está por vir. Alexandre esperou Arabella do outro lado da avenida. Eles sempre marcavam ali e iam no carro dela para não dar bandeira.
Entrou no carro e deu um longo e paixonado beijo na sua amada. Ela sorriu. Sempre sorria quando ele vinha com esses arroubos de saudade imensa. Passou a mão pelo rosto dele, com carinho e admirou aquele homem que amava cada vez mais. "Coloque essa venda", disse à ele - se tinha uma coisa que ela gostava era de ser inusitada e de mexer com a excitação do amado com situações desconhecidas. "Para quê?", perguntou ele. "Você logo descobrirá", disse em tom firme e carinhoso. Alexandre não discutiu. gostava disso. Era algo que ele já não tinha, ou nunca tivera, na sua vida a dois com sua mulher. O fato de Arabella armar tudo, dar as cartas e preparar mil e duas situações inusitadas, fazia do relacionamento entre eles algo surpreendente, apaixonante e delicioso.
"Trouxe a chave?", perguntou ela.
"Trouxe", respondeu.
"Ótimo", disse Arabella com um ar enigmático.

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Escrito por Arabella às 12h31
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