BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos
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Arabella Bella



conversa Telefônica

E então ele me mandou um beijo. Coisa normal, por telefone, nada demais. Foi quando eu devolvi a gentileza, oferecendo um maior ainda. Nessa, ele captou a mensagem e disse que maior do que o dele, impossível. Eu, que não sou nada boba, retruquei: mas, só há uma forma da gen... – parei no meio da frase.

- fala, o que foi?

- Não, nada, deixa para lá (eu disse)

- Não, fala, vai...

- Ta bom: só há um jeito da gente medir isso, tirando a limpo!

- hum.... mas aí, vai gerar outras coisas, aí haverá e caberá recurso

- nossa! Então, cabe também réplica?

- Claro, réplica e tréplica.

- Mas, esse estatuto está bom demais...

Com essa frase, encerramos nossa conversa telefônica, nos despedindo com o gosto de quero mais. Ele completou:

- na semana que vem continuamos?

- como?

- continuamos?

- Claro, claro que sim. Estou com gosto de quero mais.

- Hum... eu também. Beijo, meu amor

- Beijo.

Desligamos o telefone e eu, sem nunca ter sequer beijado a boca dele, por alguns segundos respirei fundo e imaginei nossa vida, como será daqui para frente, quando realmente concretizarmos algo. Se você me pergunta pela minha nova ilusão, digo que estou encantada com uma nova paixão.



Escrito por Arabella às 12h01
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Os sono, os sonhos...

A noite passou. Os sonhos embalaram a alma de Arabella, que se libertou por alguns momentos. Era no sonho que se soltava e voava. Sabia que seu espírito era livre, embora, desejasse prender-se a alguém. Queria mesmo? Não tinha tanta certeza. Achava que queria mais tranqüilidade para seu ser do que qualquer outro bem. Só isso.

Arabella era incansavelmente inquieta e isso machucava seu ser e derrotava seu corpo. Pensava sempre e tanto que a mente pedia descanso para sua alma. Arabella sonhava. Nos devaneios do seu subconsciente, ela encontrou paz e descansou seu espírito. Arabella acreditava que o sono era uma válvula de escape para o mundo atordoado e acorrentado dos seres humanos. Já lera bastante sobre o assunto, assistira palestras e ouvira falar desses momentos reconfortantes para seu bem estar.

A vida de Arabella era cíclica. “A vida de todo mundo deve ser assim”, pensava a bella. “Afinal, de perto ninguém é mesmo normal”, completava.

Arabella sabia que o sofrimento não era exclusividade dela. Bastava abrir os jornais, as revistas, olhar em volta, conversar com suas amigas... Talvez por isso, ela não desse muita atenção para seus pequenos grandes dramas amorosos e pessoais. Sabia apenas que sempre fora dessa forma e que deveria aprender – já era mais do que a hora – a conviver com os encantos e desencantos da vida.

Decidira, então, deixar em paz seu coração. Achava mesmo que era possível viver numa ilha deserta de amor. Tantos homens, tantos sonhos, tantas vontades. E agora, José? Agora, agora era não achar nada. Deixar de lado essa onda de opiniões formadas sobre tudo e deixar rolar. Lembrara-se de quando sonhou com um ilustre desconhecido. Era uma história bonita, um encontro, algumas palavras trocadas, olhares roubados e a paixão dele por ela. Ela, como sempre, ficou na dela, não quis papo – até no sonho, Arabella era reticente -, não se entregava.

Mas, o ilustre desconhecido insistira, a cortejara e fizera juras... Ela, dessa vez, no sonho, aos poucos fora cedendo aos encantos dele... O rapaz, muito educado, armara uma surpresa para Arabella, envolvera os filhos, a mãe, a família... A fizera acreditar que agora era ela quem estava sendo dura demais com os sentimentos e não aceitava a realidade: que finalmente poderia ser feliz com alguém.

No sonho – era sonho, lembra-se? – Arabella cedeu. Lembrava-se de uma cena de seus devaneios inconscientes em que fitava o moço com seu olhar terno e começava a acreditar na sinceridade de seus sentimentos. O tempo passou, a noite de seus sonhos, seu sono, avançava e o subconsciente tinha que resolver logo aquela parada. Arrumar um desfecho para a história e...  Assim o fez.

Numa festa, Arabella diverte-se com a música, os amigos e ele, seu mais novo amor, seu insistentemente agrasdável amado. Estava feliz e confiante. Mas, claro, o sonho era della: Arabella.E o desfecho era sob encomenda para quem sempre se atordoa de amor e da carência dele.

Sentiu falta de seu amor, na festa, nos embalos, naquele momento. Foi atrás, perguntou por ele aos amigos, soube que tinha ido até o bar. Ela fora atrás dele. Descera as escadas que davam acesso ao local das bebidas. A música estava alta, muita gente, nuvem de fumaça, torpor. Foi quando o viu, o carinhoso, o insistente, o seu amorzinho... Nos braços da amiga, de uma amiga... Beijava-a. “Não! Não pode ser!”, pensara a bella. Revoltara-se, lamentara-se.

Ficara quieta, na curva da escada. À espreita, esperando que ele voltasse, se desenlaçasse dos braços da outra. Ele voltou. Deixou a amiga com um beijo terno na boca e um afago no rosto. Voltou correndo, pelas escadarias e não percebeu quando passou por ella, na curva dos degraus. Não percebeu, mas notou que tinha alguém ali.Ella! Foi quando tentou, de soslaio, perceber a presença da figura das escadas, nas escadas. Olhou, quase que despretensiosamente e identificou: era Arabella.

Ela o fitou, com mágoa, tristeza e mais do que tudo: desesperança. Ele tentou uma palavra para explicar. Ela abaixou os olhos. Não queria saber... Encolhera-se, embrulhara-se, apagara-se e... Acordara. Em seu quarto. Triste e sozinha... Com o sono desfeito e sonhos idem.

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 15h11
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“Aí eu nem quis me olhar no espelho. Estava cansada, murcha, derrotada... Não queria sequer pensar. Minha mente latejava em tristeza. E agora? O que fazer, para onde ir, para quem ligar? Quis pegar o telefone e ligar para você. Ah, como eu quis que um dia a gente tivesse vivido uma (nossa) história. Iria ser tão legal, as coisas seriam simples, leves, fúteis e alegres. Ah... aonde a gente se perdeu? Onde dobrei a esquina e me descobri seca de amor. Por quanto tempo ele já derramara-se de meu ser sem que eu pudesse sequer perceber?”

Arabella estava de novo vivendo uma de suas crises existenciais. Sabia que não seria a última, muito menos a única. Era sempre assim. Uma tristeza infinda que invade o ser e sufoca sua alegria. Estava já há um dia inteiro dentro de casa. Longe de todos, de tudo. Embrenhada em seu trabalho, ensimesmada em tanto trabalho que comprimia seu ser na procura pela sua existência.

A coluna doía de estar sentada à frente do computador há tanto tempo. Os olha cansados, secaram também. Junto com seu amor. Doía também. Arabella era uma mulher vivida, experiente, não achava justo estar ainda a alimentar pequenas paixonites e regatar tantas outras que já haviam passado. O reencontro com seu grande amor foi fatal para seus sonhos. Por momentos ela pensou que acreditou que estava tendo uma segunda chance para a história de ambos nessa vida ainda. Ela sempre pregara que a história dos dois era para outras vidas, que (infelizmente) não estava escrito para essa existência e já havia se conformado. Imaginava (até) que ele havia morrido. Alimentava no fundo essa história para conformar seu ser e acalmar sua alma. Ele tinha partido de sua vida há  bastante tempo e nada indicava que um dia retornaria. Perdera o contato, o endereço, número de telefone e tudo o mais que pudesse indicar seu rastro pelo planeta. Agora, ele reaparecera, como uma mensagem que pisca no canto do monitor. Uma volta triunfal, virtual, para mexer com sua memória ram para embaralhar seu HD. E agora? Agora, só restava à bella o seu pesar e contentamento. Fechou o laptop e correu para o banheiro. Precisava de um banho, lavar um pouco de sua alma, no fim daquele domingo, longo de trabalho, pesado de ausência.

Ligou o chuveiro, sentiu a água, primeiro fria, depois, mais morna, a tocar seu corpo. Se olhou, nua, doída... Doía por dentro e por fora. Os músculos tesos de uma mesma posição de trabalho, a alma tensa da falta de um amor por perto. Sentiu pena de si mesma, contraiu-se no canto do box e encolheu-se toda. A tristeza cresceu tanto e tão profundamente que se viu, de repente, as prantos, chorando alto, ouvindo o próprio urro de dor da alma. As lágrimas se misturaram com a água que saía em profusão do chuveiro. Chorava, chorava e quanto mais ouvia seu pranto, mais entristecia-se por aquele dia inteiro sozinha, em casa, sem telefonemas, sem cartas, e-mails e, o pior, esperança...



Escrito por Arabella às 17h30
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Hora de sair de cena



Arabella estava partindo para uma longa viagem. Deixava para trás tudo e todos. Aos que amou, pedia apenas desculpas por tudo e por todos. Sabia que não tinha sido justa com os sentimentos de cada um que passou por sua vida. Não tinha aprendido a cultivar o sentimento dentro dela mesma, portanto, não sabia lidar com a fragilidade de quem ama. A força, imaginava tê-la. Mas, nem isso Arabella aprendera a dominar. Era mesmo uma frágil em busca de um poder que não lhe cabia. Rendera-se. Estava se entregando e deixando-se levar pela brisa do tempo. Não sabia ao certo o que faria. Continuava perdida (como sempre o fora). Mas, queria mais – como sempre quisera – e agora estava decidida a não mais lutar. Entregava-se. Missão cumprida? Não, nem um pouco. Longe de estar perto do fim. Arabella queria apenas descansar seu coração e relaxar sua mente. Perdera-se nos seus sentimentos e já fizera muita gente sofrer afastando a todos de si.

Recentemente, tivera um ânimo de que realmente estava próxima de se aquietar. Em vão... Mais uma vez em vão. Não era para ela, a vida dos amados e amantes. Chorava sozinha, mas se agarrava a si mesma. Daí a decisão de partir. Tentara recuperar o tempo passado, tentara resgatar paixões da adolescência, tentara ser o que não era, tentara viver o papel de outros. Ousara experimentar sua autenticidade, aventurara-se em histórias e mundos muito diferentes dos seus. Agora? Agora, queria descansar e, por isso, a todos seus amores, amantes, pedia perdão. Perdão por não ter sido o que esperavam que ela fosse. Por não ter tido a coragem de enfrentar a vida a dois, por ter sido fraca. Queria agora descansar a alma, sossegar a mente. Escreveu uma carta a todos e encarecidamente pediu-lhes que não a odiassem....

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 18h09
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A graça de ser o que é...



O passado foi tomando conta da vida de Arabella aos poucos. Ela que sempre buscara o passado em vão, agora, vivia a experiência de ter o passado de novo batendo á sua porta e por força das circunstâncias. Arabella sempre fora dada a guardar seu passado em local bem seguro. Gostava de revisitar suas histórias e buscar seus momentos em momentos passados. Sofria com isso, alegrava-se com isso. Era meio uma ralação de amor e ódio que tinha com seu passado. Sofria quando revisitava e alegrava-se quando reencontrava. Sonhava com o dia em que pessoas chave em sua vida bateriam à porta de sua casa e, num passe mágico, num momento iluminado, a surpreenderiam com o seu passado em suas mãos. Pessoa queridas que ficaram ao longo da longa estrada da vida. Mas... Dessa vez estava mesmo acontecendo. O passado chegara até sua porta e era real.

Pessoas de seus vinte anos, buscavam-na no momento presente. Aos poucos, a bella Arabella começou a se envolver com a história de duas décadas atrás. Logo ela que, em vários momentos de sua vida, jurara a si mesma que havia perdido uma parcela de seu passado, agora, via, naquele bilhete, a oportunidade de reencontrá-lo. Justamente os anos esquecidos de sua escola.

No segundo grau, nunca fora uma menina marcante – pelo menos assim pensava ela -. Nunca se destacara por ser atuante. Gostava de falar e conversar, mas, não fizera muitas amizades, era mesmo meio ‘nerd’ e esquisita. Fazia questão de usar roupas estranhas e se na época existisse o Punk, punk seria. Fazia, então, questão de ficar no seu canto. Soturna para os estranhos, falante para os mais chegados, mas, sempre na sua, mostrando que guardava em si a revolta natural da adolescência e os amores contidos da idade.

Arabella começou, então, agora no presente, a remexer no seu passado e a relembrar fatos, pessoas e sentimentos. Recordava-se de muitos, tinha certeza que não era lembrada por muitos. Os amigos da época foram reaparecendo por meio digital. Estava planejando uma grande festa, um reencontro para comemorar os 20 anos de conclusão do ensino médio – na época, segundo grau.

Arabella entrou de cabeça na história. Começou a sonhar com o dia do dia que seria o dia do encontro. Divertia-se com as histórias relembradas de seus amigos. Emocionava-se com os fatos do passado e curtia os preparativos do presente. Participava, mas tinha certeza que era uma intrusa. Mais uma vez, Arabella se recriminava por ter sido alguém esquisito, uma menina cheia de planos e sonhos, mas, todos guardados para si. Nos seus cadernos de escritos, nos seus momentos sozinha, ouvindo músicas na vitrola e sofrendo por amores que nem ela sabia que existiam. Sofria... Sofria... Sofria – no passado e agora – Tinha medo de, mais uma vez, comportar-se como a menina sem graça que fora...

///~..~\\\



Escrito por Arabella às 09h06
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O passado bate à sua porta...



Arabella voltou para casa exausta. Estava mesmo cansada. Desejava ardentemente por um banho quente, uma ducha gelada para contrabalançar e uma massagem. Bom, essa última, ela já tinha cortado de seus planos. Quis, então, apenas o seu canto. ‘Engraçado o que acontece com as pessoas quando o tempo passa’, pensou ella.

‘Havia um tempo que, o que eu mais desejava, era ficar na rua, encontrar amigos, rodar por aí. Agora, me pego sonhando com minha cama. O aconchego de meu quarto o calor dos meus cobertores’. Correu para casa.

Procurou não pensar na conversa que teve com sua irmã. Não queria alongar mais seus pensamentos com aquela história que já esperava ter sido resolvida em sua vida.

Abriu a porta de casa, estava na penumbra (a casa). Caminhou a passos lentos e esbarrou em um bilhete deixado por baixo de sua porta, dizendo:

- Bella, o tempo passa, mas não se esqueça: 20 anos não são vinte dias. Não perca a oportunidade de rever seu passado.

O bilhete intrigou a bella. Ella, que sempre vivera para reconhecer, reencontrar, reviver os bons momentos do passado, agora, tinha em suas mãos um passaporte para tais planos. ‘O que seria aquilo? O que fazer? Brincadeira de mau gosto?’, pensou.

Mas, estava tão cansada que preferiu não conjecturar sobre aquilo naquele momento. A bella de hoje, com 36 anos, já não esperava muita coisa do passado, queria mesmo era viver o presente e o futuro. Desejou, portanto, que aquele bilhete tivesse chegado há alguns anos. Tivesse atravessado sua porta momentos antes de sua existência.

Amassou o papel e jogou num canto, dentro de uma cesta de lixo. Aquela que, no dia seguinte teria que limpar. Iria, sim, fazer a limpeza de sua vida para poder zerar seuas pensamentos. Não queria ficar se envenenando de passado. Por isso, seguiu para o banho como quem se entrega a tal redenção.

Abriu o chuveiro. Procurou zerar o passado. O mais recente, principalmente. Naquela noite, na conversa com sua irmã, bella percebera que as coisas são como têm que ser e as pessoas idem. Se ela quisesse continuar a viver e conviver numa boa com sua família, tinha mesmo que aprender a aceitar a maneira de cada um de ser e, mais, não sofrer com isso. ‘Nos momentos felizes, seja feliz. Nos momentos críticos, ajude no que for possível, mas não beije na boa. Sem envolvimento total. Seja apenas uma ouvinte, na melhor das hipóteses. O que não pode ser mudado, não será. Aceite e sai sua vida de bem com o mundo’. Arabella tinha acabado de sedimentar mais uma verdade para sua vida. Porém, como todas as verdades della e do mundo, nada é para sempre e ninguém tem mesmo a pretensão de ser o dono da própria – a verdade.

Arabella deitou-se na cama, esticou o corpo, alongou seus músculos, sentiu o frescor da noite e sentiu-se feliz por estar em sua cama...

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 19h28
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Armação do destino



Tinha ouvido a irmã por horas e, agora, decidira, era hora de partir. Aquela conversa já tinha rendido o que poderia render. Arabella já havia captado a falta de harmonia daquela instante e por mais que tentasse – desesperadamente, eu diria – retomar momentos passados, percebera que já não era mais tão fácil assim. Talvez, pensou, impossível.

O tempo foi cruel e as relações já não são as mesmas. “Nós já não somos mais os mesmos”, pensou para si mesma. Pensou tão baixinho que sequer pode ouvir seus pensamentos. Arabella estava triste, mas, de certa forma, sentia um alívio. O alívio de encarar a situação como assim (ela) se apresentava. Não dá para ficar idealizando ou fantasiando a realidade. O mundo afastara uma da outra e, agora, às irmãs não restava mais do que se conformar e tentar reconstruir, ou melhor, construir algo a partir do que se apresentava.

Olhou para a irmã, sentiu um aperto no coração. A vida fora cruel. Sempre viveram na mesma cidade – por muito tempo, claro, na mesma casa, chegaram até a habitar o mesmo ventre... – e agora nada mais restava a não ser seguir a vida nas condições às duas impostas.

Não era conformismo, era realismo. Não estava com raiva, estava triste e, como se percebe, aliviada. Não tinha culpa, tinha mesmo era tristeza, mas, sabia que algo novo podia ser construído. Ainda havia a chance. “Enquanto há vida, há esperança”, se repetia e ria de sua ingenuidade.

- Isabella, precisamos nos ver mais, conversar mais...  Disse essas palavras com a descrença de quem cumpre um protocolo. Sabia que não seria assim, sabia que estava apenas cumprindo os passos de um encontro perdido no meio do tempo.

- Claro, claro, é isso mesmo que eu quero. Respondeu a irmã, também como quem lê um script e repete suas falas do roteiro.

- Precisamos colocar nossos filhos para brincar, se freqüentarem. Afinal, são quase da mesma idade, moram na mesma cidade, precisam crescer juntos...

- Claro... Repetiu, cumprindo suas falas.

O tempo já tinha avançado bastante e os ponteiros do relógio já acusavam o momento de se despedirem. Arabella, como sempre, pediu a conta e fez menção de pagar. Isabella não se mexeu. Era engraçado, toda a sua família tinha essa convicção de que ella, a bella, era abastada o suficiente para que pagasse sempre as faturas dos encontros. Acontecia sempre. Era quase que uma obrigação para a bella financiar os momentos juntos, as conversas, os instantes de prazer e lazer ao lado dos seus. Afinal, ella era a que trabalhava, tinha emprego e força para se virar e dar conta da vida.

Arabella, nesse momento, sentiu raiva. Raiva dela mesma, por aceitar e (até) investir nesse conceito, e da irmã, por se fazer de tão frágil e desamparada ao ponto de achar que à irmã cabe a obrigação de sempre arcar com as despesas. Teve raiva, também da situação, de tudo que se configurara na vida das duas. Da fórmula que Isabella encontrou para se colocar na posição de coitada. Não era. Tinha apenas encontrado uma saída para se escorar no destino...

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 10h45
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As tias... as irmãs... Os parentes e seus relacionamentos...



À medida em que as duas iam conversando, Arabella ia tentando identificar os pontos de identificação com a irmã. Estava mesmo querendo ajudar e a enxergava tão confusa. Ela, aliás, buscava explicação para tudo o que acontecera às duas até chegar àquele momento das suas histórias.

Arabella recordara-se nesse momento de uma peça teatral que um dia assistira. Um texto de Mauro Rasi que reunia três momentos na vida de uma mulher e que se entrelaçavam durante a peça. Algo como a mesma pessoa interagindo consigo mesma em momentos distintos de sua vida. Na peça, a personagem ainda jovem (seus vinte e poucos anos) se encoura com ela mesma aos quarenta e alguma coisa. Naquele momento, pergunta como estava a vida dela aos 40 e percebe que a outra (ela mesma) já não falava mais com o próprio filho. Estavam brigados, rompidos. É nesse momento que a jovem pega a outra de assalto e começa a inquirir:

- Como aconteceu isso? O que você fez para o meu filho para não nos falarmos mais? Como você deixou que nossa relação chegasse a esse ponto?

Ela, mais jovem, achava inconcebível que mãe e filho viessem um dia a perder contato. Na verdade, isso era mais comum do que se podia imaginar e algo aconteceu no decorrer dos dias que os dois passaram a se odiar, embora fossem mãe e filha. Coisas do relacionamento que, quando se é jovem, considera-se impossível de acontecer.

Nesse surto de passado, Arabella se perguntava o que teria acontecido para as duas irmãs se tornarem tão estranhas uma a outra e, mais, o que aconteceu para uma errar o caminho e se perder da outra.

- Isabella, o que aconteceu? Por que chegamos a esse ponto? Somos irmãs, um anos apenas de diferença, o eu houve?

Inútil. Estava consolidado. Agora, as duas tinham que trabalhar em cima de bases atualizadas, com fatos novos e personagens idem.

- Não sei... não sei mesmo bella. Mas, me sinto tão solta no mundo, perdida. Uma hora quero tudo, outra não quero nem respirar. O que faço? Não sei.

Havia momentos em que Isabella se trancara em seu apartamento e simplesmente não atendera mais ninguém. Um dia, o pai delas foi visitar Isabella. Tocou o interfone, pediu para subir e ela, em casa, mandou o porteiro informar: não ia receber o próprio pai!

E assim o fez.

Agora, restava saber o que acontece entre irmãos, pais, mães e parentes que, com o passar dos anos, se vêem tão antagônicos e distantes. Moraram na mesma casa, eram amigas, irmãs, parentes, e, o tempo, implacável, não soube trabalhar as relações afastando todos uns dos outros e destruindo, ou, (pelo menos) esfriando e fragilizando o contato entre os seres que um dia se amaram.

///~..~\\\

Escrito por Arabella às 15h31
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Vidas difusas...



Conversaram longamente durante a noite. Fazia tempo que não se davam aquele tempo, aquela oportunidade para se (re)conhecerem. Era mesmo isso que acontecia. Arabella olhava para sua irmã com uma ternura quase maternal. Apesar de ser mais nova, ella sentia Isabella frágil, perdida, uma criança quase que pede a ajuda sem saber bem ao certo por que nem para quem. O olhar... Ah, o olhar dizia muita coisa para a bella. Ela na iris que ela identificava as pessoas, suas angústias, seus momentos. O olhar, para a bella, era quase como um revelador da foto da alma. Não tinha muito essas coisas de ser sensitiva ou mesmo capacidade mediúnica (não declaradamente). Mas, gostava de olhar nos olhos.

Algumas vezes, admitia, incomodava o olhar das pessoas adentrando ao seu diretamente. Era cortante e com algumas pessoas sentia uma sensação de invasão. Ficava desnorteada.

Mas, o olhar era simplesmente tudo. Ela que vivia na eterna busca por tudo não conseguia furtar-se a olhar as pessoas nos olhos

Naquele dia, quando encarou sua irmã, entristeceu. Não viu vida em seus olhos. Viu o cinza, o nublado, viu o fog. O olhar era quase distante, solto, tremido, infantil. ‘Aonde estaria sua irmã naquele momento em que conversavam? Por onde sua vida ‘errou’ e se perdeu? Ou, será que se encontrara em outras esferas?’, perguntas que martelavam a mente da bella enquanto conversava com Isabella.

Sentiu uma vontade forte de abraça-la e dizer:

- venha, fique aqui, quietinha, lhe protejo, tudo vai dar certo.

Era nessas horas que ella tinha vontade de refazer as vidas, histórias, momentos. Tinha vontade de, pelo menos, ajeitar a vida dos que amam. Sua irmã estava enfrentando momentos difíceis. Se refugiara em fugas, escapes que a faziam acreditar em realidades diversas, difusas...

- Eu admiro você, bella. Sempre tão forte e decidida. Quando se separou do seu marido, decidiu, fez e foi em frente, disse Isabella.

Era a primeira vez que Arabella ouvia aquelas palavras. Tomou até um susto. Sempre se sentira meio boba perto de sua irmã. Achava que ela a considerava uma metida e que por isso afastara-se dela. Não sabia, naquele momento, na verdade, o que era verdade ou imaginação de sua cabeça. Decidiu, que iria ajudar sua irmã. Tinha que ajudar. Mas, como? Ela parecia tão confusa, tão afundada em si mesmo. Precisava achar uma brecha que a fizesse chegar perto da essência de Isabella. Não sabia se conseguiria....

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Escrito por Arabella às 18h27
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Reflexo condicionado...



O dia voara para Arabella. O clima quente e seco tirara um pouco o humor da Bella que, vez por outra, respirava fundo e tomava uns bons goles de água para não perder a paciência. Não que fosse impaciente, mas, Arabella tinha um mecanismo de auto-programação que permitia que ela fosse até um determinado ponto, se passasse daquele limite, parecia que não iria agüentar o tranco e que iria sucumbir. Era assim com todo mundo, em todos os níveis de relacionamento. Com os filhos, por exemplo:

Quando o dia estava terminando, agüentava até o último segundo possível de suportar, mas, chegando no limite, começava a disparar o mau humor e dizia aos dois:

- Acabou o dia!

Eles já sabiam e, numa espécie de reflexo condicionado, assimilavam a mensagem e sabiam que o dia tinha realmente acabado.

Assim era a paciência de Arabella: larga, mas curta. Se é que isso é possível...

Mas, o dia transcorreu normal, como um outro dia de setembro. Em alguns momentos quis ligar para Gabriella para saber como ela estava, se tinha passado o dia bem até aquele momento etc etc etc. Mas, até nesse caso, ela optara por deixar o dia correr e não ligar para a amiga. Era mesmo esquisita. Gostava das pessoas, lembrava-se delas com uma certa freqüência, mas, num mecanismo que nem ela sabia explicar, terminava deixando o tempo passar e se afastava das pessoas que mais amara na vida. Daí a decisão (também) de ligar para a irmã.

- Alô, Isabella?

- Sou eu, Arabella. Tudo bem?

- Tudo... Respondeu a irmã reticente.

Era realmente estranho um telefonema da irmã... Estranho, mas não impossível.

A irmã de Arabella tinha desenvolvido uma forma de encarar o mundo muito diferente della. Era mais acomodada em relação à vida e normalmente era vista como a mais frágil, papel oposto ao que Arabella assumiu na vida. Quem estava certa? Não era o caso de estar certa ou não. Eram estilos diferentes apenas.

- Como você está, vamos nos encontrar? E o seu filhote? Tudo bem?

Arabella disparou a perguntar. Queria resgatar uma intimidade que há muito já tinha perdido com a irmã. Eram quase gêmeas. Super próximas na idade e tão distantes no temperamento e na forma de ser. A bella pouco entendia como duas irmãs podiam ser tão antagônicas e eram!

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Escrito por Arabella às 16h55
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O passado se mistura... O presente se ressente...”



Deu um beijo de despedida na amiga e partiu afobada para ganhar o dia. Arabella gostava muito e sempre de dirigir. É certo que, em alguns momentos sentia-se cansada, mas, geralmente, adorava entrar no carro, abrir as janelas do carro e deixar o vento invadir todos os cantos e recantos de sua alma.

Pensava muito enquanto dirigia. Visitava momentos vários de sua vida, ia e vinha em fases distintas de sua existência. Ligou o rádio na rádio de notícias 24 horas – era uma mania dela: estava sempre ligada nas notícias para que não perdesse um só segundo do que acontecia no Brasil e no mundo. Ta certo, ta certo, era uma mania, mas não uma doença. Adorava quando chegava o fim-de-semana e podia, finalmente, relaxar e enfiar um CD no som do carro e relaxar com a paranóia de viver eternamente antenada. Era mesmo um pouco de paranóia, mas ela mesma confessava a si própria que adorava quando chegava no trabalho, quando conversava com amigos, quando discutia a vida despretenciosamente, e tinha informação sobre tudo, já havia lido sobre grande parte dos assuntos e podia discutir temas. Era mesmo uma chatinha nesse ponto.

Mas, assim, seguiu para o trabalho. No caminho lembrou dos momentos com a amiga. Percebeu que saíra tão apressada que mal se despedira de Gabi. As pessoas aprendiam a entender esse lado desligado de Arabella. Não fazia por mal, fazia por distração e sabia que a distração era um mal. A bella tinha seus defeitos, e muitos, mas vivia sempre (acreditem-me) com a melhor das intenções. Não havia no planeta alguém que ela detestasse ou odiasse a ponto de desejar mal ou esperar nunca mais reencontrar. Tinha sempre uma lembrança boa do passado – outro erro: “passado está no passado, ponto com, ponto Br. Não nos cabe viver do que foi. Passou...”, repetia para si mesma.

Por um momento, veio-lhe à mente uma cena. Uma situação que vivera na infância, ao lado de sua irmã. Sentiu um aperto no coração. Lamentou o passado ter passado e por um momento desejou ardentemente poder reviver a boa sensação de segurança da infância. Uma lágrima rolou de seus olhos. “Agora, cresci. Fazer o quê?”, conformou-se e emendou:

“Preciso ligar para minha irmã”.

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Escrito por Arabella às 19h34
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Back to reality...



Momentos são momentos, nada mais. A realidade não tardou a bater na porta da bella, que mal pode saborear o capuccino que a amiga preparou com torradinhas. Seu reinado de mimos, por aquele momento, estava próximo do fim. Logo, logo o relógio estaria marcando sete horas e o trabalho urgia. Arabella pulou da cama apressada, pronta para entrar numa ducha bem gelada, daquelas que tiram qualquer um dos sonhos e sugam toda magia do momento sublime.

- Bella, bella menos correria. Você acabou de me dizer que estava se permitindo. Disse a amiga em tom de desolação.

- Eu sei, Gabi, linda. Mas, olha, não dá mesmo para eu esperar mais. Foi tudo lindo, inesquecível e único. Você é maravilhosa e não quero perder a oportunidade de ter outros momentos junto a você. Mas...

- Ok bella, ok. Vai lá... Não te atrase...

Bella correu para o banho e, na passagem, deu um beijo no rosto da amiga e fechou a porta do banheiro cantarolando: “E foram virando peixes/Virando conchas/Virando seixos/Virando areia/Prateada areia/Com lua cheia/E à beira-maaaaaaaaaaaar”.

Gabriella sorriu para si mesma e, com seus botões, pensou:

- mas é mesmo uma moleca!

O banho foi rápido. Arabella tinha essa impaciência natural e fazia tudo correndo. Parecia que nunca tinha tempo a perder, que as horas estavam mesmo a correr no seu calcanhar. Saiu toda enrolada numa toalha, o corpo ainda úmido e exalando o frescor de eucalipto do sabonete. Correu para o quarto, escolheu a calça comprida básica (preta), uma blusa básica (branca), meias brancas e tamancos pretos.

Era mesmo desmazelada no seu modo de vestir. Lembrava-se freqüentemente dos comentários de sua mãe que vivia a pegar no seu pé e a pedir que ela se vestisse um pouco melhor, que fosse mais menininha e que se preocupasse mais com sua auto-imagem. Esses pensamentos fizeram Arabella rir de si mesma, pois ali, naquele momento, conseguiu se ver perfeitamente como sempre fora: uma menina desmantelada, aparvalhada, mas cheia de encanto pela vida. Moleca, exatamente moleca, como definira a amiga Gabi que, a essa altura, de longe, assistia ao desmantelo da bella a se compor para enfrentar o dia, a vida, o mundo da bella a tentar, sempre, domar suas feras...

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Escrito por Arabella às 19h40
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A lição sabemos de cor... Só nos resta aprender.



A noite foi longa e curtida. As duas amigas se redescobriram no afeto e no carinho. Arabella se desmanchava em meiguice com os dengos de Gabi e esta se desdobrava em afeto com os caprichos da bella. Se amaram, conversaram, se descobriram...  Ao toque suave das mãos de Gabi, a bella estremecia e se entregava mais e mais às carícias da amiga. Como em um balé, enlaçavam-se e ensaiavam movimentos doces... Embalavam-se uma no desejo da outra e se perdiam noite adentro sob os olhares atentos da lua que, enxerida, prateava os beijos trocados.

Logo a lua faceira despediu-se da noite e abriu espaço para o dia que, sob os encantos do sol surgia no horizonte em tons laranja e com nuances púrpura. Parecia mesmo um espetáculo a se formar sob a janela da bella. Dali, onde estavam, avistavam o Lago Paranoá sob a névoa seca do Planalto Central.

É sabido que naquela região, no platô do Centro-Oeste brasileiro o clima divide-se em apenas duas estações marcadamente distintas: a das chuvas e a da seca. O clima semelhante ao das savanas, durante a seca, se revestia de névoa e a umidade baixa do ar maltratava os corpos de quem vive por aquelas bandas. A seca não secou os carinhos de Bella e Gabi que, maravilhadas, perceberam a saudação do astro rei em uma tela milimetricamente pintada e arranjada pela natureza. Era um dia de setembro, era o dia em que as duas deixaram o tempo de lado e se entregaram à livre dimensão de quem dá vazão aos momentos e sentimentos.

- Olha lá, Bella, o sol, o dia! As cores laranja. É um espetáculo único. Ofereço a você. Disse Gabi simplesmente extasiada com a perfeição da natureza...

Arabella soltou apenas um suspiro e num ato de reverência a tudo e a todos respirou fundo enchendo seus pulmões de ar. Estava em paz com ela mesma. Sabia disso. A bella, sempre atordoada e preocupada, deu-se de presente momentos de calmaria. Limpou a mente de todo e qualquer pensamento e se deliciou com a brisa da manhã.

- Vou fazer um café, quer um capuccino? Perguntou Gabi.

- Capuccino? Agora?

- Claro, Bella. Nada como o cafezinho do início do dia. Fica aí, deixa que eu providencio tudo.

Arabella ainda fez menção em se levantar da cama, mas, não resistiu aos mimos da amiga e voltou para debaixo das cobertas resignada a se permitir o momento. Experimentou a doce sensação de não ter que pular da cama apressadamente para começar o dia. Se permitiu...

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Escrito por Arabella às 17h43
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Prenuncio de Primavera...



Arabella até ensaiou chorar, mas era tão terno o toque da mão da amiga em seus cabelos que ela achou melhor fechar os olhos e simplesmente deixar suas emoções fluírem. Tinha um pouco essa mania de ‘montar dramas’ e a frase da amiga atingiu-lhe o peito em cheio. Arabella fazia muito, sim, claro que fazia! Era mesmo uma lutadora que corre atrás do prejuízo para se livrar do mesmo. Com três, quatro, dez bicos, costumava dizer que sempre dera conta da vida e isso devia-se, sempre à sua força de trabalho.

- Meu pai, certa vez me disse que deixaria para todos os seus filhos o bem maior e que jamais poderá ser roubado: o do estudo. “Podem roubar seus bens, tudo que você possuir, mas, a sua força de trabalho e seu conhecimento são seus, adquirido e jamais lhe roubarão e, mais, é com essa força que se pode reconstruir e recuperar tudo novamente”. Tenho essas palavras do meu pai comigo em cada passo que dou. Dizia a bella.

Mas, o fato de ser lutadora não a credenciava a ser também um drama ambulante. Arabella sabia disso, mas, nunca tinha ouvido de forma tão direta uma descronstrução tão sagaz dos seus dramas.

- Bella, bella, viva apenas... Ponto com, ponto br. Disse a amiga. Dos seus dramas já sabemos, dos meus eu também já sei. O que nos resta agora é viver o novo, aproveitar, simplificar, descomplicar. Ah, bella, se você soubesse quanta energia se gasta construindo dramas. E, olha, te digo mais, na segunda frase do seu drama, o ouvinte já está pensando em alguma coisa. Nossos drama são nossos. Resolvamo-los, pois. No mais... Vivamos!

A amiga era mesmo uma sábia. As palavras certas nas horas certas. De repente a bella viu que mais do que construir os dramas, melhor é se desfazer deles. Nada de valorizar dramas.

O cheiro de outono invadia o quarto. Era uma brisa seca e árida como as que costumam passear pelo Planalto Central em dias de setembro, antes da primaversa se anunciar. Não estava frio, não estava quente. A temperatura amornava o ambiente que se enchia de harmonia á medida que as duas amigas entravam mais e mais em sintonia...

De olhos fechados, a bella sentia o carinho da amiga. Enlaçou os braços ao redor da cintura da amiga, e sentiu o aconchego de estar ali – segura, confortável, plena.

Gabriella, esticou o braço, pegou a taça, tomou mais um gole de vinho e novamente brindou:

-Bella, olha para mim. Vou bridar a você e à sua vida com menos dramas.

Arabella abriu os olhos e teve a visão da amiga – tão forte, decidida e cheia de brilho. Levantou-se lentamente e foi endireitando sua coluna de forma ereta à frente da amiga. Chegou ao nível dos olhos de Gabi, sorriu placidamente e com uma das mãos tocou o rosto da amiga. Fez um gesto de carinho, sentindo a maciez da pele da outra. Inclinou-se em sua direção, beijou-a demoradamente.

Com aquele gesto, Arabella desconstruía definitivamente um tabu em sua vida...

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Escrito por Arabella às 16h22
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Desmonta o Drama!



A luz das ruas entrava pelas janelas da casa de Arabella. Ela gostava exatamente disso, deixava as cortinas abertas para experimentar as luzes da noite nas paredes de sua casa. Adorava a noite, diga-se de passagem. Aquela, então, estava particularmente bonita. A lua invadindo os espaços da casa derramava sorrateira a sua luz que se esparramava pelo assoalho. Uma enxerida mesmo essa lua. Não pede licença para entrar e se instala nos poros do lugar...

Não acenderam as luzes. Não cabiam luzes do teto naquele momento. Bastava a penumbra de uma noite quente de agosto na capital do país. O apartamento de Arabella tinha uma particularidade. Não ficava entre prédios, permitia, portanto, que o vento circulasse de uma ponta a outra livremente. Uma brisa suave entrava, refrescando o ambiente.

Olharam-se nos olhos e sorriram uma para a outra.

- Vamos tomar um vinho? Perguntou Arabella.

- Mais? Interpelou Gabriella.

- Ah... deixa! Tenho um vinho tinto aqui que eu adoro. Vamos experimentar... Uma bebericada apenas. Que mal há nisso?

Escorregou sua mão pelo braço da amiga e gentilmente pegou em sua mão.

- Vem... Disse suavemente.

Pegaram o vinho na adega, duas taças e muita vontade de aproveitar o restinho de noite que lhes sobrava. Brindaram:

- À felicidade, disse Gabriella

- À NOSSA felicidade, repetiu bella gravando bem a sonoridade da palavra nossa.

Ao primeiro gole, o sabor do vinho invadiu o imaginário das duas. Deliciaram-se. O sabor do tinto seco foi mágico e se sentiram confortavelmente bem.

A noite evoluiu dentro do esperado. As duas estavam à vontade uma com a outra e com vontade uma da outra. No quarto da bella, ella – a bella – deitou-se na cama, no colo de gabi que já estava aninhada nos lençóis.

- Ô minha bella, você é tão doce...

- Eu? Como assim? Você bem sabe que sou uma força bruta, nada tenho de doce ou lapidada.

- Bella, bella... Menos... Menos...

- Mas, é sério. Já lhe falei, sou mesmo uma tosca. Sabe disso. Sou gente que rala...

- shshshshhhhhhhhhhhh... Disse Gabi interrompendo a bella... E continuou: blá, blá,blá... Bella, desmonta o drama!!!!

Disse isso passando a mão suavemente nos cabelos da amiga deitada em seus dramas...

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Escrito por Arabella às 16h08
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